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Os políticos já sabem agora que o Código Penal se aplica a eles também, não só a narcotraficante favelado, por isso rejeitam pacote de Moro

Durante cerca de 20 anos os políticos no Congresso Nacional comeram moscas e foram aprovando descuidadamente leis que endureciam o Código Penal e criavam instrumentos novos, eficazes, no combate ao crime organizado, tais como delação premiada, quebras de sigilos, etc… Parêntesis: nesse intervalo de tempo, eles pensavam que “crime organizado” era somente aquele praticado por traficantes dos morros, das favelas, dos subúrbios longínquos.

Se imaginassem que um dia aqueles instrumentos que eram aplicados contra traficantes poderiam ser aplicados também a eles, muito provavelmente não teriam aprovado leis como a da quebra dos sigilos de comunicações, da delação premiada, e outras.

Quando aprovaram esse conjunto de instrumentos legais, eles deram ainda pouca importância aos resultados da Operação Banestado, que investigou o envio ilegal de 30 bilhões de dólares para contas no Exterior, especialmente em bancos de Nova York. No processo dessa operação atuou um jovem juiz federal chamado Sérgio Moro. E ele condenou um peixe miúdo, que lidava só com grandes tubarões da República, o doleiro Alberto Yousseff.

Para se livrar da cadeia, Yousseff fez uma delação premiada, entregando um meia dúzia de bagres da linhagem dos colarinhos brancos. Conseguiu evitar de ir para a cadeia. Anos mais tarde, quando foi preso novamente, na Operação Lava Jato, operando novamente como doleiro, ele imaginou que seria libertado por força da influência política daqueles com os quais operava. E isso chegou a acontecer. O inefável ministro Gilmar Mendes concedeu um habeas corpus para que ele fosse libertado. Todos em Brasília estavam alertados pelas ameaças que o doleiro lhes enviava do xilindró da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, de que entregaria todo mundo se não saísse dali.

A operação da toga preta para libertar o doleiro criminoso reincidente foi abortada pelo juiz Sérgio Moro. Quando chegou o habeas corpus para Alberto Yousseff, ele prendeu o doleiro para cumprimento da pena lá da Operação Banestado, cassando o acordo da delação premiada, por ter o doleiro voltado a reincidir no mesmo crime, assim contrariando o disposto em sua delação premiada. Foi um desalento só.

O doleiro percebeu que muita coisa havia mudado, e resolveu delatar novamente para escapar mais uma vez da cadeia, e desta vez em condenações muitos piores, incluindo pelo financiamento do tráfico de cocaína para a máfia Ndrangheta, da Calábria, Itália, com os valores obtidos em propinas do Petrolão.

Então a casa caiu. Finalmente as elites douradas do Brasil, compostas por magistrados, procuradores, altos policiais, deputados federais, senadores, governadores, deputados estaduais, prefeitos, empreiteiros de grande, médio e pequenos portes, industriais de todos os tipos (especialmente aqueles do lixo, como o megalixeiro paulista Wilson Quintella Filho, da Estre Ambiental SA), advogados criminalistas, juristas esquerdistas, acadêmicos esquerdopatas de quinta categoria, todos se deram conta de que o Código Penal se aplica também a eles.

E resolveram passar a se opor a toda e qualquer mudança da legislação penal que possa significar endurecimento do combate ao crime organizado de toda espécie. Hoje, essa gente se atira com toda força ao trabalho de desgaste do projeto do ministro Sérgio Moro. Essa gente perdeu completamente qualquer resto existente de decoro nas suas vidas, e não se importa de contrariar com toda força que possa reunir a vontade do povo brasileiro que foi expressa nas urnas por mais de 57 milhões de brasileiros, em uma indesmentível demonstração de majoritária determinação. Isso é o que estamos vendo no Brasil, as elites contra o Código Penal. (Opinião – jornalista Vitor Vieira)

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