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Justiça condena empresário delator Fernando Cavendish, ex-dono da Delta, a 11 anos de prisão

O empreiteiro Fernando Cavendish, ex-dono da Delta Construções, foi condenado a 11 anos e oito meses de reclusão, pelos crimes de lavagem de dinheiro e fraudes em licitação, ocorridos em 2008, referente à obra de duplicação das marginais Pinheiro e Tietê, em São Paulo. A pena também prevê o pagamento de multa de indenização de R$ 21 milhões. Mas como Cavendish é réu colaborador (delator premiado), ele poderá recorrer em liberdade. A sentença foi prolatada pelo juiz Marcelo Bretas, titular da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, para onde o caso foi enviado, no último dia 17, mas só tornada pública nesta terça-feira (28).

Além de Fernando Cavendish, são réus no mesmo processo os empresários Adir Assad e Marcelo Abbud, e as funcionárias Sandra Maria Branco Malagno e Sônia Mariza Branco. A função das empresas, segundo a denúncia, era permitir a geração de caixa-dois, com a emissão de notas fiscais frias. Assad, Abbud e Cavendish tornaram-se réus colaboradores da justiça (tudo delator premiado). “Em suas declarações, o delator Fernando Cavendish confirmou que teve ciência das obras que seriam licitadas no segundo semestre de 2008 pela DERSA – Desenvolvimento Rodoviário SA e que havia interesse por parte desta na realização de um acordo que atendesse os seus interesses. Afirmou que, nos termos do “acordo”, seria necessário um pagamento antecipado para que a Delta fosse contratada em um dos lotes do certame, sendo negociado o montante de R$ 8 milhões em espécie. Sustenta também que, ao longo da execução do contrato, fora pago o valor de 6% de propina através da empresa de Adir Assad”, escreveu o juiz Marcelo Bretas na sua decisão.

Esse bucaneiro Fernando Cavendish é aquele mesmo que participou da escandalosa “farra dos guardanapos” em Paris, durante o governo do ultracorrupto governador emedebista Sérgio Cabral. Essa foi uma festa que reuniu 150 pessoas em um dos locais mais nobres da Europa. Um gasto de cerca de R$ 1,5 milhão para celebrar o recebimento da condecoração máxima do governo francês. Mais de 300 garrafas de vinhos caríssimos, champanhe, uma noite com o glamour de músicos contratados para dançar no salão onde foi servido o jantar em um dos mais sofisticados hotéis de Paris. O bandido Sérgio Cabral, que posteriormente foi investigado pela Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, havia recebido a Légion D`Honneur do governo francês em 2009. Para celebrar, no dia 14 de setembro, um grande banquete aconteceu em uma restaurante mansão na avenida Champs-Élysées, em Paris, jantar bancado pelo bucaneiro Fernando Cavendish. Foi na saída dessa noitada notável em Paris que as mulheres de alguns dos participantes da farra dançaram na calçada da Avenida Champs Elysees mostrando as solas vermelhas de seus sapatos de griffe Christian Louboutin.

 

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