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Polícia Federal diz ter encontrado arquivo de “doadores ocultos” em gabinete de líder do governo

A Polícia Federal afirma ter encontrado no gabinete do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), um arquivo denominado “doadores ocultos” em um computador e em um disco de memória. Segundo informações que estão no relatório da Polícia Federal, há também documentos digitais que fazem referência a pagamentos destinados a empresas envolvidas na operação Desintegração, deflagrada na semana passada. Bezerra e seu filho, o deputado federal Fernando Coelho Filho (DEM-PE), foram alguns dos alvos dos mandados de busca e apreensão, autorizados pelo ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal.

Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 52 mandados na quinta-feira (19). Os relatos foram enviados ao STF no final da tarde desta terça-feira (24), como parte da determinação judicial de Barroso, que pediu justificativas de cada item apreendido. A polícia, no entanto, ressalta que não fez ainda a análise das mídias coletadas no gabinete da liderança do governo no Senado, “por não haver disponível ferramenta que garanta a integridade dos dados neles constantes”.

A Policia Federal diz ter encontrado também envelopes com dinheiro em espécie na casa do filho do senador. Os valores, que somavam R$ 55 mil, estavam fracionados para depósitos em caixas eletrônicos. No relatório, a polícia diz que a forma de acondicionamento aponta para “a utilização da técnica de lavagem de dinheiro denominada ‘smurfing’, que é utilizada para, em tese, realizar a dissimulação dos valores depositados”.

Também foram apreendidos cerca de R$ 50 mil em moeda estrangeira. O senador também guardava dinheiro vivo em seus endereços em valores acima de R$ 20 mil. Ainda na casa do filho do líder do governo, a Polícia Federal diz ter encontrado um veículo Chevrolet Spin registrado no nome de uma empresa que tem como sócio Iran Padilha Modesto, apontado como operador do esquema investigado na Desintegração.

“Demonstrando, assim, vinculo com o operador financeiro também investigado nos autos do inquérito que tramita perante a 4ª Vara Federal de Recife, pelo fatos correlatos”, diz a Polícia Federal. Questionado sobre a propriedade do veículo, Coelho Filho informou que ele está registrado no nome da empresa do seu sogro. No gabinete do deputado federal Fernando Coelho Filho, a Polícia Federal encontrou uma folha com anotações à mão de três datas diferentes, sendo que cada uma delas traz um valor: 100.000, 130.000 e 100.000. Também há uma anotação na folha com o número 330.000.

De acordo com as autoridades, o documento indica pagamentos diversos, mas a análise ainda depende de “cotejamento com outro elementos de prova constantes nos autos”. Também foram apreendidas três minutas de promessa de compra e venda de imóveis no nome de Coelho Filho e de sua esposa, o que para a Polícia Federal é um “indicativo” de que os investigados estariam transferindo bens para terceiros. Também foi localizado um envelope com comprovantes de depósito bancário em nome de diversas pessoas.

“Ao analisar, é possível perceber que para cada uma dessas pessoas há várias valores depositados no mesmo dia, o que poderia indicar um fracionamento de modo a tentar enganar os órgãos de controle”, diz a Polícia Federal na análise do material apreendido. “Considerando que a finalidade das diligências ora realizadas é a comprovação da atuação da pessoa ora investigada na mencionada organização criminosa e em qual contexto, a análise conjunta das diligências, das apreensões e da exploração dos dados obtidos permite afirmar que há documentos que trazem consigo indicativos da materialidade dos crimes indicados no bojo do Inquérito, sendo para isso a necessidade de sua devida análise a fim de confirmar a hipótese criminal.”, escreve o delegado da Polícia Federal no relatório de diligências.

A operação da Polícia Federal irritou parlamentares. A Mesa do Senado entrou com um pedido na corte para que a análise dos objetos e documentos recolhidos seja suspensa imediatamente. A ação pode ser apreciada pelo presidente Dias Tofolli ou pode ser levada ao julgamento do plenário. Uma comitiva de senadores liderada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), se queixou nesta terça-feira (24) ao presidente do STF da realização da realização da operação. Alcolumbre estava acompanhado de 15 senadores. Recebidos no salão nobre da corte, eles pediram respeito à institucionalidade.

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