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Superdelegado Alexandre de Moraes ordena a Facebook e Twitter a suspensão de contas de Roberto Jefferson e apoiadores de Bolsonaro

O Twitter e o Facebook suspenderam contas de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro nesta sexta-feira (24), após receberem ordem do ministro Alexandre de Moraes, superdelegado do Supremo Tribunal Federal. Entre os perfis bloqueados estão o do presidente do PTB, Roberto Jefferson, denunciante do Mensalão da organização criminosa do PT, do blogueiro Allan Santos, dos empresários Luciano Hang, Edgard Corona, Otávio Fakhoury, Bernardo Küster e Sara Winter. Já no Facebook, a página de Hang, Satons e Sara também estão fora do ar. As empresas não detalham quantas contas foram suspensas.

Os nomes atingidos nesta sexta-feira foram alvos de busca e apreensão em maio, em um desdobramento do ilegal e inconstitucional inquérito das fake news. Na época, o superdelegado Alexandre de Moraes havia determinado o bloqueio das redes sociais para 16 investigados no inquérito aberto pela própria Corte para “apuração de disseminação de informações falsas e ameaças contra ministros”. Em nota, o Twitter afirma que agiu “estritamente em cumprimento a uma ordem legal proveniente de inquérito do Supremo Tribunal Federal”. O Facebook declarou apenas que “respeita o Judiciário e cumpre ordens legais válidas”. Ainda no mês de maio, após ser alvo do inquérito, o deputado Roberto Jefferson disse que a busca e apreensão em sua casa tratou-se de uma “ação mandatória” de Moraes.

Segundo as investigações, o blogueiro Allan dos Santos foi identificado pela Polícia Federal como um dos “influenciadores” do esquema de divulgação de “ofensas e fake news” contra o Supremo. O inquérito aponta ainda que foi detectada a existência de um “mecanismo coordenado de criação e divulgação” das mensagens contra ministros. Os perfis de influenciadores utilizavam seus seguidores para criar hashtags atacando o Supremo, para só então reproduzi-las em suas contas. Dessa forma, ficariam seguros de que não foram eles os responsáveis pela criação das hashtags. A Polícia Federeal identificou indícios que as publicações sejam disseminadas por meio de robôs com o objetivo de atingir número expressivo de leitores – o mecanismo seria financiado por empresários “de maneira velada”. Uma busca no Twitter entre 7 e 11 de novembro do ano passado identificou publicações que utilizavam termos de ataques contra a Corte, como #STFVergonhaNacional e #STFescritóriodocrime, além dos nomes dos ministros e palavras-chaves como Impeachment e Supremo.

Em comum, ao menos onze perfis “influenciadores” que se seguem foram identificados, incluindo Allan dos Santos. Um dos exemplos citados pela PF ocorreu no dia 07 de novembro, quando os “influenciadores” iniciaram ataques dizendo que o Supremo é “uma vergonha”, clamando por impeachment contra os ministros, mas sem utilizar a hashtag #ImpeachmentGilmarMendes. A hashtag foi criada por seguidores dessas contas, que passaram a responder os perfis “influenciadores” utilizando o termo. Somente no dia 11 de novembro que dez dos onze perfis investigados passaram a utilizar a tag para impulsionar o ataque, de forma a alcançar o “trend topics” (assuntos mais comentados) do Twitter. “Assim, os perfis influenciadores não apareciam como criadores da hashtag que simboliza o ataque”, aponta a Polícia Federal. Ora, isso é tudo um conto da carochinha, o caso típico do assassinato sem corpo do assassinado.

O dono da rede de lojas de departamento Havan, Luciano Hang, é suspeito de participar do núcleo financeiro responsável pelo impulsionamento de vídeos e materiais “contendo ofensas e notícias falsas com o objetivo de desestabilizar as instituições democráticas e a independência dos poderes”. Empresários do grupo autodenominado “Brasil 200 Empresarial” são suspeitos de pagar pela divulgação dos conteúdos nas redes sociais. O empresário Otávio Fakhoury afirma que foi surpreendido com a suspensão de suas contas em redes sociais. De acordo com o advogado João Manssur, que representa Fakhoury, a medida é desproporcional e contrária ao princípio da liberdade de expressão. O advogado afirma que já havia impetrado habeas corpus contra a decisão do superdelegado Alexandre de Moraes, relator do inquérito. O Procurador Geral da República, Augusto Aras, opinou pela concessão da ordem pleiteada para que sejam desbloqueado os perfis de Fakhoury das redes sociais. Porém, os perfis do empresário foram bloqueados nesta sexta-feira.

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