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Hackers presos começam a abrir a boca, um já confessou o roubo de dados do celular de Moro

Walter Delgatti Neto, considerado o líder do grupo de hackers preso ontem, confirmou à Polícia Federal ter sido responsável pela invasão dos celulares de Sergio Moro, Deltan Dallagnol e outras centenas de autoridades dos três poderes. Delgatti está colaborando com as investigações, já virou delator premiado. Ele permitiu que a Polícia Federal tivesse acesso a todos os seus arquivos armazenados em nuvem e confirmou aos investigadores que o material divulgado pelo Intercept é fruto do ataque cibernético. O conspirador americano Glenn Greenwald, editor do site sujo The Intercept, está definitivamente com a sua situação complicada e poderá ser preso. Segundo o hacker Delgatti, houve casos apenas de invasões a celulares, outros de roubo de dados e ainda de sequestro da linha para simular conversas com terceiros.

 

Ao pedir a prisão temporária dos acusados de invadir os celulares de Sergio Moro e demais autoridades, o procurador federal Wellington Divino Marques de Oliveira disse que “a liberdade dos investigados poderia colocar em risco as investigações, bem como permitir a destruição de provas ou evidências acaso o sigilo desta investigação seja comprometido”. Embora o nome do procurador federal Deltan Dallagnol não tenha sido mencionado na ordem de prisões ditada pelo juiz federal Vallisney de Souza Oliveira para prender quatro suspeitos de invadir o celular do ministro Sergio Moro, a Polícia Federal constatou que o grupo também atacou o aparelho celular do chefe da força-tarefa da Lava Jato. A investigação sobre os celulares de procuradores de Curitiba, porém, é conduzida pelo Ministério Público Federal no Paraná, sob supervisão da Procuradoria Geral da República.

Além dos quatro suspeitos de acessar as mensagens de Sergio Moro, a Polícia Federal também identificou um homem de cujo celular teriam partido ligações para o número do celular do ministro Sérgio Moro — artifício que permitiu a clonagem. Trata-se de Anderson José da Silva. Segundo a Polícia Federal, era quem estava cadastrado no sistema da empresa BRVOZ, que permite modificar o número do celular que faz a ligação — no caso, para copiar o número do ministro, enganar o Telegram e obter o código de acesso para as mensagens. Anderson José da Silva também, segundo a Polícia Federal, efetuou ligações para o desembargador Abel Gomes (do TRF-2), para o juiz federal Flávio Lucas (da 18ª Vara Federal do Rio de Janeiro) e para os delegados federais Rafael Fernandes e Flávio Vieitez Reis (ambos de São Paulo).

O ministro Sergio Moro acabou de publicar na tarde desta quarta-feira dois tuítes sobre a prisão dos acusados de invadirem seu celular e os de outras autoridades. No primeiro, o ministro da Justiça elogia o trabalho da Polícia Federal e critica os divulgadores das mensagens roubadas: “Pessoas com antecedentes criminais, envolvidas em várias espécies de crimes. Elas, a fonte de confiança daqueles que divulgaram as supostas mensagens obtidas por crime”. No segundo, Moro diz ser “preocupante”, na decisão do juiz Vallisney de Oliveira, a referência a “5.616 ligações efetuadas pelo grupo com o mesmo modus operandi”.

Ao pedir a prisão temporária dos acusados de invadir os celulares de Sergio Moro e demais autoridades, o procurador Wellington Divino Marques de Oliveira disse que “a liberdade dos investigados poderia colocar em risco as investigações, bem como permitir a destruição de provas ou evidências acaso o sigilo desta investigação seja comprometido”. Ao pedir o bloqueio de possíveis bens dos acusados de invadir os celulares de Sergio Moro e demais autoridades, o procurador Wellington Divino Marques de Oliveira sustentou que “existem indicações robustas, nos autos, quanto a autoria e a materialidade dos delitos, de modo que o lapso temporal pode permitir aos investigados dilapidar possíveis recursos frutos do crime”.O pedido foi aceito pela Justiça.

A Polícia Federal considera que os invasores do celular de Sergio Moro utilizaram uma vulnerabilidade comum das operadoras de telefonia. Consiste em uma falha segundo a qual “as chamadas de um número de origem é igual ao número do destino são direcionadas diretamente para a caixa postal, sem necessidade de inserção de senha de acesso ao conteúdo das mensagens gravadas”, conforme a descrição da Polícia Federal. Por meio de uma tecnologia chamada VOIP, da empresa BRVOZ, os suspeitos clonaram o número de telefone do ministro. A Polícia Federal então conseguiu rastrear os cadastros dos quatro que foram presos ontem na Operação Spoofing.

Na decisão que mandou prender quatro acusados de invadir celulares de Sergio Moro e demais autoridades, o juiz Vallisney de Souza Oliveira descreveu como a autoridade policial chegou aos supostos hackers: “O Telegram permite que o usuário solicite o código de acesso via ligação telefônica com posterior envio de chamada de voz contendo o código para ativação do serviço Web, cuja mensagem fica gravada na caixa postal das vítimas. O invasor então realiza diversas ligações para o número alvo, a fim de que a linha fique ocupada, e a ligação contendo o código de ativação do serviço Telegram Web é direcionada para a caixa postal da vítima”. Ele continua: “A autoridade policial então adotou a linha investigada de verificar as rotas e interconexões das ligações efetuadas para o telefone que era utilizado pelo Sr. Ministro da Justiça e Segurança Pública, notadamente das ligações que foram originadas do próprio número telefônico da vítima. A edição de números telefônicos pode ser realizada através de serviços de voz sobre IP (VOIP) ou por aplicativos que permitem a modificação do número chamador”.

E conclui: “Assim identificou-se a rota de interconexão com a operadora Datora Telecomunicações Ltda que transportou as chamadas destinadas ao número do Sr. Ministro Sérgio Moro, após ter recebido as chamadas através da rota de interconexão baseada em tecnologia VOIP – que permite a realização de ligações via computadores, telefones convencionais ou celulares de qualquer lugar do mundo (serviço prestado pela microempresa BRVOZ). O cliente/usuário da BRVOZ utilizando a função ‘identificador de chamadas’ pode realizar ligações telefônicas simulando o número de qualquer terminal telefônico como origem das chamadas”.
Foi após a análise desse sistema e logs da BRVOZ que a autoridade policial conseguiu identificar todas as ligações efetuadas para o telefone de Sergio Moro. Com base nos registros fornecidos pelos provedores de internet, identificaram os moradores dos endereços onde estariam localizados os IPs de onde partiram os ataques.

O juiz Vallisney de Souza Oliveira também determinou que três empresas que operam bitcoins informem se os quatro suspeitos de invadir o celular de Sergio Moro têm carteiras de investimentos. Serão notificadas a Foxbit, a Brasiliex e o Mercado Bitcoin, para repassar à Polícia Federal e ao Ministério Público o saldo e possíveis movimentações financeiras de compra e venda de criptomoedas desde 1º de janeiro de 2018 até hoje. O juiz Vallisney de Souza Oliveira determinou também a quebra do sigilo telemático dos envolvidos. Ele oficiou diversas empresas. “Oficiem-se às empresas Apple Computer Brasil Ltda, Google, Uol/Bol e Microsoft para que forneçam os dados cadastrais, os registros IP de acesso e Mac address dos últimos seis meses, além de todos os dados e arquivos em nuvem e armazenados referentes às contas de e-mail indicadas”.

Na decisão em que manda prender os quatro suspeitos de invadir celulares de Sergio Moro e outras autoridades, o juiz Vallisney de Souza Oliveira justifica o pedido de quebra do sigilo telemático dos supostos hackers. “Considerando que os e-mails em questão foram utilizados pelos investigados para a prática criminosa, é indispensável o afastamento do sigilo telemático de tais contas e o envio das informações requeridas”, diz o juiz. Após admitir que seu cliente, Gustavo Santos, viu mensagens interceptadas do ministro Sergio Moro, o advogado Ariovaldo Moreira afirmou não acreditar que Walter Delgatti Neto, conhecido como “Vermelho”, esteja no centro do esquema que atacou aparelhos telefônicos de investigadores e magistrados que atuam na Lava Jato. Mas está. Na decisão do juiz Vallisney de Souza Oliveira, as prisões temporárias dos hackers são classificadas como “essenciais para colheita de prova”.

Na sua decisão, o juiz Vallisney de Oliveira afirma que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, mapeou 424 mil reais em transações suspeitas na conta Gustavo Henrique Elias Santos, um dos presos na operação Spoofing. A mulher de Gustavo, Suelen Oliveira, também registrou transações atípicas no valor de 203 mil reais, entre março e maio deste ano. Diz o magistrado: “Com efeito, há fortes indícios de que os investigados integram organização criminosa para a prática de crimes e se uniram para violar o sigilo telefônico de diversas autoridades públicas brasileiras via invasão do aplicativo Telegram”. Walter Delgatti Neto, preso pela Polícia Federal, mostrou as mensagens roubadas de Sergio Moro para seu parceiro Gustavo Elias Santos. O relato foi feito pelo advogado deste último, Ariovaldo Moreira, que disse: “Mostrou para se vangloriar e dizer que tinha certo acesso”. A Polícia Federal apreendeu R$ 100 mil em espécie na residência do casal Gustavo Henrique Elias Santos e Suelen Priscila de Oliveira. Além do dinheiro, a Polícia Federal apreendeu celulares e um notebook.

Presos ontem, os quatro suspeitos de terem invadido os celulares de Sergio Moro e Deltan Dallagnol estão em celas separadas ,As principais perguntas que a Polícia Federal está fazendo aos hackers presos são: a) alguém pagou para que eles invadissem os celulares de Sergio Moro, Deltan Dallagnol e demais autoridades?; b) se pagou, quem pagou?; c) se foi pago, quanto pagou?; d) se foi pago, como pagou?; e) foi um serviço oferecido ou sob encomenda?; e) se foi oferecido, quando isso ocorreu?; f) se foi encomendado, quando isso ocorreu?: g) o período de hackeamento vai de quando a quando?; h) quem publicou participou da negociação? O hacker Walter Delgatti Neto tentou demonstrar influência na polícia e no Judiciário para inibir as ações dos agentes que cumpriam uma ordem de busca e apreensão em sua residência. Em 2015, ele foi acusado por uma adolescente à época de ter abusado dela. O auto circunstanciado que registra a diligência, de 15 de abril daquele ano, narra que os policiais bateram na porta de seu apartamento em Araraquara várias vezes. Sem resposta, a arrombaram e dentro de um dos quartos, encontraram Walter dormindo. “Walter calmamente informou que já havia visto o mandado, dizendo ainda, sarcasticamente: ‘Eu estava esperando por vocês’.

Ao ser inquirido como sabia o teor do mandado, Walter respondeu que era ‘uma pessoa influente’ e que havia recebido tal documento escaneado, em seu notebook, há dois dias, alegando que ‘tinha amigos no Fórum e policiais’, disse ser amigo de um ‘promotor’, mas não quis dizer o nome”, relatou o documento. Walter mencionou o nome de uma juíza, de um policial civil e falou que conhecia o filho de um vereador de São Paulo. “Walter ainda disse ser ‘investidor’ e que tem uma conta em um banco da Suíça, motivo pelo qual ele fez várias viagens por ano, para aquele país e para a Europa”, registrou a polícia. Na busca, a delegada responsável encontrou vários medicamentos de uso controlado, receitas médicas falsas e uma carteira falsificada de estudante de medicina da USP. Dois anos depois, Walter foi preso novamente, após ser denunciado por tráfico de entorpecentes e falsificação de documentos em razão do episódio. Em 2015, Walter Delgatti Neto foi acusado por uma adolescente, menor de idade à época, de tê-la dopado, fazer sexo com ela, filmar tudo no celular e em seguida mostrar o vídeo a seu irmão, que era namorado da garota.

A história foi contada pela adolescente em março daquele ano na delegacia de Araraquara, que registrou tentativa de estupro e, no caso do irmão, Wisllen Francisco Delgatti, ameaça e lesão corporal contra ela. Após ver o vídeo, Wisllen teria aparecido na casa da adolescente, e segundo relato dela, tentou enforcá-la, bateu sua cabeça contra a quina da parede, deu-lhe um soco na boca e um chute nas pernas. Levada por ele à casa da avó dela, onde sua mãe se encontrava, foi novamente ameaçada na frente da família. O relato levou a polícia a fazer uma busca na casa de Walter em abril. Ele foi preso e depois denunciado por tráfico de entorpecentes. No mesmo dia da prisão, a adolescente apareceu na delegacia e mudou sua versão. Disse que fez sexo espontaneamente, para se vingar de Wisllen, e que este também não teria a agredido. As lesões seriam de uma briga ocorrida antes. A delegada que a ouviu registrou que ela “aparentava estar bastante preocupada e com pressa em mudar sua versão dos fatos”. Fica evidente que os conspiradores do The Intercept envolveram-se com uma quadrilha de bandidos cibernéticos capazes de qualquer coisa.

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