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Mineradora chinesa tem projeto bilionário com megabarragem em Minas Gerais

O governo de Minas Gerais assinou na última quinta-feira, 12, um protocolo de intenções com a Sul Americana de Metais (SAM), subsidiária da chinesa Honbridge Holdings, para a construção de um complexo de mineração de R$ 7,9 bilhões no norte do Estado. Chamado de Bloco 8, o projeto inclui um mineroduto de 480 quilômetros que irá da cidade mineira de Grão Mogol até Ilhéus, na Bahia, passando por 21 municípios – a construção do mineroduto eleva o investimento total a R$ 9,1 bilhões.

O projeto prevê uma das maiores barragens de rejeitos do País. A empresa afirma que a barragem tem um modelo seguro. Quando estiver em operação plena, o Bloco 8 terá produção de 27 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, pouco menor que a da mina de Brucutu, da Vale, e semelhante à capacidade total prevista no projeto Minas-Rio, da Anglo, cuja logística também depende de um mineroduto.

As jazidas a serem exploradas estão nos municípios de Grão Mogol e Padre Carvalho. O complexo terá uma usina de concentração de minério, barragens de água e barragem com capacidade para suportar 845 milhões de metros cúbicos de rejeitos. A barragem da Vale na mina de ferro Córrego do Feijão, em Brumadinho, tinha capacidade para armazenar mais de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Seu rompimento, em 25 de janeiro, liberou uma onda de lama que matou 249 pessoas e deixou 21 desaparecidas.

A barragem de Fundão da Samarco, em Mariana, tinha armazenados 55 milhões de metros cúbicos quando se rompeu, em novembro de 2015, de um total de 111 milhões de metros cúbicos licenciados. Inicialmente a cargo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o projeto acabou tendo seu licenciamento desmembrado.

A parte de mineração ficará a cargo da autoridade ambiental de Minas Gerais, enquanto o mineroduto, por cruzar a divisa do Estado, será licenciado pelo Ibama. Ele será construído e operado por uma empresa chamada Lotus Brasil Comércio e Logística, independente da SAM. Em 2016 o Ibama rejeitou o projeto, na época chamado de Vale do Rio Pardo, por inviabilidade ambiental.

O parecer técnico que embasou a decisão destacava os impactos negativos e riscos às comunidades vizinhas e ao meio ambiente. “O projeto resultaria na geração de volume muito grande de rejeitos, o que evidencia escolha tecnológica incompatível com as técnicas mais modernas de mineração, que buscam minimizar a dependência de barragens de rejeitos”, dizia o Ibama.

A diretora de Relacionamento e Meio Ambiente da SAM, Gizelle Andrade, afirma que o projeto foi reestruturado em 2017 e é seguro. Até aqui foram investidos US$ 74 milhões em estudos e aquisição de direitos minerários. De acordo com a executiva, a barragem deixou de utilizar o método de alteamento a montante – usado em Brumadinho e Mariana e hoje condenado – e terá um sistema de filtro capaz de evitar infiltrações no corpo da barragem. Em caso de rompimento, um sistema de diques faria com que o material ficasse confinado na cava da barragem, sem atingir a comunidade.

“Não há possibilidade de que os rejeitos extrapolem essa barragem”, disse o secretário de Meio Ambiente de Minas Gerais, Germano Vieira. O processo de licenciamento prévio do projeto deve ser concluído em fevereiro de 2020. A expectativa é que sejam gerados 1.200 empregos diretos na operação e receita bruta de R$ 4 bilhões por ano só na mina, sobre a qual serão pagos royalties de mineração.

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