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Indicadores positivos levam Bolsa a nível recorde e derrubam risco país

A mudança de perspectiva da nota do Brasil (de estável para positiva) pela agência S&P, o novo corte recente dos juros básicos, para 4,5% ao ano, e a alta do indicador de serviços, de 0,8% em outubro, ante o mês anterior, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ajudam a traçar o cenário de que a economia está mudando de humor — e para melhor, segundo analistas do mercado financeiro. A melhora é lenta, face ao tamanho do tombo que o País enfrentou nos anos recentes, mas já ajudam a mostrar que 2020 pode começar com mais fôlego do que se antecipava há alguns meses.

Alguns desses sinais já se refletem no risco país, medido pelo “credit default swap” (CDS), que chegou a bater em 100 pontos (o menor patamar desde 2012) nesta quinta-feira, 22, na Bolsa, que chegou ao nível recorde de 112 mil pontos, e no dólar abaixo de R$ 4,10.

Nesta quinta-feira, 12, o Ibovespa fechou o dia com alta de 1,11%, cotado a 112.199,74 pontos, nova máxima histórica. Já o dólar à vista fechou em queda de 0,62%, a R$ 4,0935. No caso do risco país, o Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil chegou a ser negociado na tarde de hoje a 100,8 pontos, no menor nível desde outubro de 2012, de acordo com cotações da IHS Markit.

Na quarta-feira, as taxas fecharam em 108 pontos. No caso da Bolsa, o clima de bom humor do mercado doméstico, que já vinha desde a abertura dos negócios, foi intensificado com notícias da imprensa americana de que a Casa Branca e Pequim teriam chegado a um acordo comercial. Para Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2019 já está dado, de cerca de 1,1%, mas é possível projetar um crescimento de até 2,5% para o ano que vem. “Não é um baita resultado. Depois de tudo que o País caiu, é pouco, mas mostra alguma melhora”, diz ele. Ele concorda que o indicador de serviços de outubro pode injetar um pouco de otimismo para 2020. “Olhando do lado da oferta, muito da fraqueza da economia se dá porque o setor de serviços têm estado muito ruim. E a melhora dos dados de atividade do setor de serviços é um importante indicador do ritmo de recuperação”, diz.

O economista Bruno Lavieri, da Cosultoria 4E, lembra que o consumo das famílias pode continuar crescendo no ano que vem, embalado pela nova queda dos juros básicos, para 4,5%, anunciada na quarta-feira pelo Comitê de Políticas Monetárias (Copom), do Banco Central: “Embora não haja tanto espaço para novos cortes de juros, o consumo das famílias deve ser o grande motor de crescimento do PIB no ano que vem. Em 2019, as famílias ficaram receosas de se endividarem, mas há espaço para o consumo crescer no ano que vem. O investimento também pode se recuperar”.

Segundo Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector, não é possível garantir um crescimento maior no ano que vem, porque sempre há riscos: “Pode haver desconfiança em relação ao Brasil e às políticas públicas macroeconômicas. Mas, ainda assim, o País deve transitar da fraqueza de 2019 para um crescimento moderado da economia, em 2020”. “A expectativa é que, no ano que vem, haja um desempenho melhor tanto da indústria quanto do setor de serviços, uma melhora moderada dos salários e do emprego, apesar de a situação fiscal do País ainda seguir preocupante e um fator de potenciais crises futuras”, diz ele. E acrescenta que o risco interno mais delicado é não haver um aprofundamento do debate sobre a reforma tributária no ano que vem: “Com as eleições no segundo semestre, há pouco tempo para que as discussões amadureçam”.

lado externo, os economistas também lembram que ainda há muitas incertezas com o desempenho das principais economias do mundo em 2020. E as eleições americanas no ano que vem também poderiam fazer com que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tensionasse novamente as relações comerciais com a China, mesmo após as sinalizações recentes em sentido contrário. (OESP)

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