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Prefeito de São Paulo anuncia que vai despejar as famílias da região da Cracolândia

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, confirmou hoje (30) que devem ser despejadas as famílias de duas quadras da região da Cracolândia, no bairro da Luz, no centro da cidade. “A reintegração das quadras 37 e 38 estão previstas já há algum tempo, não é nenhuma novidade. Aqueles que acompanham as ações da prefeitura sabem que isso já estava previsto, já tinha sido solicitado ao Judiciário há algum tempo, fazem parte de um programa de requalificação daquela região, de ações para tentar diminuir o fluxo que está lá presente”, disse ele hoje (30). É uma medida eleitoreira, ele quer aparecer, em final de gestão, para o eleitorado como alguém preocupado com a lei e a ordem.

Bruno Covas disse que uma das preocupações é com a aglomeração que acontece na região: “Uma preocupação extra no momento em que se deve evitar aglomerações. Então, é um trabalho contínuo que a prefeitura desenvolve naquele espaço, que não vem de agora e que continua mesmo durante a pandemia”. Ele já deveria ter tomado decisões como essa desde o primeiro dia do seu governo. O Ministério Público de São Paulo já fez uma recomendação para que a prefeitura não faça despejos de pessoas em situação vulnerável durante a pandemia e enviou um outro ofício para que as pessoas pudessem permanecer nos imóveis das quadras na Cracolândia.

A ação prevê a retirada de ao menos 190 famílias que vivem em pensões, hotéis e cortiços na área para que os imóveis sejam demolidos. O plano prevê que os terrenos sejam usados para a construção de unidades habitacionais. Na recomendação enviada na semana passada pelos promotores da área de habitação, Marcus Vinicius Monteiro e Roberto Pimentel, é solicitado que o Executivo municipal suspenda os despejos “enquanto perdurarem as regras de isolamento social determinadas pelos órgãos públicos de saúde”. Os promotores afirmam que despejar essas pessoas dos locais ocupados pode aumentar a vulnerabilidade dessas famílias, além de contribuir para a disseminação da covid-19 na cidade.

“Medidas administrativas ou judiciais que, nesse momento, implicam em colocar nas ruas da cidade milhares de pessoas vulneráveis contrariam todas as determinações sensatas emanadas pelas agências de saúde. As ruas constituem um ambiente precário. Nelas, as pessoas não têm condições de protegerem a si mesmos nem a comunidade”, enfatiza a recomendação. (Money Times)

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