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Paulo Guedes diz que a alta do dólar é uma consequência da queda da taxa de juros, a Selic

A valorização do dólar, que nesta quarta-feira (12) superou R$ 4,35 e voltou a bater recorde, decorre da combinação de juros baixos e contenção do gasto público, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes. Segundo ele, a alta na moeda norte-americana indica que Brasil está entrando em um novo modelo, que estimula a recuperação da indústria, mesmo desagradando a rentistas e a turistas brasileiros no Exterior. “Durante muito tempo tivemos dólar a R$ 1,80 e juros básicos a 14% ao ano. Hoje temos dólar a R$ 4,00 e juros também a 4%”, declarou o ministro, em evento que discutiu a agenda legislativa para 2020.

Na avaliação de Paulo Guedes, os juros mais baixos beneficiam os empreendedores, por meio do barateamento do crédito. Ele também disse que o dólar mais alto ajuda a reverter o processo de desindustrialização do Brasil, cujas fábricas enfrentaram, por muitos anos, a competição desleal com produtos manufaturados de países que manipulam a taxa de câmbio. “O Brasil era o paraíso dos rentistas. O câmbio baixo desindustrializava o Brasil, que estava pendurado num modelo rentista”, disse.

O ministro admitiu que o dólar mais alto desestimula a viagem de brasileiros ao Exterior. Ele aconselhou os turistas que deixem de ir para outros países todos os anos e conheçam mais o Brasil. “Antes, o câmbio estava tão barato que todo mundo estava indo para a Disney, inclusive as classes mais baixas. Vocês podem passear pelo Brasil, conhecer o Brasil. Vai conhecer as Cataratas do Iguaçu, passear no Nordeste, conhecer Cachoeiro de Itaperimirim, onde Roberto Carlos nasceu”, disse Paulo Guedes.

O ministro também recomendou a Chapada Diamantina e a Floresta Amazônica como destinos turísticos para os brasileiros. “Vocês podem continuar indo para a Disney, mas não todos os anos ou várias vezes no mesmo ano, como era quando o câmbio estava a R$ 1,80”, acrescentou. Em relação às reformas em tramitação no Congresso, Paulo Guedes disse que o Brasil terá um “ano belíssimo do ponto de vista político” após a aprovação da reforma da Previdência em 2019. Ele citou como prioridades a reforma tributária, que será acoplada a propostas em tramitação no Congresso, e as três propostas de emenda à Constituição (PEC) que reformulam o pacto federativo.

Dizendo ter boas relações com os relatores das PECs do pacto federativo, o ministro informou ter ficado agradavelmente surpreso com a proposta do senador Márcio Bittar (MDB-AC), relator da PEC principal do pacto, de eliminar os pisos de gastos públicos em saúde e educação. Guedes defendeu ainda a proposta que consta em duas PECs do pacto federativo de reduzir temporariamente os salários dos servidores em 25% em momentos de crise, tanto na União, quando estourar a regra de ouro, como nos Estados e nos municípios com dificuldades financeiras. O ministro considerou o corte temporário de 25% no salário dos servidores como a “versão tupiniquim” do shutdown, bem mais suave que o sistema norte-americano”. “Nos Estados Unidos, o governo pára de pagar tudo em momentos de impasse no Orçamento. Nunca vamos fazer isso aqui. Vamos apenas dar uma travadinha nos aumentos, dar uma descansadinha. Os salários dos servidores subiram 50% acima da inflação nos últimos anos. Eles têm estabilidade e Previdência”, justificou.

Paulo Guedes reiterou que a reforma administrativa, ainda não enviada ao Congresso, pretende reduzir o número de cargos e cortar privilégios, mas apenas para os futuros servidores. “Desenhamos uma reforma administrativa que não atinge direitos adquiridos. Os futuros servidores ficam de cinco a oito anos sendo avaliados e lá na frente conquista a estabilidade em uma carreira típica de Estado, como em qualquer lugar no mundo. Estamos projetando um Estado futuro com meritocracia. Em vez de 300 carreiras, vamos ter de 20 a 30”, explicou.

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