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Itaipu passa a abrir comportas para apoiar escoamento de grãos da Argentina e Paraguai

A hidrelétrica binacional de Itaipu passou a promover nesta semana aberturas controladas do vertedouro para liberar mais água, em movimento que visa aumentar o nível do rio Paraná, onde está instalada, para apoiar o escoamento da safra de grãos da Argentina e Paraguai em meio a uma seca na região. A manobra inicial de abertura das comportas da usina, uma parceria entre Brasil e Paraguai, ocorreu na segunda-feira, durante quase nove horas, o que vai acontecer por 12 dias, disse nesta terça-feira a administração do empreendimento, em nota.

A iniciativa de Itaipu, controlada pela estatal brasileira Eletrobras (ELET3) e pela paraguaia Ande, segue-se a insistentes pedidos da Argentina depois que a falta de chuvas levou o rio Paraná ao menor nível em quase 50 anos. O rio Paraná é a mais importante via de exportação de grãos da Argentina e o baixo nível de água tem reduzido a capacidade que cada navio pode transportar em carga, o que aumenta custos para o setor agrícola. As comportas do vertedouro da hidrelétrica, a maior do mundo em geração de energia, não eram abertas há quase um ano.

No final de abril, Itaipu já havia aceitado aumentar sua vazão para tentar ajudar os argentinos, mas o movimento não havia sido suficiente para aliviar a situação do rio Paraná em meio à continuidade da seca que atinge a região desde meados do ano passado. Agora, com a abertura do vertedouro, a usina poderá contribuir diariamente com uma vazão defluente média de 8,5 mil metros cúbicos por segundo, o que deve permitir que o nível do rio Paraná suba de 2 a 3 metros nos países vizinhos, segundo o superintendente de Operação de Itaipu, José Benedito Mota Junior. Ele explicou que o movimento é necessário porque a demanda por eletricidade caiu fortemente tanto no Brasil quanto no Paraguai devido aos impactos do coronavírus sobre a economia, o que faz com que a usina binacional não consiga aumentar suficientemente a vazão apenas com a geração de energia.

Em nota, Mota estimou que o modo de operação agora em vigor deve auxiliar no escoamento “de mais de 200 mil toneladas de soja” argentina e paraguaia para o mercado exterior. Isso deverá envolver um rebaixamento de entre 1,5 e 2 metros no nível do reservatório de Itaipu durante os 12 dias em que a manobra deverá ser repetida. A operação nesse regime foi aprovada pelas chancelarias de Brasil e Paraguai e pelo conselho de administração da usina binacional. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) também participou das conversas.

Entre técnicos do setor que acompanharam as discussões, havia alguma resistência em se permitir a abertura do vertedouro em momento em que o Brasil ainda busca recuperar os reservatórios na região Sul, atingida pela mesma seca que atrapalha o escoamento da produção agrícola dos vizinhos. A hidrelétrica de Yacyreta, um empreendimento binacional entre Argentina e Paraguai, também aprovou a liberação temporária de mais água para ajudar na elevação do nível do rio Paraná, conforme publicado pela Reuters mais cedo nesta terça-feira. A Argentina, que é a terceira maior exportadora global de soja e líder mundial em embarques de farelo de soja, está perto de concluir a colheita da oleaginosa. (Money Times)

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