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Procurador pede ao Conselhão do Ministério Público que determine apreensão do livro de Janot

O subprocurador-geral Moacir Guimarães Morais Filho pediu ao Conselho Nacional do Ministério Público que determine a apreensão do livro “Nada menos que tudo”, em que o ex-procurador-geral Rodrigo Janot relata que chegou a planejar o assassinato a tiros do ministro Gilmar Mendes.

O CNMP tem como função fiscalizar a conduta administrativa financeira e disciplinar do Ministério Público e, entre suas atribuições, não está a busca e apreensão em locais de comércio. Ele quer também que o colegiado – responsável por fiscalizar o Ministério Público – determine a retirada dos exemplares das bancas. Caso ainda não esteja à venda, Guimarães pede que as páginas sobre Gilmar Mendes sejam retiradas da obra.

“O certo é que, a prova da confissão da suposta conduta delituosa está a suscitar comentários na sociedade e nas instituições, razão pela qual o suplicante considera nociva à divulgação do livro sem que sejam excluídos dele os capítulos relativos ao fato confessado pelo autor da obra”, afirma, em ofício ao conselheiro Otávio Luiz Rodrigues. Segundo Morais Filho, do “ponto da dogmática penal, a conduta pode suscitar questionamentos sobre a exclusão de culpabilidade sobre a exclusão de culpabilidade ou punibilidade, uma vez que o agente relata, ora por motivos alheios, ora por um suposto arrependimento eficaz a consumação de delito de homicídio”.

Esta não é a primeira investida de Morais Filho contra Janot no colegiado. O subprocurador-geral pediu na sexta-feira (27) que o Conselho Nacional do Ministério Público analise a conduta do ex-procurador-geral Rodrigo Janot depois das polêmicas declarações em que ele afirma ter planejado assassinar a tiros o ministro Gilmar Mendes. Como Rodrigo Janot está aposentado, o subprocurador pede que seja analisada a cassação de seus vencimentos.

O Editor de Videversus, jornalista Vitor Vieira, leu na integra o livro de memórias de Rodrigo Janot sobre seu período na Procuradoria Geral da República. O que mais se sobressai é a tentativa de Janot de se apropriar integralmente da autoria da Operação Lava Jato, como se os grandes feitos tivessem sido realizados diretamente por ele e por sua equipe de assessoria de gabinete. Rigorosamente, não há uma única revelação importante, a não ser aquela em que narra as pressões que sofreu de parte de Michel Temer, Eduardo Alves e o petista José Eduardo Cardozo para que não levasse adiante a investigação sobre Eduardo Cunha. Além disso, deixa claro a todos os ministros do Supremo Tribunal Federal que tem conhecimentos detalhados dos descaminhos de Brasília.

Janot chega a relatar, muito en passant, o dia em que foi convidado a ir à casa de um ministro da Suprema Corte, e este implorou chorando para saber se estava sendo investigado. Ele não diz qual é o ministro, mas dá para se supor claramente de que se trata, ao informar que o ministro chorou copiosamente ao ouvir que não era investigado.

A tal referência ao seu desejo de dar um tiro no ministro Gilmar Mendes, que causa tanta celeuma, é absolutamente sem importância e relegada ao fim do livro. Ele nem fala no nome de Gilmar Mendes. O que fica claro no livro é que Rodrigo Janot gosta muito de vinhos, tem consciência de que pagou um preço alto por sua atuação como procurador geral, inclusive com um incrível aumento de peso de 30 quilos, perdeu a família e está sozinho.

Ele narra inclusive o período de profundo recolhimento que se auto-impôs ao sair da PGR, em Bogotá, na Colômbia. Fica claro que ele procurou exaltar o seu trabalho e o de alguns assessores, e isto leva à sugestão de que talvez pretenda alçar algum vôo político. Aliás, sobre os políticos, ele tem uma impressão que raia o desprezo, sentimento aliás que seria muito natural em se tratando dos políticos como eles são. A íntegra do livro de Janot está circulando livremente nas redes sociais e você lê-lo clicando no link a seguir   integrhttps://drive.google.com/file/d/1Q8aKMUzuwfg2mNJbEa1FXWRirKex7zWL/view?usp=sharing

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