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O fim dos tempos no Rio Grande do Sul, o crepúsculo antecipado do governo do tucano Eduardo Leite

Depois de tomar uma poderosa invertida na sua intenção de vender as ações ordinárias do Banrisul que excedem o controle estatal sobre a instituição bancária, o governador do Rio Grande do Sul, o tucano Eduardo Leite, para não ver a completa paralisia e falência definitiva do poder público gaúcho ocorrendo em suas mãos, anuncia agora sua intenção de abrir o capital da Corsan (Companhia Riograndense de Saneamento).

É um anúncio feito tardiamente. Desde o primeiro dia de seu governo ele deveria ter determinado o início dessa operação, enquanto preparava outras iniciativas. Perdeu tempo precioso. A Corsan é jóia muito menos importante do que o Banrisul.

A Corsan atende mais de dois terços da população gaúcha em produção de água potável, com a universalização de quase 97% dos habitantes do Estado atendidos. Entretanto, quando se trata do tratamento de esgotos, o Rio Grande do Sul ostenta índices africanos, indianos, asiáticos, tremendamente ruins.

Apenas 14% dos domicílios gaúchos estão ligados à rede de tratamento de esgotos. Isso é um desastre absoluto. Para completar o quadro de desgraceira nesta área tão importante da saúde publica, o saneamento básico, os serviços de esgoto e água pertencem aos municípios, conforme disposto pela Constituição brasileira. Ou seja, a Corsan, estatal estadual, não detém as concessões dos serviços que presta. Ela só os executa para contratação com os municípios.

Isso significa dizer que ela tem muito pouco a oferecer para acionistas privados. Portanto, o que Eduardo Leite teria a ganhar com a privatização de parte do controle acionário da Corsan é muito aquém do que conseguiria com a mesma iniciativa em relação ao Banrisul.

E, para completar, começar agora tal processo significa dizer que ele não conseguiria completá-lo, com muito boa vontade, antes da metade do próximo ano. E não teria isso nenhum peso no sentido de levar o Estado a fechar um contrato de recuperação fiscal com a União.

O único condão dessa operação seria o de dar um pouco de oxigênio para um governo que já dá exaustivas demonstração de asfixia total na falência das contas públicas.

Em 1989 o Rio Grande do Sul já estava falido, suas despesas eram sempre maiores do que as arrecadações, o Estado vivia de artimanhas contábeis para superar os orçamentos sempre deficitários. Trinta anos atrás, um fiscal e auditor da Junta de Coordenação Financeira do Estado reconheceu para mim a falência do Estado.

Perguntei por que nada era feito e até quando iria durar esse quadro de desastre. Ele me respondeu, nua e cruamente: “Até quando não houver dinheiro para pagar os salários”. Pois bem, esgotados todos os truques das cartolas dos gênios da Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, verdadeiros Mandrakes da economia, e dos políticos abutres que dominam a cena no Estado, agora os salários estão atrasando.

E, logo ali adiante, haverá salário não pago, o que acontecerá até o final do ano. Faltam não mais do que 90 dias para se vislumbrar esse cenário. E Eduardo Leite, assim como todos os seus antecessores (Amaral de Souza, Pedro Simon, Alceu Collares, Antonio Britto, Olívio Dutra, Germano Rigotto, Yeda Crusius, Tarso Genro, José Ivo Sartori), pouco ou nada fizeram para evitar esse quadro e conduzir o Rio Grande do Sul e os gaúchos em outro sentido. Agora o tempo da história está perdido, quatro ou cinco gerações foram desperdiçadas. (Vitor Vieira)

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