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Polícia gaúcha prende vereador André Carus, presidente do MDB em Porto Alegre, por extorsão de funcionários

O presidente do MDB de Porto Alegre e vereador André Carús foi preso no começo da manhã desta terça-feira (1º) em uma operação da Polícia Civil. A Operação Argentários foi deflagrada para combater crimes contra administração pública e associação criminosa no âmbito da Câmara Municipal da capital gaúcha. A Polícia Civil ainda está cumprindo 13 ordens judiciais em Porto Alegre. Alguns mandados foram cumpridos na casa do vereador e na Câmara Municipal da Capital. Conforme o pedido enviado pela Polícia Civil ao Poder Judiciário, André Carús faz parte de um esquema de empréstimos consignados pedidos sob coação por servidores públicos municipais lotados no gabinete dele. Mas, há também informações de que o vereador André Carus forçava funcionários estatutários da Câmara Municipal a também tomarem esses empréstimos na cooperativa de crédito Munir, que atende aos servidores do parlamento.

Também há acusação da famosa “rachadinha”, em que ele tomaria até metade do salário de cada funcionário de seu gabinete. A informação é de que pelo menos uma servidora do gabinete fez a denúncia aos órgãos públicos de investigação. O vereador de Porto Alegre André Carús foi eleito presidente do MDB em Porto Alegre em eleição realizada, recentemente, no dia 24 de agosto. A data é simbólica, marca o dia da morte de Getúlio Vargas. Sua escolha para a direção partidária mostra o quanto as lideranças do partido no Rio Grande do Sul são, no mínimo, descuidadas.

Qualquer um sabia que André Carus era objeto de investigações sobre fatos graves desde quando presidia o DMLU (Departamento Municipal de Limpeza Urbana) no governo de José Fortunati. Aliás, Fortunati recebeu o aviso explícito de que não deveria convidar o MDB para assumir a chefia do órgão, mas desdenhou da recomendação. André Carus, logo após a sua eleição para vereador, e uma vez reempossado no DMLU, sofreu ação do Ministério Público e da Polícia Civil, que promoveram operação de buscas e apreensões na sede do órgão e na casa do político.

Dois pesados inquéritos contra ele tramitam no Ministério Público gaúcho e no Tribunal de Contas, sem que nunca cheguem à apresentação judicial de denúncias. Pior o que isso, os inquéritos são classificados como “sigilosos”.

Antes de chegar ao comando do partido em Porto Alegre, André Carus ocupou cargos de destaque na juventude e no diretório estadual da sigla. Foi também chefe de gabinete da secretaria do Meio Ambiente da prefeitura de Porto Alegre, quando a mesma era dirigida pelo ex-deputado Luiz Fernando Salvadori Zachia, que foi preso e recolhido ao Presídio Central.

Filiado ao MDB desde 1998, quando tinha 16 anos, André Carus é filho de Eroni Carús, vereador de Alegrete nas décadas de 1980 e 1990, um dos fundadores do partido. Eroni foi figura emblemática do MDB gaúcho, fez carreira na Assembléia Legislativa e se notabilizou por apresentar os comícios do partido, devido a seu vozeirão.

Após ocupar cargos no comando da Juventude do MDB (à época chamado PMDB), entre 2005 e 2007, André Carús foi 2° tesoureiro do diretório estadual do partido e secretário-geral e 2º vice-presidente do PMDB de Porto Alegre. Como assessor parlamentar, Carús trabalhou nas equipes do gabinete do senador Pedro Simon, do governador e então deputado estadual José Ivo Sartori e da deputada estadual Maria Helena Sartori.

Aliás, sua atual mulher, Ema (Emanuele Emilia Basso Carus), também trabalhou no gabinete da então deputada estadual Maria Helena Sartori. Atualmente ela é empregada no gabinete do deputado federal gaúcho Marcio Biolchi, do MDB gaúcho. O político é vereador da capital gaúcha em primeiro mandato — foi eleito no pleito de 2016, com cerca de 6,8 mil votos. Nas duas legislaturas anteriores (2009–12 e 2013–16) ele não conseguiu se eleger, mas ocupou a suplência na Casa.

De 2013 a 2016, Carús foi diretor-geral do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) durante a gestão de José Fortunati. Ele deixou o comando da pasta após o departamento e a sua residência serem alvo de mandados de busca e apreensão por parte do Ministério Público, em 2016. O Ministério Público investigava denúncias de irregularidades em contratos firmados entre o órgão e empresas terceirizadas. Agora, até a cooperativa dos funcionários da Câmara Municipal está tendo seus arquivos vasculhados.

Depois da prisão do vereador André Carús (MDB), na manhã desta terça-feira (1º), a presidente da Câmara de Porto Alegre, Mônica Leal (PP), convocou uma reunião de urgência para discutir as medidas necessárias sobre o caso de extorsão de assessores de André Carus e de outros funcionários do órgão. Monica Leal informou que, pelo fato de a polícia já ter instaurado inquérito, o Legislativo depende de um eventual pedido de cassação para abrir sindicância: “É muito grave. Eu tenho 20 anos de Câmara de Porto Alegre e nunca vi nada igual. É um mega esquema criminoso o fato do vereador só contratar um servidor desde que ele tire um empréstimo e passe para o político, ficando o pagamento com o assessor”.

A presidente esteve reunida pela manhã com os delegados de polícia responsáveis pela investigação contra Carús — que estiveram no Legislativo municipal para acompanhar cumprimento de mandado de busca no gabinete do vereador. Em seguida, por volta de 9h30min, ela convocou reunião com a procuradoria da Casa e diretores legislativo e administrativo. Monica Leal vai depor nesta quarta-feira (2), às 11 horas, no Departamento de Investigações Criminais (Deic), como testemunha: “Eu fui convidada a falar sobre estes fatos e sobre os últimos acontecimentos na Câmara, como bilhetes embaixo das portas de alguns vereadores, do Setor de Comunicação, e ainda algumas ameaças que estariam ocorrendo”.

O MDB afastou André Carus da presidência do partido em Porto Alegre na manhã desta terça-feira tão logo circulou a notícia sobre a prisão do vereador. Mas não toma medida similar quanto ao presidente estadual do partido, o deputado federal Alceu Moreira, reeleito para o cargo, apesar de o mesmo ser um notório ficha suja, com certidão do fato inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Condenadas por Atos de Improbidade e Inelegibilidades, do Conselho Nacional de Justiça, fato que é de inteiro conhecimento de todas as lideranças do partido e absolutamente público, porque Videversus sempre está divulgando a certidão.

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