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Magazine Luiza vai fazer lançamento de ações para captar mais de 5 bilhões de reais

O Magazine Luiza vai fazer uma oferta pública de ações para investimentos na operação. Serão 90 milhões de ações, a R$ 44,02, cotação de ontem, que poderão ser acrescidas em até 30 milhões de ações, em uma faixa que iria de R$ 3,96 bilhões a R$ 5,28 bilhões. A lista de destinação de recursos é longa: expansão da plataforma de marketplace, investimentos em tecnologia, inovação, pesquisa e desenvolvimento, automação dos centros de distribuição, iniciativas em serviços digitais, expansão de novas categorias, abertura de novas lojas, transformação das lojas existentes em minicentros de distribuição e aquisições estratégicas.

A empresa ainda prevê uma “otimização da estrutura de capital”, o que inclui reforço de capital de giro. O Magazine Luiza divulgou na terça-feira os resultados do terceiro trimestre, considerados muito bons pelos analistas. A ação subiu mais de 7% ontem, marcando um novo recorde. A varejista Magazine Luiza prepara uma oferta subsequente de ações (follow-on), da ordem de R$ 4,5 bilhões. Oito bancos foram contratados para a operação. Os brasileiros Itaú BBA, BTG Pactual, BB e Bradesco BBI e os estrangeiros Bank of America, J.P. Morgan, Morgan Stanley e Santander.

O Magazine Luiza praticamente dobrou suas vendas de comércio eletrônico no trimestre e metade do que sai das suas prateleiras já é feito por pedidos online. Somado a um lucro que aumentou 13,8% entre julho e setembro deste ano, contra o terceiro trimestre de 2018, e justificou mais uma vez porque sua ação é uma das queridinhas dos investidores da B3.

Na última quarta-feira, 30, um dia após a divulgação do balanço da companhia, o valor de mercado da varejista aumentou em R$ 4,37 bilhões e a empresa passou a valer R$ 67,11 bilhões. Além disso, nesta quinta-feira, 31, a varejista anunciou uma oferta subsequente de ações na Bolsa de Valores, que pode movimentar cerca de R$ 5,2 bilhões, levando em consideração o preço da ação fechado no mercado de quarta-feira, 30, de R$ 44,02.

Isso pode alterar ainda mais o valor de mercado da companhia. Entre os motivos para a alta da semana está a diversificação no catálogo da Netshoes e investimentos em logística. A estratégia de diversificação foi traçada pelo presidente executivo da companhia, Frederico Trajano, que vê na moda uma das maiores oportunidades de crescimento do comércio virtual no Brasil.

Isso explicaria a disputa acirrada que o Magazine Luiza travou com a Centauro pela compra da Netshoes no primeiro semestre. Além disso, a incorporação da Netshoes à operação do Magazine Luiza ataca a chamada “segunda onda do e-commerce”, na qual itens de vestuário e material esportivo devem ganhar importância nas vendas online.

Em teleconferência de resultados, Frederico Trajano disse que foi contratada uma consultoria para elaborar um plano de negócios para a operação da Netshoes e que o foco principal, por enquanto, é aumentar o faturamento. Entre julho e setembro, as vendas da Netshoes somaram R$ 699,3 milhões e inflaram o número de vendas total no e-commerce do Magazine Luiza, que cresceu 96%. Sem o efeito Netshoes, o e-commerce da varejista cresceu 54,1%, número ainda assim considerado expressivo.

Para o BTG Pactual, as vendas online devem continuar crescendo numa taxa consistente e ao menos triplicar até 2025. “Graças a uma jornada impressionante e de sucesso nos últimos anos, o Magazine Luiza é visto pelo mercado como um dos potenciais vencedores no e-commerce brasileiro”, destacam os analistas Luiz Guanais e Gabriel Savi, do BTG. Para Richard Cathcart, analista do Bradesco BBI, outro ponto de destaque é a logística do Magazine Luiza na entrega das compras virtuais. “Sendo o maior vendedor direto, o Magalu tem uma vantagem competitiva que nós esperamos que persista no longo prazo, pois o modelo de entrega mais eficiente é o da venda direta”, disse o analista. Segundo ele, é difícil de replicar para entregas de terceiros que estão no marketplace da companhia.

Do lado negativo, pouco pesou para os investidores a pressão que a margem Ebitda da companhia sofreu devido à integração da Netshoes. No terceiro trimestre, a margem ajustada passou de 7,7% para 6,2%. “Apesar dessa queda, acreditamos que o aumento das despesas já está dando frutos e deve continuar solidificando o Magazine Luiza como o mais forte competidor de comércio eletrônico do mercado”, disse o Brasil Plural.

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