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Veja o estado da imprensa hoje no Rio Grande do Sul, funciona assim….

Ligo ao gabinete da deputada estadual Silvana Covatti, do Rio Grande do Sul, para pedir uma entrevista. Pergunto à secretário o nome da jornalista. Ela me diz que a própria está ao lado, e que vai passar a ligação para a mesma. Eu peço a ela seu nome inteiro – Rebeca Rabel – e-mail e celular, para poder enviar o pedido por escrito. Já sei das praticas dos chamados assessores de imprensa, verdadeiros empatadores de entrevistas de jornalistas com seus empregadores. Por isso já resolvi me antecipar. Mas ela me interrompe, pedindo que antecipe ao telefone o motivo da entrevista. Eu adianto: a questão feminina, o papel da mulher, etc…. E adianto que pretendo tratar da questão de Andréia Evani Rodrigues, assessora do vereador José Deoclides Nunes da Silveira, o “Cridão” (diminutivo de “Queridão”), do PP de Arroio do Sal, que foi intensamente assediada com motivação sexual por ele. O caso foi divulgado com exclusividade inicial por mim, jornalista Vitor Vieira, editor de Videversus, com a publicação de uma das gravações contendo o intenso assédio. Está na matéria contida no link a seguir https://poncheverde.blogspot.com/2019/02/deixa-eu-pegar-na-tua-tetinha-diz-o.html .
A jornalista Rebeca Rabel resolve me dizer que dificilmente a deputada Silvana Covatti irá falar sobre o assunto, porque ele é “polêmico”. Eu pergunto: “Como assim, polêmico?” A jornalista, insistindo em me tratar por “moço”, responde que é jornalista e que eu não irei ensiná-la sobre o que é “polêmico”. Ato subsequente, bate o telefone na minha cara.
E assim se tem uma poderosa noção do que seja o jornalismo no Rio Grande do Sul, com uma jornalista antecipando que sua deputada, para a qual trabalha, ex-presidente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, ex-presidente do Diretório Feminino do PP do Rio Grande do Sul, não se manifestará sobre assunto que envolve a questão feminina, sobre o caso de uma mulher assediada sexualmente por um vereador do seu partido, o qual a demitiu por se negar a ceder aos seus avanços sexuais. De qualquer forma, nesta noite de quarta-feira (05-06-2019) formalizei, por escrito, pelo Whatsapp e por e-mail, ambos enviados para Rebeca Rabel, o pedido de entrevista com a deputada estadual Silvana Covatti para tratar desses assuntos. 
O conteúdo do pedido de entrevista enviado formalmente é o seguinte: “Sra. Rebeca Rabel, conforme combinado em ligação telefônica ao final da tarde desta quarta-feira, 05-06-2019, solicito seja marcada data, horário e local para entrevista com a deputada Silvana Covatti, sobre a questão da mulher, a mulher na política, violência sobre a mulher em geral, assédio violento sobre a mulher em ambiente de trabalho, especialmente o do caso de Andréia Rodrigues, assessora do vereador Cridão, do PP de Arroio do Sal, cuja gravação de assédio eu publiquei, e que mereceu matéria da Rede Globo e do SBT na sequência. Att. jornalista Vitor Vieira, Editor de Videversus”. 
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
Andréia Rodrigues, ex-assessora do gabinete do vereador José Deoclides Nunes da Silveira, o Cridão, do PP, já demitida do seu trabalho, apresentou queixa crime na Polícia Civil do Rio Grande do Sul e formulou uma denúncia de quebra de decoro parlamentar na Câmara Municipal de Arroio do Sal, cidade do Litoral Norte do Rio Grande do Sul, por assédio sexual. Ela gravou as tentativas do vereador dentro de um carro, no qual viajavam para Porto Alegre a serviço, com diárias pagas pela Câmara Municipal. Nas gravações percebe-se com clareza a insistência do vereador Cridão, que propõe horrores à sua assessora, tenta levá-la para um motel, e descreve situações que gostaria de desenvolver com ela. Percebe-se, nitidamente, que ele diz, ansioso: “Deixa eu pegar na tua tetinha”. Durante todos os trechos de conversas gravados, intercalados pelas pausas dadas no gravador do celular, Andréia Rodrigues resiste ao assédio promovido pelo vereador José Deoclides Nunes da Silveira, inclusive relembrando ao parlamentar que ambos são “comprometidos”. Ela sustenta inclusive ser amiga da mulher do vereador. Já Cridão não se conforma e diz o velho ditado gaúcho: “Burro amarrado também pasta”. E menospreza o fato de que ela, na época, estava namorando firme.
O vereador Cridão está em quarto mandato e já presidiu a Câmara Municipal da cidade. Ele faz parte do PP, que teve como presidente estadual, até recentemente, uma mulher, a deputada estadual Silvana Covatti, que também foi presidente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. É o mesmo partido da ex-senadora Ana Amélia Lemos, que chegou a concorrer e vice-presidente da República na chapa do ex-governador paulista tucano Geraldo Alckmin. 
Ouça um dos áudios gravados por Andréia Rodrigues sobre o assédio do vereador José Deoclides Nunes da Silveira, o Cridão:
Andréia Rodrigues esteve na Delegacia de Polícia Civil do Rio Grande do Sul, em Torres, e fez registro de boletim de ocorrência do assédio sexual e moral sofrido da parte do vereador José Deoclides Nunes da Silveira, o Cridão, do PP, e entregou provas desses ataques. Ela declarou também a intenção de promover ações cível e criminal contra o vereador autor dos assédios. Mas, esta iniciativa será tomada, igualmente pelo Ministério Público do Estado do Rio Grande, onde Andréia Rodrigues igualmente apresentou sua denúncia. Veja abaixo a cópia do registro da ocorrência na Polícia Civil:
Além disso, Andréia Rodrigues apresentou também uma representação na Câmara Municipal de Arroio do Sal, por quebra de decoro parlamentar, com objetivo de cassação do mandato do vereador José Deoclides Nunes da Silveira, o Cridão, do PP. O processo já está tramitando e há uma grande curiosidade na cidade e na região para ver qual será a atitude dos vereadores (são nove parlamentares, entre eles uma mulher). São intensos também em Arroio do Sal e em todas as cidades do litoral Norte do Rio Grande do Sul os comentários sobre a existência de outros áudios, gravados por outra assessora, contendo assédio sexual promovido por outro vereador do local. Ou seja, parece ser um hábito em Arroio do Sal (provavelmente em outros municípios da região aconteça a mesma coisa) de violentas pressões exercidas sobre assessoras parlamentares para que prestem favores sexuais aos vereadores, que não se acham “jaguaras”, apesar do comportamento que adotam. 
Veja abaixo a cópia integral da denúncia apresentada à Câmara Municipal de Arroio do Sal por Andréia Rodrigues contra o vereador José Deoclides Nunes da Silveira, o Cridão, do PP:
Postado por Videversus as 22:40:00
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