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Netanyahu revalida sua liderança no Likud com mais de 70% dos votos

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, revalidou nesta quinta-feira, 26, a liderança em seu partido, o Likud, com 72% dos votos na primária da legenda, equanto seu rival, Guideon Saar, obteve pouco mais de 20%. Netanyahu proclamou sua vitória antes do anúncio oficial.

Com esse resultado, mesmo acusado de corrupção, o premiê vai automaticamente liderar a lista eleitoral do Likud nas próximas eleições do país, em 2 de março. Quase 116 mil integrantes do Likud participaram do processo, encerrado às 23h (hora local, 18h de Brasília).

A taxa de participação foi de 49%, segundo o partido. Netanyahu votou em sua residência, em Jerusalém, para onde foi levada uma urna. Ao chegar à seção onde votou, perto de Tel-Aviv, Gideon Saar considerou este como um “dia fatídico” para o Likud e para Israel. “Podemos ganhar hoje e percorrer um novo caminho que nos permita formar um governo forte e estável”, chegou a afirmar. Mas o deputado Saar tinha poucas chances de vencer as primárias, que se apresentaram como uma espécie de referendo da popularidade de Netanyahu.

Para Nathan Moati, morador de Jerusalém de 26 anos, os partidários de Netanyahu não são afetados pelos seus problemas judiciais. “Apenas Bibi pode vencer as legislativas. Todos os partidários do Likud devem votar em Netanyahu”, defendeu.

Um resultado apertado seria um duro golpe para o primeiro-ministro, líder do Likud desde 1993 – com exceção de um intervalo de seis anos quando o partido foi comandado por Ariel Sharon (morto em 2014) – e o chefe de governo com mais tempo de poder na história de Israel.

Após as eleições antecipadas de abril, e depois da segunda votação em setembro, nem Netanyahu nem o centrista Benny Gantz conseguiram o apoio de 61 deputados, número que representa a maioria parlamentar para formar o governo. O presidente de Israel, Reuven Rivlin, confiou a missão ao próprio Parlamento, que tampouco teve êxito.

Depois que Netanyahu, de 70 anos, foi indiciado em novembro por corrupção, fraude e abuso de confiança em três casos, que ele denuncia como “acusações falsas” com motivação política, seus rivais no Likud, com Saar à frente, exigiram eleições internas.

Saar, nome importante do partido, foi ministro em diversas ocasiões, antes de ser afastado por Netanyahu em 2014. Ele é considerado ainda mais à direita do que Netanyahu, especialmente na questão palestina. Apresenta-se, contudo, como um unificador além de seu próprio campo, com base em suas relações com os líderes de outros partidos. Também se apoia, sem declarar abertamente, no fato de que não é acusado pela Justiça, pois o partido Azul-Branco de Gantz se recusa a dividir o poder com um primeiro-ministro indiciado.

Pesquisas recentes mostraram que um Likud liderado por Saar poderia conquistar menos cadeiras no Parlamento em 2 de março do que um partido comandado por Netanyahu. Com Saar, no entanto, eleitores do Likud poderiam votar em outros partidos de direita. Neste caso, a direita israelense, contando todos os partidos, poderia sair reforçada das urnas e superar potencialmente a barreira da maioria parlamentar necessária para formar um governo.

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