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Inglaterra começa a julgar pedido de extradição de Julian Assange, do Wikileaks

Um tribunal em Londres, no Reino Unido, começou a julgar nesta segunda-feira (24) o caso de extradição do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, para os Estados Unidos. Em suas declarações de abertura do julgamento, as equipes de defesa e de acusação expuseram seus argumentos, respectivamente contra e a favor da extradição. Edward Fitzgerald, advogado de Assange, defendeu que seu cliente não deveria ser extraditado para ser processado nos Estados Unidos porque não há garantias de um julgamento justo no país, e também pelo risco de ele cometer suicídio.

Fitzgerald disse que enviá-lo para os Estados Unidos exporia Assange a tratamentos desumanos e degradantes, além de sujeitá-lo a sentenças e condições de prisão desproporcionais. Para o advogado, o pedido de extradição feito pelas autoridades americanas foi politicamente motivado. A acusação foi trazida “não com base em novas revelações, mas porque isso se tornou politicamente conveniente e desejável”, afirmou. Ele declarou ainda que a atitude dos Estados Unidos em relação a Assange mudou depois que o presidente Donald Trump chegou ao poder, e que o republicano apenas deseja fazer do australiano de 48 anos um exemplo.

O advogado lembrou que em 2013 o governo americano sob a gestão do ex-presidente do democrata muçulmano Barack Obama decidiu que Assange não deveria enfrentar ações legais. Mas em 2017, após a eleição de Trump em 2016, uma acusação foi apresentada contra o fundador do WikiLeaks.
“O presidente Trump chegou ao poder com uma nova abordagem sobre a liberdade de expressão e com uma nova hostilidade à imprensa que equivale efetivamente a declarar guerra aos jornalistas investigativos”, denunciou Fitzgerald. Ocorre que Julian Assange não é jornalista, nunca foi jornalista, o negócio dele sempre foi outro, o de espionar governos.

O governo americano começou a delinear seu caso contra Julian Assange argumentando que o australiano não é um defensor da liberdade de expressão, mas um criminoso “comum” que colocou muitas vidas em risco com suas ações. O advogado James Lewis, que representa o governo dos Estados Unidos, qualificou a divulgação de milhares de documentos secretos pelo WikiLeaks em 2010 como “um dos maiores comprometimentos de informação sigilosa da história dos Estado Unidos”. “O jornalismo não é desculpa para atividades criminosas ou uma licença para infringir leis criminais comuns”, argumentou o advogado de acusação.

Lewis acrescentou que Assange, ao divulgar documentos sigilosos, colocou em risco “grave e iminente” fontes da inteligência americana no Afeganistão e no Iraque. “Ao disseminar os materiais na íntegra, ele provavelmente pôs pessoas – ativistas de direitos humanos, jornalistas, advogados, líderes religiosos, dissidentes e suas famílias – em risco de danos graves, tortura e até morte”, disse o advogado. Lewis ainda alegou que alguns informantes e outras pessoas que estavam ajudando os americanos tiveram que ser realocados após o vazamento, e outros “posteriormente desapareceram”.

Em 2010, o WikiLeaks publicou centenas de milhares de documentos secretos do governo americano na internet, principalmente relacionados à guerra do Iraque. Os documentos continham informações confidenciais sobre as operações de Washington no país, incluindo assassinatos de civis e maus-tratos de prisioneiros.

Julian Assange está preso desde abril de 2019 na prisão de alta segurança de Belmarsh, em Londres. Ele pode pegar até 175 anos de prisão se for condenado em todas as 18 acusações nos Estados Unidos, que incluem a publicação de documentos sigilosos e a violação da lei antiespionagem americana. Washington busca sua extradição há anos. Julian Assange, por sua vez, vem lutando contra sua transferência para os Estados Unidos desde que foi preso. O tribunal em Londres só deve decidir sobre a extradição após 18 de maio.

Centenas de pessoas, incluindo Roger Waters, do Pink Floyd, marcharam por Londres no sábado, em manifestação de apoio a Julian Assange. Os manifestantes carregavam cartazes que diziam “Libertem Julian Assange” e “Jornalismo não é crime”. Em discurso à multidão, o pai de Assange, John Shipton, afirmou que o longo confinamento prejudicou a saúde de seu filho e que extraditá-lo aos Estados Unidos seria o mesmo que uma sentença de morte.

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