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Operação Grand Bazaar investiga fraudes em fundos de pensão

Por determinação do Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal deflagrou hoje (21) a Operação Grand Bazaar, visando desarticular um “esquema criminoso de pagamentos de vantagens indevidas a parlamentar federal por pessoas envolvidas em fraudes a fundos de pensão”. Ao todo, 18 mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em Curitiba (PR), São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Segundo a Polícia Federal, a investigação começou em 2018, após a colaboração premiada “de um importante operador financeiro que atuou em diversas fraudes desvendadas pelas Operações Cui Bono e Patmos”, ambas datadas de 2017.

Em nota, a Polícia Federal informou que as fraudes foram investigadas também por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que funcionou na Câmara dos Deputados em 2015 e 2016. Nos mandados expedidos pelo ministro Celso de Melo, do Supremo Tribunal Federal, que foram cumpridos na manhã desta segunda-feira, consta o nome do deputado Sérgio de Souza (MDB-PR).

A Operação Cui Bono apurou esquemas de corrupção na Caixa Econômica Federal, envolvendo a liberação de mais de R$ 3 bilhões em empréstimos. Entre os denunciados estão o ex-deputado Eduardo Cunha e os ex-ministros Henrique Eduardo Henrique Alves e Geddel Vieira Lima, além do operador Lucio Funaro e o ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Fábio Cleto. Os crimes ocorreram entre 2011 e 2015, período no qual Geddel Vieira Lima foi vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa Econômica Federal. Ex-operador financeiro de Eduardo Cunha, Lucio Funaro delatou o esquema em acordo de colaboração premiada.

Já a Operação Patmos investigou uma suposta tentativa do ex-presidente Michel Temer em comprar o silêncio de Eduardo Cunha, quando já preso pela Polícia Federal, de forma a evitar que ele fizesse uma delação premiada. A denúncia foi feita a partir de um diálogo com Temer, gravado por Joesley Batista – um dos donos da empresa JBS.

A Polícia Federal informou que, no âmbito da Operação Grand Bazaar, foi identificado um “ciclo de lavagem de dinheiro” que envolvia a remessa de recursos desviados dos fundos de pensão para empresas de fachada nos Estados Unidos. “Com a confirmação do recebimento de valores em contas indicadas no Exterior, operadores disponibilizavam recursos em espécie no Brasil, a fim de que fossem entregues em endereços vinculados a supostos intermediários do parlamentar federal, tanto em residências em Brasília, como em hotéis em São Paulo”, diz a nota.

Cerca de 100 policiais federais cumpriram os mandados judiciais nos endereços dos investigados, dentre eles autoridades públicas, beneficiários dos recursos, operadores financeiros, um advogado e empresários que pagaram vantagens indevidas ao parlamentar em troca de proteção na citada CPI.

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