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Na pista de Serson, o advogado que lavou R$ 78 milhões da Odebrecht, empreiteira baiana campeã mundial de corrupção

Na pista do advogado Nilton Serson, suspeito de ser ‘lavador’ de R$ 78 milhões da Odebrecht, a Polícia Federal chegou a um endereço no centro de São Paulo, a região do Baixo Augusta. Mas, no número 440 da famosa rua Augusta, os agentes encontraram um edifício em obras, cercado por um tapume metalizado de cor roxa, onde se lê “Obras iniciadas. Baixo Augusta Hotel”. O endereço é da empresa Baixo Augusta Hotel Ltda., um dos alvos de pedido de busca feita pelo Ministério Público Federal. A empresa tem Nilton Serson como sócio desde 25 de junho de 2018. Serson teve a prisão temporária decretada pelo juiz Luiz Antonio Bonat, da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, no âmbito da Operação Carbonara Chimica, fase 63 da Lava Jato, deflagrada nesta quarta-feira, 21.

Foram relacionados a ele ainda os endereços de buscas de seu escritório Nilton Serson Advogados Associados e das empresas Gens Participações e Empreendimentos Ltda., da qual é sócio desde 2004, e Candelária Participações Ltda., sócio desde 2007. Serson está sob suspeita de ter lavado R$ 78 milhões da Odebrecht por meio de 18 contratos fictícios de prestação de serviços para a Braskem, braço petroquímico da empreiteira baiana campeã mundial de corrupção. Uma apuração interna da também muito corrupta Braskem feita após comunicado de contas secretas de Maurício Ferro e Serson à Lava Jato apontou problemas na relação comercial.

A trama teria sido ordenada pelo ex-vice-presidente Jurídico do grupo, Maurício Ferro (casado com a irmã de Marcelo Odebrecht, Monica Bahia Odebrecht), que também teve a prisão decretada pelo juiz da Lava Jato. Cunhado de Marcelo Odebrecht, genro do patriarca do grupo e campeão mundial de corrupção e pagamento de propina, Emílio Odebrecht, Maurício Ferro foi preso em São Paulo. Os pagamentos relacionados a Ferro e Serson estão ligados, para a Lava Jato, à corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à edição das medidas provisórias (MPs) 470 e 472, em 2009, por meio dos ex-ministros Antônio Palocci e Guido Mantega, no governo muito corrupto do bandido Lula, que concederam o direito de pagamento dos débitos fiscais do imposto sobre produtos industrializados (IPI) com a utilização de prejuízos fiscais de exercícios anteriores.

“O grupo investigado resolveu investir no ramo de legislação. Fez investimento milionário na compra de MPs para ter um retorno bilionário”, afirmou o superintendente da Polícia Federal no Paraná, delegado Luciano Flores de Almeida (irmão do juiz federal Loraci Flores de Almeida, que deu sentença no caso político-policial da Operação Rodin, comandada pelo petista Tarso Genro). Palocci fez delação premiada na Polícia Federal e se livrou da cadeia no final do ano passado, mesmo condenado a 12 anos e dois meses de reclusão no âmbito da Operação Omertà, desdobramento da Lava Jato. A força-tarefa do Ministério Público Federal pediu a prisão preventiva de Mantega, mas o juiz Bonat decidiu impor ao ex-ministro medida cautelar – monitoramento por meio de tornozeleira eletrônica e bloqueio de R$ 50 milhões de suas contas.

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