Economia

Tudo pronto para a Selic cair nesta quarta-feira

Fontes do governo confirmaram informação divulgada pelo site Games Magazine, de que o Ministério da  Economia indeferiu o pedido de reajustes nos preços das loterias que havia sido solicitado pela  Caixa Econômica Federal, que deve insistir no pedido ou sugerir medidas compensatórias. Uma das principais razões para o indeferimento é que, por meio de um estudo econométrico, os técnicos do Ministério avaliaram que haveria queda da receita das lotéricas com o aumento do preço. A notícia foi mais um sinal baixista para a inflação, no primeiro dia da reunião de julho do Copom, que termina nesta quarta- feira, quando será anunciada a decisão sobre a Selic, hoje em 6,5%. As apostas são de corte de 0,5 ou 0,25 ponto porcentual (pp).

O economista André Braz, especialista em inflação do Ibre/FGV,  calculou que o reajuste do preço dos jogos lotéricos (por volta de 30%, na média) teria um impacto de 0,13 pp na inflação de 2019. Sem o aumento, a sua projeção é de IPCA de 3,7% este ano. Já Carlos Thadeu de Freitas Filho, economista-chefe da Ativa Investimentos, estimou impacto do ajuste das lotéricas (com média de 32%) em 0,15 pp, e projeta IPCA de 3,45% este ano (bem abaixo da meta de 4,25%), se o Ministério da Economia mantiver a decisão de não autorizar o reajuste. Thadeu avaliava que seria difícil o Ministério da Economia autorizar o aumento das lotéricas pela questão da potencial redução de receita e também porque seria melhor esperar o próximo ano, quando a nova Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE, que deve ser divulgada em outubro, pode inclusive redefinir o peso dos jogos lotéricos na cesta de consumo. Ele acrescenta que 1% de corte adicional da Selic corresponde a uma economia anual em juros da dívida pública de cerca de R$ 40 bilhões, e que as autoridades econômicas provavelmente preferem deixar o mais desimpedido possível o caminho para o ciclo de baixa da taxa básica que se avizinha. Um argumento contrário seria o de que um ano em que o IPCA se encaminha para ficar bem abaixo da meta, como 2019, acomodaria melhor um aumento como o dos jogos lotéricos – mas o economista considera o caso para não reajustar mais forte.

Agora, para ele, o risco para o seu prognóstico de IPCA de 3,45% vem da alta do barril de petróleo,  que não está sendo compensada por valorização do real. Mas como, na sua visão, a Petrobras pode estar mirando market-share em mercados de combustíveis e sendo mais contida em reajustes de preços,  há algum espaço para absorver aumentos do barril. Pelo lado dos fatores mais constitutivos do processo inflacionário, ligados à demanda, o consultor Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, argumenta em relatório que há razões para acreditar que o “orçamento” total de cortes da Selic neste novo ciclo deve ser maior do que a previsão de queda de 1 ponto porcentual (para 5,5%) derivada das projeções do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho. Ele nota que as projeções do Banco Central serão atualizadas e provavelmente indicarão um cenário inflacionário ainda mais benigno.

Adicionalmente, a ociosidade na economia pode até ter elevado um pouco no primeiro semestre (apesar da queda do desemprego), o que está ligado tanto ao investimento quanto à desaceleração internacional. Para Schwartsman, se o Copom estiver convencido de que o “orçamento” será superior a 1 ponto porcentual de corte da Selic, com o ciclo de cortes prosseguindo em 2020, provavelmente optará por uma redução de 0,5 pp nesta quarta-feira. Se ainda tiver dúvidas, será mais cuidadoso (provavelmente optará por 0,25 pp). De qualquer forma, fatores de oferta e demanda parecem se combinar numa conjunção propícia para um afrouxamento mais contundente da política monetária. (Fernando Dantas, Estadão)

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