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Primeiro-ministro do Canadá diz ter prova de que míssil disparado pela Guarda Revolucionária do Irã derrubou Boeing 737 da Ukrainian Airlines

O primeiro ministro canadense Justin Trudeau disse nesta quinta-feira (9) que múltiplas fontes de inteligência apontam que o avião ucraniano que caiu em Teerã na quarta-feira, um Boeing 737 da Ukranyan Airlines, foi derrubado por um míssil iraniano. Trudeau afirmou que a derrubada pode ter sido acidental, mas apontou que a investigação do caso precisa ser completa. “Temos inteligência de várias fontes, incluindo nossos aliados e nossa própria inteligência.

As evidências indicam que o avião foi abatido por um míssil terra-ar iraniano. Pode ter sido não intencional”, disse. Esse míssil, com certeza, é soviético, do mesmo tipo que derrubou um Boeing da Malaysia Airlines em 2014, na Ucrânia. Ainda durante a fala de Trudeau, o jornal americano “The New York Times” divulgou um vídeo que aparenta mostrar o momento em que o avião é atingido por um míssil. Trudeau ainda disse que está em diálogo com a chancelaria iraniana – 63 passageiros que estavam no avião eram canadenses, e 138 deles tinham o Canadá como destino final. Teerã estaria mostrando abertura para permitir que agentes consulares canadenses fossem ao Irã para ajudar as famílias das vítimas.

Segundo o líder canadense, ainda é cedo para ficar atribuindo culpa pelo desastre ou tirando conclusões. Logo após a fala de Trudeau, o premiê britânico Boris Johnson corroborou a fala de seu colega do Canadá: “Existe agora um conjunto de informações de que o vôo foi abatido por um míssil terra-ar iraniano. Pode ter sido não intencional”, declarou. Mais cedo, a imprensa americana divulgou que autoridades de Washington compartilham da visão de que a aeronave ucraniana foi atingida por um míssil.

O Irã negou essa possibilidade, é claro. Um Estado terrorista não admite nunca seus crimes. Em declaração na Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi questionado sobre o que achava que tinha acontecido com o avião. Ele respondeu que “alguém pode ter cometido um erro do outro lado”. “Não quero dizer isso porque outras pessoas têm suspeitas”, disse Trump, mas acrescentou: “Alguém pode ter cometido um erro do outro lado… não o nosso sistema. Não tem nada a ver conosco”, afirmou.

O presidente americano disse, ainda, que tem um “pressentimento terrível” sobre a queda do avião. Fontes do governo americano estão “confiantes” de que o avião foi derrubado por um míssil do Irã, de acordo com “dados de satélite”. Ainda segundo a agência, as fontes, que não foram identificadas, dizem que a aeronave “muito provavelmente” foi derrubada acidentalmente pela defesa aérea iraniana. Mais cedo, a revista americana “Newsweek” também havia informado sobre a possibilidade de o avião ter sido derrubado de forma “acidental” pela defesa antiaérea iraniana, segundo declarações feitas à revista por oficiais do Pentágono e da inteligência dos Estados Unidos e do Iraque, que também não quiseram se identificar.

Para fontes de segurança europeias, os relatos de que o avião foi derrubado são “críveis”. Havia passageiros de sete nacionalidades diferentes na aeronave: Irã, Canadá, Ucrânia, Afeganistão, Suécia, Reino Unido e Alemanha. O porta-voz do ministério de Relações Exteriores do Irã, Abbas Mousavi, disse que o país pede ao Canadá ou a qualquer outro país que tenha informações sobre a queda do avião as compartilhe com Teerã.

O governo também disse que “pede de forma insistente” à Boeing, empresa fabricante do avião, que envie um representante para participar da investigação da queda. O chefe de aviação do Irã, Ali Abedzadeh, declarou em resposta às hipóteses americanas que “cientificamente, é impossível que um míssil tenha atingido o avião ucraniano, e esses rumores não têm lógica”, segundo a agência estatal iraniana Isna. “Se um foguete ou um míssil atinge um avião, ele cai em queda livre”, afirmou Abedzadeh à CNN.

Ele disse, ainda, que depois de decolar o avião continuou voando por cinco minutos, e que “o piloto tentou voltar ao aeroporto mas não conseguiu”. Um relatório inicial da autoridade iraniana de aviação civil divulgado mais cedo nesta quinta-feira (9) informou que o avião pegou fogo antes de cair. De acordo com o jornal americano “The New York Times”, os iranianos convidaram o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos a ajudar na investigação. O convite foi feito por meio da Organização Internacional de Aviação Civil (Icao). A solicitação foi feita apesar de relatos anteriores de que os americanos não estariam envolvidos nas apurações.

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