Polícia

Nova etapa da Operação Lava Jato investiga propinas da Odebrecht e JBS para Palocci e Mantega

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira a 63ª fase da Operação Lava-Jato, denominada Operação Carbonara Chimica, para investigar a suspeita de pagamentos da empreiteira Odebrecht a dois ex-ministros da Fazenda do regime criminoso do PT. Os agentes cumpriram dois mandados de prisão temporária e outros 11 de busca e apreensão em São Paulo e na Bahia. Delações de executivos da companhia apontaram “Italiano” como o apelido do ex-ministro Antônio Palocci, e “Pós-Itália”, do também ex-ministro Guido Mantega, nos governos Lula e Dilma Rousseff. Foram alvos de mandados de prisão na operação Carbonara Chimica o ex-executivo da empreiteira, advogado Maurício Ferro, cunhado de Marcelo Odebrecht (que o odeia) e o advogado Nilton Serson.

Genro de Emilio Odebrecht e um dos raros homens do antigo alto comando da companhia a não fazer delação premiada, Ferro foi preso antes das 7 horas. Mantega deverá colocar tornozeleira eletrônica, decidiu o juiz Luiz Antonio Bonat , substituto do atual ministro da Justiça Sergio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba. A força-tarefa da Lava-Jato pediu a prisão do petista, mas o pedido foi negado por Bonat, que considerou que não havia razões para tirar a liberdade de Mantega. Com os mandados, a Polícia Federal investiga os crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Foi determinado o bloqueio de R$ 555 milhões dos investigados.

Segundo a Polícia Federal, o pagamento de propina visava à aprovação de medidas provisórias que instituíram o programa Refis da Crise, entre outros objetivos. A investigação leva em conta uma ação penal que apura a informação de que Palocci e Mantega agiram de forma ilícita para favorecer os interesses da Brasken, empresa petroquímica do grupo Odebrecht. De acordo com a investigação, Mantega solicitou a Marcelo Odebrecht propina de R$ 50 milhões como contrapartida para as edições de duas Medidas Provisórias.

O pedido, segundo a Polícia Federral, foi aceito por Marcelo Odebrecht e pago pela Brasken. Há indicativos, de acordo com a investigação, de que os valores foram entregues a um casal de publicitários. Há um ano, a força-tarefa da Lava-Jato apresentou denúncia contra Mantega e Palocci pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro em medidas que beneficiaram diretamente empresas do Grupo Odebrecht, como a Braskem, do setor petroquímico.

Na época o casal de publicitários João Santana e Mônica Moura, além de André Santana, filho do marqueteiro do PT, também foram denunciados pelo mesmo episódio. Os dois chegaram a ser presos, permaneceram de tornozeleiras eletrônicas e foram soltos meses depois. Maurício Ferro, ex-diretor jurídico da Braskem, foi preso hoje na Lava Jato graças a 180 e-mails entregues por Marcelo Odebrecht em seu acordo de colaboração.

As mensagens tratam da participação dele junto a Antonio Palocci e Guido Mantega para beneficiar a empresa no Refis da Crise. Os e-mails foram entregues em diferentes ações penais, a partir de um arquivo de 480 mil e-mails e 300 mil documentos, vasculhados entre abril e setembro do ano passado.

Marcelo sempre se queixou pelo fato de o cunhado ter ficado fora do acordo de delação. Maurício Ferro, preso na Operação Carbonara Chimica, já era alvo do cunhado, Marcelo Odebrecht, antes de entrar na mira dos investigadores. Ferro e Bernardo Grandin, ex-sócio dos Odebrecht e alvo de busca e apreensão na manhã desta quarta-feira, apareciam desde o início da Lava Jato em trocas de e-mails com indícios de pagamentos indevidos — mas não figuraram entre os 77 executivos que assinaram um acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República.

Compartilhe nas redes sociais:

Faça seu comentário