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Jair Bolsonaro recebeu procurador Paulo Gonet, ex-sócio de Gilmar Mendes

Às vésperas de decidir quem comandará a Procuradoria-Geral da República, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) recebeu em seu gabinete no Palácio do Planalto o subprocurador-geral Paulo Gonet, católico, conservador e ex-sócio do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP). O encontro reservado, fora da agenda, foi articulado pela vice-líder do governo federal Bia Kicis (PSL/DF) e foi acompanhado pelo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Walton Alencar Rodrigues, e pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional, General Augusto Heleno.

Na reunião, Bolsonaro afirmou que pretende trabalhar com um Procurador Geral da República alinhado ao governo, que prestigie o “interesse público” e não se deixe desgastar por assuntos como proteção a indígenas ou a grupos ligados a minorias. O presidente também disse que não governa sozinho e que a decisão sobre novo Procurador Geral da República passará por pessoas do Supremo, do Congresso e até TCU.

Paulo Gonet é muito bem articulado no Judiciário, tem muitos amigos entre autoridades e é visto como um homem sério e conservador. Um dos fiadores de sua candidatura – que é informal e não passou pela votação entre procuradores na chamada lista tríplice da categoria – é o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra Filho. “Ele é competente e tem os mesmos valores morais, familiares e cristãos que Bolsonaro”, disse Gandra Filho em julho. Gonet é amigo de Bia Kicis desde o tempo em que cursaram a Universidade Nacional de Brasília (UnB).

O subprocurador-geral e o ministro Walton Rodrigues se aproximaram no tempo em que atuavam no Ministério Público Federal do Distrito Federal. Ambos o apoiam. Um dos poucos encontros anteriores de Bolsonaro e Gonet se deu no almoço de aniversário de Walton Rodrigues, em abril. Na ocasião, foi servido um tambaqui, trazido do Amazonas por um amigo do ministro.

Após a reunião com Gonet, o presidente Bolsonaro recebeu o procurador-geral de Justiça Militar, Jaime de Cassio Miranda, e o subprocurador-geral de Justiça Militar, Marcelo Weitzel Rabello. Crítico à lista tríplice para escolha de Procurador Geral da República, Miranda levou a Bolsonaro, em fevereiro, proposta de “cisão” do cargo em duas cadeiras. O procurador propôs a criação de um posto para chefiar o Ministério Público da União, que cuidaria de questões orçamentárias e administrativas e seria escolhido em rodízio, por membros dos diferentes ramos do Ministério Público.

Bolsonaro ainda se reuniu na quarta-feira, 7, com o procurador regional da República da 1ª Região, Lauro Cardoso, nome próximo a militares e quarto colocado na disputa para entrar na lista tríplice à Procuradoria Geral da República. Os três nomes mais bem votados na categoria, Mario Bonsaglia, Luiza Cristina Frischeisen e Blal Dalloul, não tiveram a oportunidade de se reunir com Bolsonaro.

A série de reuniões ocorreu após Bolsonaro afirmar que deve indicar o futuro Procurador Geral da República até a próxima segunda-feira, 12. O mandato de Raquel Dodge se encerra em 17 de setembro. As reuniões de Bolsonaro soaram para procuradores que acompanham as discussões como o descarte da lista tríplice elaborada em votação comandada para uma entidade privada, a Associação dos Procuradores Federais. Há percepção entre procuradores que Raquel Dodge assumiu que está fora da disputa ao votar pelo veto do procurador Ailton Benedito para compor a Comissão Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Conservador, Benedito havia sido indicado pelo governo Bolsonaro ao colegiado para representar o Ministério Público.

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