Todos

Polícia Federal prende em São Paulo um dos principais traficantes do mundo, Nicola Assisi, líder da máfia italiana Ndrangheta

A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta segunda-feira, 8, dois mandados de prisão para fins de extradição, de cidadãos italianos suspeitos de trabalhar para o braço da máfia italiana na América do Sul, conhecido como “Ndrangheta”.Segundo a Polícia Federal, “o grupo mafioso, baseado na região da Calábria, no sul de Itália, controlaria 40 por cento dos envios globais de cocaína, sendo o principal esquema criminoso importador para a Europa”. “Um dos presos já tem condenação por tráfico e associação para tráfico de drogas na Itália (com pena fixada em 14 anos de prisão)”. Um dos presos é Nicola Assisi. O outro é seu filho. A Ndrangheta é dona do porto de Gioia Tauro, na Calábria, um porto especializado em conteineres, por onde entra parte da droga importada pela máfia calabresa.
A doleira brasileira Maria de Fátima Stocker era a operadora na ponta européia do financiamento dessas operações de tráfico da Ndranghetta. Ela operava no dólar cabo, tendo na outra ponta, no Brasil, os doleiros que operaram no Petrolão do PT, esquema de corrupção desvelado pela Operação Lava Jato. Maria de Fátima foi presa na Operação Buon Gustaio, deflagrada pelas forças de segurança italianas, em sociedade com a Polícia Federal brasileira, que desenvolveu no País a Operação Monte Polino. A principal porta de saída da cocaína do Brasil é o porto de Santos. 
Nicola Assisi é considerado um dos maiores traficantes de drogas do mundo. Em 2016, o jornal Corriere Della Calabria publicou reportagem em que classificava como “o fantasma da Calábria que enche a Itália de cocaína”. Em entrevista coletiva à imprensa, o superintendente da Polícia Federal no Paraná, Luciano Flores, irmão do juiz federal de Santa Maria que emitiu sentenças no caso da Operação Rodin, afirmou que ele é ‘um dos principais elos da máfia italiana Ndrangheta, e estava no Brasil há bastante tempo, ha duas décadas foragido. “Procurado pela Interpol, já residiu em outros países, como em Portugal, onde chegou a ser preso e fugiu. Passaportes falsos e e documentos falsos foram apreendidos na residência onde morava no litoral de São Paulo. Foram apreendidos moedas estrangeiras como dólar, euro e uma quantidade significativa em reais. Foram apreendidas três armas de fogo, identificadas paredes falsas nos apartamentos, mais de que ele fazia uso em uma cobertura de luxo no litoral de São Paulo. Tudo preparado para esconder drogas, armas, muito dinheiro para que ele pudesse fugir em eventual abordagem policial”, afirma. Em razão dos aparatos de contrainteligência do italiano, Luciano Flores diz que foi necessária uma ‘operação bastante complexa’ para efetuar a prisão de Assisi e seu filho. “O outro, filho do primeiro criminoso, ocupava ao menos três apartamentos na cobertura de prédio de alto padrão, no litoral paulista”, afirma a Polícia Federal.
De acordo com a corporação, “ambos estavam foragidos desde de 2014, havendo notícia de que passaram por Portugal e Argentina, utilizando-se de nomes falsos”. “A cobertura onde foram presos possuía sofisticado sistema de vigilância, com câmera dome 360 na área externa, o que possibilitava identificar todos as pessoas que acessavam o prédio”. Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, a pedido da Representação da Polícia Federal junto à Interpol, em cooperação à Polícia Italiana”, afirma a Polícia Federal. 
Compartilhe nas redes sociais: