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Sudeste brasileiro tem quase 70% das startups agro do País

Os quatro Estados da Região Sudeste concentram 66% das startups dedicadas ao agronegócio (agtechs)do Brasil, com 739 empresas. Ao todo, o País possui 1.125 empresas de tecnologia no setor. Os dados fazem parte do estudo Radar AgTech, divulgado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com o fundo SP Ventures e a consultoria Homo Ludens.

Segundo o levantamento, a Região Sudeste é seguida pela Região Sul, com 257 startups do agro. O Centro-Oeste tem 71 empresas, enquanto o Nordeste tem 41 e a Região Norte, apenas 16. Para chegar ao número, o Radar Agtech fez buscas em sites, consultou bases de dados de investidores, investigou a relação de startups inscritas em programas de aceleração e monitorou editais e eventos do setor.

Especialistas disseram que a concentração nas Regiões Sul e Sudeste – que abrigam quase 90% das agtechs do Brasil – ocorre pela presença de empreendedores qualificados, grande mercado consumidor, investidores e pela força do agronegócio nessas áreas. Juntas, as duas regiões têm 107 milhões de habitantes e concentram seis dos dez Estados mais ricos do País.

“Nessas regiões há parques tecnológicos e pólos de inovação, assim como universidades e institutos de pesquisa em quantidade”, disse Cleidson Dias, da Secretaria de Inovação da Embrapa e responsável pelo levantamento. Para Francisco Jardim, do fundo estadual SP Ventures, especializado em agtechs, existe uma descentralização maior no setor do que em outras áreas de atuação das startups dentro do Estado de São Paulo, porque há uma forte presença de agtechs em cidades do interior, como Piracicaba, Ribeirão Preto e Campinas.

Juntos, os três municípios são berço de 116 empresas de base tecnológica focadas no agronegócio. Os dados do Radar AgTech levam em consideração apenas a cidade de origem das startups. Piracicaba é a “capital das agtechs”, reunindo cerca de 120 empresas do tipo. Para Jardim, do SP Ventures, o desenvolvimento do ecossistema de startups do setor enfrenta desafios como estrutura tributária complexa, falta de mão de obra qualificada e escassez de capital.

Outro fator que afeta as empresas é falta de conectividade no campo. Apesar disso, ele diz que o Brasil está na vanguarda de uma grande transformação tecnológica pela qual passa o agronegócio. Para o pesquisador Guilherme Raucci, da FGV-SP, é preciso modernizar o financiamento para agtechs e melhorar a formação profissional. “As pessoas não saem da faculdade preparadas para um mercado que exige aprendizado constante”, diz.

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