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Laranja do sítio de Atibaia desfaz sociedade com o filho de Lula

Depois de 13 anos, o principal sócio de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente condenado por corrupção e que cumpre pena em liberdade, mas ainda responde por crimes, desistiu de integrar a empreitada em parceria com a companhia telefônica Oi. O empresário Jonas Suassuna, um dos “donos” do sítio de Atibaia, vendeu a sua fatia na BR4 Participações, um dos braços da Gamecorp, responsável pelo canal PlayTV, de música e jogos, cujo proprietário é o filho de Lula. O recuo estratégico ocorre em meio a investigações da Lava Jato. Ontem, a imprensa divulgou e também aqui neste blog foi noticiado, que a Oi pediu na justiça o dinheiro que emprestou a Fábio e ele nunca pagou, deu calote e embolsou a grana.

Em buscas na Gamecorp, os integrantes da Operação Lava Jato acharam cobrança da Oi a Lulinha no valor de R$ 6,8 milhões. Durante as buscas da fase 69 da Lava Jato, a Polícia Federal apreendeu, em endereço da Gamecorp, diferentes contratos com valores de até R$ 4,3 milhões firmados entre a Telemar Oi e a empresa ligada a Lulinha, aos irmãos Fernando e Kalil Bittar e ao empresário Jonas Suassuna e a Telemar Oi. Além disso, a Polícia Federal identificou cartas de notificação extrajudicial em que o grupo telefônico cobra R$ 6.818.080,40 referentes a empréstimo vencido há mais de 10 anos. As informações constam relatório de mídia apreendida elaborado pela Polícia Federal no último dia 13. O documento apresenta informações sobre 25 itens apreendidos durante cumprimento de mandado da Operação Mapa da Mina, a fase 69 da Lava Jato, dia 10 de dezembro.

A investigação mira crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência envolvendo a Oi/Telemar e o grupo Gamecorp/Gol. Segundo a força tarefa da Lava Jato, foram identificados créditos feitos pela Telemar/Oi em favor do grupo Gamecorp, entre 2004 e 2016, que somam R$ 132.254.701,98. A Procuradoria aponta que parte desses recursos foi usada para compra do sítio de Atibaia, no interior de São Paulo, pivô da maior condenação da Lava Jato já imposta ao ex-presidente Lula, de 17 anos 1 mês e 10 dias de prisão.

Os pagamentos teriam sido feitos ao grupo Gamecorp/Gol, integrado pelas empresas G4 Entretenimento e Tecnologia Digital, Gamecorp, Editora Gol, Gol Mídia, Gol Mobile, Goal Discos, Coskin, PJA Empreendimentos e PDI – empresas ligadas a Lulinha. Segundo relatório da Polícia Federal, durante as buscas da Lava Jato 69, foram apreendidos contratos firmados entre empresas do grupo Telemar/Oi e a Gamecorp.

O contrato que tem o maior valor mensal é referente à prestação de serviços da Gamecorp para a RTNL PCS e prevê pagamento de R$ 450 mil por mês durante 12 meses. O documento foi assinado em abril de 2008. O documento da Polícia Federal também cita a apreensão de contratos de R$ 100 mil mensais, como o celebrado entre a TNL e a Gamecorp em 2009 com vigência de dois anos a partir da assinatura. Um outro contrato assinado entre as mesmas empresas em 2007, com vigência entre abril e dezembro, previa o mesmo pagamento, mas segundo a Polícia Federal, foi seguido de quatro termos aditivos, tendo o primeiro deles estabelecido valor adicional de R$ 800 mil, e o segundo e o terceiro incluído serviços a custo de R$ 1 milhão cada. O quarto adicionou mais R$ 700 mil à conta que chegou a R$ 4,3 milhões.

A Polícia Federal encontrou ainda contratos que vão numa direção diferente dos outros, referente a empréstimo (mútuo) fornecido pela então Telemar para a Gamecorp com a finalidade de “permitir à contrante o desenvolvimento de suas operações financeiras”. Nos cinco contratos consta referência a pagamentos da Oi para a Gamecorp de R$ 550 mil, R$ 500 mil e dois de R$ 200 mil feitos entre 2006 e 2007. Junto a tais documentos estavam duas notificações extrajudiciais, datadas de dezembro de 2018 e setembro de 2019, cobrando valores vencidos há 10 anos.

A carta mais recente, elaborada em 19 de setembro, cobra da Gamecorp R$ 6.818.080,40, referentes ao “valor principal acrescido de juros e encargos moratórios, além de multa de 2% do valor do débito”. Outro documento encontrado pela Polícia Federal foi um pedido endereçado ao então secretário de Direito Econômico, vinculado ao Ministério da Justiça, Daniel Krepel Goldberg, sobre operação de 2005, em que a TNL adquiriu R$ 2,5 milhões em ações da Gamecorp.

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