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Polícia Federal prende o doleiro dos doleiros, Dario Messer, em apartamento da amante em São Paulo

Dario Messer, o “doleiro dos doleiros”, foi preso nesta quarta-feira, 31, em uma ação coordenada pela inteligência da Polícia Federal e a Procuradoria da República, em São Paulo. Ele é alvo da Operação Câmbio, Desligo, braço da Lava Jato no Rio de Janeiro. Segundo fontes ligadas às investigações, Messer foi encontrado em um flat, às 16h40, na capital paulista, que foi alvo de buscas e apreensões. Ele estava foragido.

O “doleiro dos doleiros” mudou sua aparência. Quando flagrado pelos agentes, em um apartamento da Rua Pamplona, nº 1802, ele tinha cabelos ruivos. Exibiu aos agentes uma identidade falsa, com o nome de Marcelo de Freitas Batalha. O mandado de busca e apreensão tinha como alvo Myra de Oliveira Athayde, que aluga o apartamento.

A Câmbio, Desligo foi deflagrada em 3 de maio de 2018 contra um “grandioso esquema” de movimentação de recursos ilícitos no Brasil e no Exterior por meio de operações dólar-cabo, entregas de dinheiro em espécie, pagamentos de boletos e compra e venda de cheques de comércio. A delação dos doleiros Vinícius Vieira Barreto Claret, o Juca Bala, e Cláudio Fernando Barbosa, o Tony, resultou na operação.

A ação tinha como principal alvo Dario Messer, apontado como controlador de um banco em Antígua e Barbuda com 429 clientes, até meados de 2013. Ele era citado pelas delações de Juca e Tony. “Dario Messer é foragido da justiça há anos, operações passadas não conseguiram capturará-lo, diante do seu poder econômico e sua influência no submundo do crime.

Mas, nesta quarta-feira, a Força Tarefa do Rio De Janeiro, que congrega o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Receita Federal, e em cooperação com outros países, conseguiu prender o mais importante doleiro do Brasil. Ainda em julho, a Polícia Federal prendeu um dos principais homens de confiança de Messer, Mario Libmann. Ele e seu filho, Rafael, são suspeitos de lavagem de dinheiro, em benefício de Messer.

Somente Rafael tem 18 apartamentos de luxo, segundo o Ministério Público Federal. A Procuradoria da República no Rio de Janeiro “assinala que foram adquiridos imóveis no Rio de Janeiro e em São Paulo por Rafael Libman e Denise Messer, com pagamento em espécie diretamente das contas de Dario Messer”. Na decisão que decretou a prisão do operador, o juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, anotou que, “segundo apurado pelo Ministério Público Federal, Rafael Libman conta atualmente com dezoito apartamentos em áreas nobres do Rio de Janeiro e São Paulo, além da fração ideal de dois terrenos para construção”.

“Ao que parece, Rafael investiu na aquisição de bens imóveis com montante repassado por Dario Messer, configurando prática comum no delito de lavagem de capital”, disse Bretas. Os procuradores do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro afirmaram, no dia 9, que a multa de cerca de R$ 270 milhões aplicada ao empresário Dan Wolf Messer, réu por evasão de divisas, é a maior da Operação Lava Jato a pessoas físicas.

Desse total, R$ 240 milhões já estão com a Justiça e serão ressarcidos aos cofres públicos. Filho de Dario Messer, Dan foi um dos quatro familiares do “doleiro dos doleiros” a fazer delação premiada. A soma das multas chegará a cerca de R$ 370 milhões. À época da deflagração da Câmbio, Desligo, a Polícia Federal expandiu as investigações para a atuação de muitos outros doleiros.

A Procuradoria aponta como um “grandioso esquema” de movimentação de recursos ilícitos no Brasil e no Exterior por meio de operações dólar-cabo, entregas de dinheiro em espécie, pagamentos de boletos e compra e venda de cheques de comércio. Em junho de 2018, Messer foi denunciado e apontado como líder da organização criminosa, em uma peça que elenca 62 acusados.

“O denunciado Dario Messer era líder da organização criminosa. Ele criou uma rede de lavagem de dinheiro, essencial para a prática de crimes como corrupção, sonegação tributária e evasão de divisas. Era sócio capitalista do “negócio”, no qual angariava 60% dos lucros, e ainda financiava o sistema, aportando nele recursos próprios”, afirma o Ministério Público Federal.

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