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Setor de mineração deve ser o primeiro a responder pela recuperação econômica do Brasil

Mesmo em alerta sobre a possibilidade de impactos em atividades com o avanço do coronavírus no Brasil, o setor mineral acredita que será o primeiro a responder pela recuperação econômica no País, por contar com ampla capacidade instalada de minério de ferro e uma já crescente demanda chinesa por seus produtos. O segmento, que vem conseguindo evitar abalos da pandemia na produção e exportação, prevê ainda a ampliação futura das atividades, com o retorno de minas paralisadas e a entrada de novos projetos, afirmou o diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Flávio Penido.

A expectativa é atingir capacidade de produção anual de cerca de 450 milhões de toneladas de minério de ferro nos próximos anos, ante as atuais 410 milhões de toneladas, segundo cálculos do Ibram, que tem 130 associados, dentre eles Vale, Anglo American, CSN e Gerdau. “O setor de mineração é o que certamente será o primeiro a responder pela recuperação da economia brasileira por conta da capacidade instalada e capacidade de recuperação de curto prazo”, afirmou Penido, destacando a recuperação econômica já observada na China: “A China está com baixos estoques de aço, baixos estoques de minério brasileiro de alto teor. E está retomando a economia e o reflexo está nos preços”.

Os contratos futuros do minério de ferro na bolsa de Dalian fecharam em alta de 3,6% nesta terça-feira, a 711 iuanes (100,07 dólares) por tonelada, acumulando ganhos de 13% em um rali de cinco dias, sustentado por uma perspectiva positiva para a demanda doméstica chinesa, em meio a esperanças de mais estímulos econômicos. O diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale, Luciano Siani, afirmou que as atividades industrias na China já estão praticamente de volta a seus níveis normais e que sua economia apresenta uma recuperação “muito vigorosa”. Nesse cenário, a Vale trabalha para retomar a produção de minas que foram paralisadas após o rompimento de uma de suas barragens em Brumadinho (MG), no início de 2019, que levou a uma revisão profunda da segurança de estruturas.

A parada dessas atividades, ressaltou o presidente do Ibram, fez com que o minério de ferro brasileiro perdesse participação no mercado internacional. No entanto, algumas atividades já foram retomadas e o restante deve voltar a operar aos poucos, afirmou. Também está previsto que as atividades da Samarco sejam retomadas entre o fim do ano e o início de 2021, disse ele. Joint venture da Vale com o grupo BHP, a Samarco paralisou suas atividades em novembro de 2015, também com o rompimento mortal de uma de suas barragens de rejeitos, mas já está trabalhando para voltar. “O minério brasileiro tem oferta ampla na China, então a tendência é que o Brasil recupere seu espaço e aumente e recupere a oferta que tinha anteriormente”, disse Penido.

Apesar das boas perspectivas, o presidente do Ibram admite a possibilidade de impactos futuros na produção do Brasil, caso o avanço do coronavírus não seja controlado de maneira adequada pela administração pública. “As mineradoras estão trabalhando com todos os cuidados, todos os procedimentos, todos os protocolos, os mais rígidos possíveis. Agora a mineradora não pode responder pelo ambiente das comunidades”, ponderou. Nos últimos dias, os preços do minério de ferro na China foram impulsionados, entre outros fatores, por temores de impactos da pandemia nas atividades minerárias, em localidades como o Pará e até mesmo em portos. Mas Penido afirmou que as operações de mineração e portos estão normais, no que tange a entrega da produção demandada.

Segundo ele, o que está havendo é uma redução de atividades dentro da mineração, em decorrência das medidas de prevenção ao vírus, como para evitar aglomerações ou atividades não fundamentais. Mas isso sem prejudicar a produção. Dentre as medidas empregadas, as mineradoras têm aumentado o número de ônibus, mantido refeitórios em horários escalonados, buscado maior circulação de ar em ambientes da empresa, além de se beneficiar das próprias características do setor no Brasil, que já conta com equipamentos autônomos e individuais. (Money Times)

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