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Juíza federal vê “consequências nefastas para o esporte” ao condenar o cartola Coaracy Nunes

Na decisão que condenou o cartola Coaracy Nunes, ex-presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), a 3 anos de detenção e mais 11 anos e 8 meses de reclusão, a juíza Raecler Baldresca, da 3ª Vara Federal de São Paulo, considerou que os “atos fraudulentos” atribuídos ao ex-dirigente têm “consequências nefastas” para o esporte nacional.

O cartola Coaracy Nunes foi condenado pelos crimes de fraude à licitação, peculato (duas vezes) e organização criminosa. Ele chegou a ser preso, em abril de 2017, na Operação Águas Claras da Polícia Federal, que mirava desvios em convênios de R$ 40 milhões à CBDA. A cifra chegou a ser objeto de bloqueio contra os alvos da ação. “A reprovabilidade da conduta de Coaracy ainda aumenta quando são constatadas suas características pessoais: foi presidente da CBDA por quase duas décadas, atuando em diversos procedimentos licitatórios, sendo nefastas as consequências de seus atos fraudulentos para o esporte nacional, mais especificamente para os esportes aquáticos, dos quais deveria ser o maior defensor”, considerou a juíza Raecler Baldresca.

Segundo o Ministério Público Federal, Coaracy Nunes e os dirigentes Ricardo de Moura, ex-supervisor técnico da CBDA, e Sérgio Alvarenga, ex-diretor financeiro, formaram organização criminosa com os empresários Haller Ramos de Freitas Júnior, José Nilton Cabral da Rocha, Monica Pereira da Silva Ramos de Freitas, mulher de Haller, e Keila Delfini da Silva, para fraudar licitações para a compra de materiais esportivos, mediante o uso de documentos ideologicamente falsos, que resultaram em desvio de mais de R$ 1 milhão em recursos do Ministério dos Esportes.

Uma das denúncias de peculato se refere à apropriação indevida de R$ 5 milhões de recursos repassados pelo Ministério dos Esportes para o Polo Aquático. Parte da verba deveria ter sido destinada, por exemplo, para a participação da seleção júnior, campeã sul-americana e panamericana, que não foi ao Mundial do Cazaquistão, em 2015, apesar de a confederação ter recebido esse recurso.

Em todos os crimes, a juíza reconheceu o agravante das penas de Coaracy Nunes, “tendo em vista que o réu dirigiu a atividade de outros agentes criminosos”. No entanto, também reconheceu que “há atenuante a ser reconhecida, posto que o réu já é maior de 70 anos”. Na sentença, Ricardo Cabral, ex-diretor de polo aquático da entidade, acabou absolvido.

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