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Há 44 anos, Israel promoveu a espetacular Operação Entebbe, que resgatou mais de 110 reféns de terroristas

O ataque de Entebbe, em 4 de julho de 1976, é lembrado como um ponto alto da guerra antiterror em geral e da contribuição israelense para esse campo em particular. O ataque envolveu audácia surpreendente, inteligência precisa e pontual, grande coragem e habilidades militares profissionais da mais alta ordem.

Continua sendo um assunto de estudo em institutos militares em todo o mundo. Menos atenção foi dada à natureza precisa do inimigo que Sayeret Matkal, da IDF (Força de Defesa de Israel), e outras forças enfrentaram naquela noite no aeroporto de Uganda. Isso merece ser retificado.

A força que executou o seqüestro do vôo 139 da Air France, em rota de Tel Aviv para Paris, em 27 de junho de 1976, representou a borda afiada de uma intrincada estrutura. Incluídos nesse nexo estavam os principais grupos militantes palestinos, organizações de esquerda radicais alemãs e, por trás deles, o apoio logístico e material da URSS e vários estados árabes aliados.

A equipe terrorista que realizou o seqüestro foi oficialmente alinhada com uma organização que se autodenomina Frente Popular de Libertação da Palestina – Operações Externas (PFLP-EO). Esse longo conjunto de iniciais obscurece tanto quanto revela. A equipe de quatro pessoas consistia em dois árabes palestinos e, famosos, dois alemães, um homem e uma mulher.

Os palestinos, Jayel al-Arja e Fayez Abdul-Rahim al Jaber, eram altos funcionários da PFLP. Os alemães, Wilfried Bose e Brigitte Kuhlmann, eram membros de uma rede paramilitar de extrema esquerda na Alemanha conhecida como Células Revolucionárias.

Os quatro se juntaram a mais seis agentes da PFLP em Entebbe. Os quatro seqüestradores e três dos seis que se juntaram a eles foram mortos na noite de 4 de julho. A presença de dois alemães entre os seqüestradores mortos pela IDF na Operação Thunderbolt no aeroporto de Entebbe é um dos elementos mais conhecidos de todo esse episódio.

O contexto de como essas pessoas – proprietário de uma livraria e ex-educador, residentes de Frankfurt am Main – passaram a estar presentes no aeroporto é menos familiar. Investigar o contexto organizacional e as biografias dos seqüestradores de Entebbe oferece uma janela fascinante sobre as políticas da Europa pós-guerra e da Guerra Fria, o movimento nacional palestino nascente e talvez também as patologias não resolvidas da Alemanha em relação aos judeus.

O PFLP-EO, liderado pelo Dr. Wadie Haddad, às vezes é descrito como uma “ramificação” ou “lasca” da mais conhecida Frente Popular de Libertação da Palestina (PFLP). Haddad, um cristão palestino nascido em Safed, em 1927, era um associado próximo do fundador da PFLP George Habash. Ambos eram médicos e graduados da Universidade Americana de Beirute.

Quando Habash fundou a PFLP após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, Haddad se tornou o líder de sua ala militar. Nos anos seguintes, ele liderou uma série de ataques de alto nível contra alvos israelenses e jordanianos, incluindo os seqüestros de campo dos Dawson em setembro de 1970 e o seqüestro de um avião da El Al, em 1968.

Várias contas solidárias à PFLP afirmam que, em algum momento no início dos anos 70, Wadie Haddad foi expulso da organização e continuou a operar no campo do terrorismo internacional, usando o nome PFLP-EO. A razão citada para sua suposta expulsão é o efeito negativo dos eventos de campo dos Dawson na posição dos palestinos na Jordânia. Os motivos dessa alegação são bastante óbvios. A PFLP era e continua sendo parte integrante da OLP. A OLP, por sua vez, estava e está envolvida em diplomacia internacional e atividade política formal. A associação aberta a uma organização que se dedicou ao ataque deliberado de civis e da aviação civil, a escolha de judeus como vítimas e a associação com terroristas anti-semitas alemães não seriam propícias ao sucesso desses empreendimentos.

Nenhuma prova foi apresentada para a suposta “expulsão” de Wadie Haddad da PFLP. Antes, todas as evidências sugerem que o PFLP-EO era uma frente convenientemente negável para o próprio PFLP.

A tática de apresentar o elemento terrorista internacional dentro de uma organização como separado dela é familiar. O movimento palestino maior do Fatah o empregou de maneira semelhante com a criação da organização fictícia do “Setembro Negro” durante o mesmo período para disfarçar as atividades do Fatah no mesmo campo de terror internacional.

Quando Haddad morreu em 1978 (como resultado de um envenenamento bem-sucedido pelo Mossad de Israel), ele recebeu um grande funeral pela PFLP em Bagdá, em abril daquele ano. Nenhuma menção foi feita a qualquer divisão do movimento. O porta-voz da organização, Bassam Abu Sharif, elogiou Haddad como “membro fundador” da PFLP. Ele descreveu Haddad como tendo “responsabilidade direta do ramo de operações especiais na PFLP. Ele era o líder das operações especiais contra o inimigo.

Os documentos do Comitê de Segurança do Estado da URSS, mais conhecido como KGB, traduzidos secretamente do arquivo da KGB pelo dissidente soviético Vladimir Bukovsky em 1992, apóiam ainda mais a alegação de que qualquer distinção entre a PFLP e a organização de Haddad é falsa.

Em um documento datado de 23 de abril de 1974, o então chefe da KGB, Yuri Andropov, descreve Haddad como “membro do Politburo da Frente Popular de Libertação da Palestina (PFLP), chefe da seção de operações externas da PFLP”. O documento refere-se ao pedido de ajuda de Haddad para a PFLP da URSS para suas operações externas e recomenda uma resposta positiva.

Outros documentos no arquivo indicam que esta assistência seria prestada. Eles também descrevem Haddad como ele próprio um agente da organização de inteligência soviética: “O agente de inteligência da KGB W. Haddad, chefe da seção de operações externas da Frente Popular de Libertação da Palestina, recebeu uma remessa de armas e munições produzidas no exterior (53 submetralhadoras, 50 revólveres, incluindo 10 equipados com silenciadores, 34.000 cartuchos de munição)”.

Vasili Mitrokhin, um ex-arquivista sênior da KGB que desertou para o Reino Unido em 1992, confirmou que Haddad foi recrutado como agente pelos soviéticos em 1970. Portanto, o primeiro e importante elemento a ser entendido em relação ao seqüestro do voo 139 é que ele foi realizado pela PFLP, que era e continua sendo parte integrante da OLP. O segundo ponto a ser observado é que, no momento do seqüestro, a PFLP recebia ajuda e assistência da União Soviética. Assim, pode-se razoavelmente suspeitar que a URSS estava ciente dos planos para a operação, embora isso não possa ser afirmado com certeza.

Os documentos da KGB citados acima observam que o armamento destinado à PFLP foi entregue no Golfo de Áden. Essa área ficava nas águas territoriais da República Democrática Popular do Iêmen. O Iêmen do Sul era um estado árabe alinhado aos soviéticos, o único estado árabe a se declarar comunista. Era o centro da atividade secreta da URSS no mundo árabe.

Entre as atividades que ocorreram no solo do Iêmen do Sul, havia programas de treinamento militar para militantes de várias organizações que deveriam participar de operações terroristas e paramilitares como parte da rede internacional administrada por palestinos e financiada pelos soviéticos.

Entre os indivíduos que se formaram nesse programa de treinamento em 1974-1975, havia dois jovens alemães da causa palestina – Wilfried Bose e Brigitte Kuhlmann.

Como esses dois jovens radicais esquerdistas alemães encontraram seu caminho para uma ligação ao terror internacional apoiado por dinheiro e logística soviéticos? Está muito longe das livrarias e cafés de Frankfurt am Main, até os campos de treinamento do Iêmen do Sul e depois até o terminal do aeroporto de Entebbe.

O que os colocou nessa jornada? Bose e Kuhlmann foram membros fundadores de uma violenta organização radical de esquerda alemã chamada Revolucionária Zellen, ou Células Revolucionárias. Este grupo foi uma das três organizações armadas que emergiram dos remanescentes da Nova Esquerda Alemã no início dos anos 70. Os outros dois eram a facção do Exército Vermelho mais conhecida (ou “grupo Baader-Meinhof”) e o movimento anarquista de 2 de junho.

As células revolucionárias diferiam um pouco dos outros dois grupos, pois não procuravam criar um quadro subterrâneo de ativistas comprometidos em tempo integral. Em vez disso, a RZ empregava uma estrutura celular fracamente organizada, na qual os membros continuavam suas vidas regulares, participando ao mesmo tempo das atividades do grupo.

Isso levou a que eles fossem descritos ironicamente pela polícia alemã e por seus colegas esquerdistas como “revolucionários do fim de semana”. A natureza frouxa e descentralizada do movimento, no entanto, serviu bem para evitar a detecção e o desmantelamento pelas autoridades.

Como resultado dessa abordagem, a vida de Bose e Kuhlmann no ano ou dois anteriores ao seqüestro consistia em uma combinação de ativismo esquerdista com atividades ocultas ocasionais. Bose, amigo do famoso terrorista venezuelano Ilich Ramirez Sanchez (“Carlos, o Chacal”), era uma figura bem conhecida na cena da esquerda de Frankfurt. Ele foi co-fundador da editora “Roter Stern” (Red Star), que mantinha um escritório e livraria na Holzhausen Strasse na cidade.

Kuhlmann, que era namorada de Bose, morava em uma casa comunal mantida por Roter Stern em seus escritórios e trabalhava para a editora enquanto estudava meio período na Universidade de Frankfurt. É interessante notar que Joschka Fischer, futuro ministro das Relações Exteriores da Alemanha, foi outro dos habitantes da cena esquerdista de Frankfurt na época.

Mas, apesar da natureza em tempo parcial e das armadilhas boêmias desses jovens radicais, as células revolucionárias não eram meramente “poseurs”. Desde o início, Bose, Kuhlmann e os outros se colocaram à disposição dos grupos terroristas palestinos para assistência em infraestrutura e logística em solo alemão.

Nesta base, de acordo com o Prof. Jeffrey Herf em seu livro “Undeclared Wars with Israel”, citando do testemunho de Hans Joachim Klein, um desertor posterior do grupo, as Células Revolucionárias ofereceram acomodação e ajuda logística à organização do Setembro Negro (negável do Fatah equivalente ao PFLP-EO) durante o ataque à delegação israelense nas Olimpíadas de Munique em 1972.

O grupo de Bose segmentou diretamente as metas israelenses na Alemanha. Eles atacaram um escritório de viagens israelense em Frankfurt em 26 de agosto de 1974. Em 8 de fevereiro de 1976, eles bombardearam os escritórios da Israel Bonds em Berlim.

As células revolucionárias também visavam abertamente figuras da comunidade judaica na Alemanha. Nisso, eles seguiam um padrão de indiferença prática em relação àquela suposta distinção entre anti-semitismo e anti-sionismo, que era sua posição oficial.

Segundo o testemunho de Hans-Joachim Klein, as Células Revolucionárias colocaram Heinz Galinski e Ignatz Lipinski, líderes comunitários judeus em Berlim e Frankfurt, respectivamente, em uma lista de indivíduos a serem assassinados.

Até o caçador de nazistas Simon Weisenthal, segundo Klein, foi proposto por Wilfried Bose como alvo de assassinato.

As células revolucionárias se beneficiaram da assistência financeira direta da PFLP no momento. Segundo Klein, Wadie Haddad pagou 3.000 marcos alemães por mês a cada membro na Alemanha Ocidental.

Vários outros países – Itália, EUA, França, Holanda e Reino Unido, entre eles – testemunharam o surgimento de pequenos grupos armados dentre as fileiras de apoiadores da Nova Esquerda. Todos esses grupos eram pró-palestinos. Todos apoiaram o terror palestino. Nenhum deles visava instituições da comunidade judaica (ou mesmo de Israel) com um nível de foco e intensidade semelhante ao de seus companheiros alemães.

O novo direcionamento à esquerda das instituições judaicas domésticas na Alemanha não foi invenção do grupo de Bose e Kuhlmann. Sua primeira instância ocorreu em 9 de novembro de 1969, quando o “Tupamaros West Berlin”, de acordo com um livro de 2006 do autor alemão Wolfgang Kraushaar, tentou detonar uma bomba em um centro comunitário judeu em Berlim Ocidental, onde se reuniam 250 pessoas para relembrar a Noite dos Cristais, promovida pelos nazistas contra os judeus. Há também fortes indícios de que um ataque culposo à casa dos judeus da terceira idade em Munique, em 13 de fevereiro de 1970, em que nove moradores morreram, foi realizado por indivíduos emergentes da esquerda radical. Ninguém nunca foi cobrado por esses eventos.

O seqüestro do vôo 139 da Air France foi, portanto, o trabalho de uma rede que reuniu armas e assistência logística soviética, organizações nacionalistas palestinas, estados árabes alinhados com a URSS e jovens europeus motivados por uma mistura de radicalismo de esquerda que mal escondiam sua hostilidade a judeus. A estrada que levava ao seqüestro seria inatingível sem o envolvimento de todos esses elementos em várias etapas ao longo do caminho.

A conduta de Wilfried Bose e de Brigitte Kuhlmann, particularmente, durante o curso do seqüestro, estava alinhada com a orientação descrita acima. Kuhlmann, a ex-educadora de Hannover que se voluntariava para trabalhar com crianças com deficiência mental em seu tempo livre, foi lembrada universalmente por sua crueldade e fúria em particular durante o sequestro e no subsequente encarceramento dos reféns. O seqüestro incluiu a separação de reféns israelenses e judeus de passageiros não israelenses e não judeus.

Nesse sentido, vale ressaltar as recentes alegações de que essa seleção incluía apenas judeus israelenses. Tais alegações são falsas. É inquestionável que pelo menos 10 judeus não israelenses foram obrigados pelos seqüestradores a se juntar ao grupo de 84 israelenses. Também é incontestável que vários cidadãos de Israel e judeus não-israelenses conseguiram, através de subterfúgios, ingressar no grupo que foi libertado. Esses dois fatos sugerem, sem surpresa, que os seqüestradores não foram capazes de averiguar com certeza forense a identidade etno-religiosa de todos os seus reféns.

Mas a presença involuntária indiscutível de vários judeus não israelenses entre os reféns refuta a noção de que os seqüestradores também não visaram pessoas dessa descrição entre os passageiros. Essa indiferença benigna teria sido totalmente fora de caráter para os membros das células revolucionárias, dada a sua segmentação conhecida de judeus não israelenses na Alemanha.

No evento, quase todos os reféns, israelenses e não israelenses, foram resgatados. A longa jornada de Bose, Kuhlmann e seus colegas terminou em seu encontro com a Unidade de Reconhecimento do Pessoal Geral das Forças de Defesa de Israel (IDF) no Terminal do Aeroporto de Entebbe em 4 de julho de 1976.

A estrutura que executou o seqüestro do vôo 139 parece bastante distante agora. A União Soviética não existe mais. A República Popular do Iêmen do Sul logo a seguiria. As Células Revolucionárias, famintas de seus fundos, desapareceram em 1991. A PFLP permanece nos negócios em menor grau.

Há muito que as organizações do Islã político são ofuscadas pelas organizações do islamismo político como a face mais ativa da militância palestina. Alguns jovens europeus ainda estão atraídos pela questão palestina.

Muitos se voluntariaram para servir a organizações pró-palestinas no período 2000-2004. Poucos, porém (em contraste com seus camaradas islâmicos), hoje parecem inclinados a pegar em armas pela causa.

No entanto, vale lembrar que, há 44 anos, os esforços conjuntos de uma sombria rede internacional reunindo os recursos de uma superpotência, o território de um estado árabe, as estruturas de um grande movimento político palestino e as crenças e complexos de vários dos radicais alemães de esquerda estavam envolvidos na caça deliberada de civis israelenses e judeus em todo o mundo. “Quando a experiência não é mantida, a infância é perpétua”, nas palavras do filósofo espanhol George Santayana. Aqueles que não conseguem se lembrar do passado são condenados a repeti-lo.

A israelense Operação Entebbe foi uma espetacular missão de resgate contraterrorista levada a cabo pelas Forças de Defesa de Israel no Aeroporto Internacional de Entebbe em Uganda no dia 4 de julho de 1976.

Uma semana antes, em 27 de junho, uma aeronave da companhia aérea Air France com 248 passageiros havia sido sequestrada por membros da Frente Popular para a Libertação da Palestina e das Células Revolucionárias da Alemanha e desviada para Entebbe, o principal aeroporto de Uganda.

O governo local apoiou os sequestradores, que receberam as boas-vindas do ditador Idi Amin. Os sequestradores separaram os israelenses e judeus dos outros passageiros e tripulação, forçando-os a entrar em outra sala. Naquela tarde, 47 reféns não-israelenses foram libertados. No dia seguinte, 101 reféns não-israelenses foram libertados e partiram a bordo da aeronave da Air France. Mais de cem passageiros israelenses e judeus, junto com o piloto Michel Bacos (não-judeu), permaneceram reféns e foram ameaçados de morte.

A missão foi originariamente denominada de “Operação Thunderbolt”, depois, foi rebatizada como “Operação Yonatan”, em homenagem ao comandante do contingente militar, o tenente-coronel Yonatan Netanyahu (irmão do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu), único militar israelita morto em combate. Porém, ficou mundialmente conhecida como “Operação Entebbe” (nome do aeroporto).

Essa foi a missão mais famosa da unidade de forças especiais de elite, Sayeret Matkal, cujas atividades consiste em tempos de paz, em desenvolver constantemente táticas, formação e treinamento para outras forças especiais antiterroristas estrangeiras, como o SAS (Reino Unido), GSG 9 (Alemanha), entre outros. Foi a primeira vez que Israel mostrou-se ao mundo, no que toca a uma intervenção antiterrorista, longe da pátria. Dessa forma mostrou que Israel estava no topo no combate contra o terrorismo, na vertente militar.

O drama dos reféns começou, no dia 27 de junho de 1976, com o sequestro de um Airbus A300 da Air France, que fazia a ligação Tel Aviv-Paris, com escala em Atenas (Grécia), levando 258 pessoas a bordo.

Pilotado pelo comandante Michel Bacos, o avião francês decolou do Aeroporto Internacional Ben Gurion às 8h59, chegando em Atenas às 11h30. Desembarcaram 38 passageiros e embarcaram outros 58, entre os quais, os quatro sequestradores. O total a bordo era, então, de 246 pessoas, mais a tripulação.

Vinte minutos após o meio-dia, o avião já cruzava os céus novamente rumo ao seu destino final, Paris. Oito minutos após a decolagem, enquanto as aeromoças preparavam-se para servir o almoço, os terroristas assumiram o controle do avião. Eram quatro, dois dos quais possuíam passaportes de países árabes (Jalil al-Arja e Abdel-Latif Abel-Razek al-Samrai), um do Peru com o nome de A. Garcia (na verdade, Wilfried Böse) e uma mulher do Equador de nome Ortega (na verdade, Brigitte Kuhlmann), estes dois últimos, posteriormente identificados como membros de uma das Células Revolucionárias (em alemão, Revolutionäre Zellen) – rede de grupos militantes armados da Alemanha Ocidental, sendo que o mais conhecido desses grupos foi o Baader-Meinhof. Os quatro terroristas haviam vindo do Kuwait pelo vôo 763 da Singapore Airlines e iam com destino a Bahrein. Entretanto, ao desembarcar em trânsito (na Grécia), os quatro dirigiram-se ao check-in do vôo da Air France.

As autoridades aeroportuárias em Israel e a estação de controle da Air France perceberam que perderam contato com o vôo AF 139 alguns minutos após a decolagem em Atenas. Os ministros de Transporte e da Defesa, que participavam da reunião semanal do gabinete com o primeiro-ministro Yitzhak Rabin, foram imediatamente informados. Apesar de não saber ainda o que acontecia a bordo, o setor de operações das Forças de Defesa de Israel (FDI) preparou-se para um eventual pouso da aeronave em Lod, onde situava-se o Aeroporto Internacional Ben Gurion.

Por volta das 14 horas do dia 27 de junho, o Airbus comunicou-se com a torre de controle do aeroporto de Bengasi, na Líbia, solicitando combustível suficiente para mais quatro horas de vôo, além de pedir que o representante local da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) fosse encaminhado ao local. Na verdade, uma parte dos sequestradores era ligada a uma dissidência da FPLP baseada no Yemen, liderada pelo Dr. Wadie Haddad. Às 15 horas, a aeronave aterrissou em Bengasi e apenas uma mulher foi libertada. Ela conseguiu convencer os terroristas e um médico líbio que estava grávida e sob risco de aborto. Na verdade, estava indo para o enterro de sua mãe em Manchester, Inglaterra.

Em Israel, terminada a reunião, o primeiro-ministro convocou ao seu gabinete alguns ministros – Shimon Peres, da Defesa; Yigal Allon, das Relações Exteriores; Gad Yaakobi, dos Transportes; e Zamir Zadok, da Justiça. Fosse qual fosse o desfecho da história, esses homens teriam que tomar decisões e estavamse preparando para isso, pois já sabiam que dentre os passageiros havia 77 de nacionalidade israelense.

Foi estabelecida uma rígida censura aos meios de comunicação para que não divulgassem listas de passageiros e para impedir a veiculação de informações que pudessem, de alguma maneira, ajudar os sequestradores. Iniciaram-se, também, contatos com os familiares dos viajantes. Em Bengasi o avião permaneceu seis horas e meia, durante as quais foi reabastecido – “por preocupação humanitária do governo líbio para com os passageiros”, segundo o coronel Muamar Kadafi, presidente da Líbia.

Às 21 horas e 50 minutos, o Airbus partiu de Bengasi, voando à noite em direção ao sul, sobre o Saara líbio e o Sudão, afastando-se cada vez mais do Oriente Médio, e chegando ao aeroporto de Entebbe, por volta das três da manhã do dia 28 de junho. Os reféns foram então conduzidos para o prédio do antigo terminal do aeroporto. Em Israel, as unidades da FDI, em alerta no aeroporto, receberam ordens para retornar às suas bases. O que aconteceria dali em diante não exigiria medidas especiais em território israelense.

Na terça-feira, dia 29 de junho, uma mensagem vinda de Paris, que primeiramente foi divulgada pela rádio de Uganda, revelou os objetivos dos sequestradores: a libertação até às 14 horas do dia 1º de julho de 53 terroristas – 13 detidos em prisões da França, Alemanha Ocidental, Suíça e Quênia, e 40 em Israel. Caso suas reivindicações não fossem atendidas explodiriam o avião com todos os passageiros.

Israel, a nação mais afetada, havia sempre deixado claro que nunca negociaria com o terrorismo e que estava preparado para derramar o sangue de seus cidadãos a fim de se ater a seus princípios. Em maio de 1974, por exemplo, terroristas tinham sequestrado os alunos de uma escola de Maalot, na Galileia; as Forças de Defesa de Israel (FDI) invadiram o edifício e fuzilaram os pistoleiros, mas à custa de 22 crianças mortas. Em Entebbe, entretanto, parecia impossível que Israel reagisse, pois apenas 105 reféns eram judeus – e o governo israelense seria criticado pela opinião pública mundial se pusesse em risco a vida dos outros.

Na quarta-feira, 30 de junho, França e Alemanha afirmaram que não soltariam os terroristas, posição que se supunha seria a mesma de Israel. A França, no entanto, revelou uma certa flexibilidade ao anunciar que seguiria a posição do governo israelense que, até então, mantinha-se em compasso de espera, aguardando o desenrolar dos acontecimentos.

As dúvidas que pairavam sobre as autoridades israelenses eram duas: Uganda seria o destino final dos sequestradores ou apenas uma escala para abastecimento? E como estaria reagindo o governo de Idi Amin Dada, ditador de Uganda, diante dos acontecimentos – seriam anfitriões hostis ou parceiros ao sequestro? Afinal, desde 1972, as relações entre Israel e Uganda haviam se deteriorado muito, pois o governo israelense havia se recusado a fornecer aviões a jato F-4 Phantom II ao país, sabendo que Uganda pretendia usá-los para bombardear os vizinhos Quênia e Tanzânia. Na ocasião, Idi Amin expulsou todos os israelenses do país.

Oficialmente, o governo de Uganda adotou uma atitude neutra em relação aos sequestradores, mas na realidade eles eram bem-vindos. Líderes palestinos encontravam-se no aeroporto para receber o avião, bem como unidades do Exército de Uganda. Era evidente a colaboração de Idi Amin com os terroristas. Soube-se, depois, que outros integrantes da Frente Popular para a Libertação da Palestina foram transportados de Mogadíscio, na Somália, para o terminal em Uganda onde estavam os sequestradores e seus reféns, no jato particular do ditador. As dúvidas estavam, portanto, dissipadas. Caberia, agora, Israel elaborar um plano de resgate que pudesse levar à solução do impasse num exíguo prazo.

Curiosamente, na mesma quarta-feira (30/06), foram os próprios terroristas que desperdiçaram sua maior vantagem. Sem atinar para as implicações de seu ato, separaram os reféns não-israelenses e, aparentemente em um gesto de consideração para com os outros países, permitiram que 47 reféns – exceto cidadãos israelenses –, retomassem sua viagem para a França. O capitão Bacos e sua tripulação recusaram-se a acompanhar o grupo, afirmando que não abandonariam os demais passageiros. Uma freira francesa também insistiu em ficar, mas foi impedida pelos terroristas e pelos soldados ugandenses.

A libertação de alguns reféns foi a evidência cada vez maior de que o principal alvo dos terroristas era pressionar Israel, aumentando a tensão no país e a pressão dos familiares para que o país atendesse às exigências dos sequestradores.

Nos círculos militares e altos escalões do governo, reuniões e mais reuniões eram realizadas, além do levantamento de informações feito pela Inteligência em busca de dados que pudessem ser úteis a uma eventual ação de resgate. Novos nomes integraram-se às reuniões entre as FDI e os ministros, entre os quais, o general brigadeiro Dan-Shomron, 48 anos, chefe dos pára-quedistas e oficial de infantaria; o general Benni Peled; e Ehud Barak, vice-diretor do Serviço de Inteligência das FDI.

A confirmação dada pelos reféns soltos, meticulosamente entrevistados pelos serviços secretos da França e de Israel, de que o governo de Idi Amin estava apoiando os terroristas, foi fundamental para as medidas que seriam tomadas por Israel a partir de 1º de julho, quinta-feira, quando, 90 minutos antes de expirar o prazo dado pelos sequestradores, o gabinete se reuniu e aprovou o início de negociações com os terroristas. Estes, por sua vez, afirmaram não estar interessados em negociações e sim no atendimento de suas reivindicações, estendendo o prazo até às 14 horas do dia 4 de julho.

Nesse 1º de julho, o Serviço de Inteligência descobriu que o aeroporto de Entebbe havia sido construído por uma empresa israelense – Solel Boneh, o que possibilitaria o acesso às plantas originais do local. Cada vez mais, após intensos encontros com oficiais do exército, Peres convenceu-se de que a opção militar era possível e que era apenas uma questão de tempo para que todas as peças do quebra-cabeça se encaixassem. A princípio os israelenses trabalharam com três opções:]

1ª) umm lançamentos de pára-quedistas no Lago Vitória e um silencioso desembarque em Entebbe usando barcos de borracha;

2ª) um cruzamento em grande escala do Lago Vitória, partindo da margem queniana – usando barcos que poderiam ser alugados, emprestados ou simplesmente roubados;

3ª) um pouso direto em Entebbe, seguido de um assalto rápido e uma remoção imediata dos reféns por ar por forças especiais da unidade Sayeret Matkal.

As duas primeiras opções foram rapidamente descartadas, uma vez que, após libertar os reféns, os israelenses iriam depender da ajuda de Idi Amin ou da intervenção da ONU para sair de Uganda – hipóteses que, devido àquela conjuntura, eram praticamente impossíveis de se alcançar sem um significativo número de baixas. Sendo assim o assalto direto a Entebbe seria a opção adotada.

O General-Brigadeiro Dan-Shomron foi nomeado comandante da missão em terra e Yonatan (Yoni) Netanyahu, comandante da unidade Sayeret Matkal, comandante da força-tarefa que a executaria. Uma réplica do antigo terminal de Entebbe foi construída para simulação da operação, com base nas plantas obtidas junto à Solel Boneh e em fotografias aéreas, e os comandos começaram a treinar.

Enquanto isso, o grupo de reféns libertados chegava a Paris. Traziamm duas informações essenciais para Israel: a primeira, de que haveria menos pessoas para resgatar; a segunda, de que apenas israelenses estavam sendo mantidos como reféns, além da tripulação, o que, para o governo, significava que os sequestradores possivelmente acabariam matando a todos, mesmo que suas exigências fossem atendidas.

Na sexta-feira, 2 de julho, os chefes dos comandos da missão, então denominada “Thunderbolt”, apresentam os planos detalhadamente para Shomron. Duas horas depois, Yoni reuniu-se com os oficiais para as ordens finais, antes de mais uma simulação na réplica do aeroporto, incluindo o pouso dos aviões nas pistas sem iluminação de Entebbe. O ensaio levou 55 minutos, do momento em que o avião aterrissou até a sua decolagem. A preocupação maior entre todos os envolvidos era obter o máximo do “elemento-supresa”.

O ponto fundamental do plano era fazer aterrissar em Entebbe, no meio da noite, quatro aviões Hércules C-130 de transporte, que descarregariam tropas da unidade Sayeret Matkal e veículos. Para evitar que os aviões fossem detectados, o primeiro Hércules seguiria imediatamente atrás de um avião de carga inglês cujo vôo regular era esperado no aeroporto de Entebbe.

As tropas que realizariam a ação em terra estavam divididas em cinco grupos de assalto:

Grupo de Assalto 1: encarregado da segurança da pista e dos aviões (era formado por 33 médicos que também eram soldados);

Grupo de Assalto 2: tomar o edifício do antigo terminal e libertar os reféns;

Grupo de Assalto 3: tomar o edifício do novo terminal;

Grupo de Assalto 4: impedir a ação das unidades blindadas de Idi Amin (estacionadas em Kampala, a 37 quilômetros de distância) e destruir os aviões de combate ugandenses MiG 17 e MiG 21 estacionados no aeroporto, para impedir uma possível perseguição.

Este grupo também iria cobrir a estrada de acesso ao aeroporto, pois sabia-se que o Exército ugandense tinha tanques T-54 soviéticos e carros blindados OT-64 tchecos para transporte de tropas estacionados na capital.

Grupo de Assalto 5: evacuar os reféns, conduzindo-os para o C-130 Hercules que estaria à espera e seria reabastecido no local ou em Nairóbi, no vizinho Quênia – um dos poucos países africanos amigos de Israel.

Na medida do possível, tudo foi feito para eliminar os riscos. Sabia-se, por exemplo, que Amin uma vez chegara no aeroporto de Entebbe em um Mercedes preto escoltado por um Land Rover, e veículos como esses foram embarcados no Hércules que iria à frente, com o objetivo de confundir os ugandenses nos vitais primeiros minutos. Na madrugada do dia 3 de julho, sábado, Motta Gur telefona para Shimon Peres e o informa que os homens estão preparados e que a operação pode ser executada.

No Aeroporto Internacional Ben Gurion os aviões começaram a levantar vôo a partir das 13h20 do dia 3 de julho, porém, tomaram direções diferentes, a fim de não chamarem a atenção. Até esse momento, a missão de resgate ainda não havia sido formalmente aprovada pelo gabinete israelense. A partida dos aviões fora autorizada pessoalmente por Rabin, senão não haveria tempo hábil para sua execução.

Enquanto os ministros se reuniam para analisar as possíveis alternativas para a situação, incluindo a possibilidade de o país atender às exigências dos terroristas, os aviões aterrissaram em Sharm el Sheikh, na região do deserto do Sinai, para abastecer, e partiram novamente rumo a Uganda, voando em direção ao sul, a baixa altitude sobre o Mar Vermelho para não serem detectados por sistemas de radares. Foi a partir desse momento que o plano foi revelado ao Conselho de Ministros, que autorizaram a continuação da operação.

O primeiro ponto fundamental do plano era aterrissar o primeiro Hércules imediatamente atrás do avião de carga inglês que estava sendo esperado em terra, pois este não apenas absorveria a atenção dos operadores de radar ugandenses como também encobriria o ruído feito pelos aviões israelenses. A precisão tinha de ser absoluta – e foi.

Sete horas depois da decolagem, a força israelense aproximava-se de Entebbe, em um céu carregado de chuva, sempre na escuta do comandante inglês, que recebia as instruções da torre de controle. O C-130 Hercules de Shomron colocou-se exatamente atrás do cargueiro. O Hércules líder levava a força de resgate, chefiada pelo Tenente-Coronel Yoni. Também levava dois jipes e o famoso Mercedes preto, uma cópia perfeita do carro pessoal do ditador Idi Amin Dada. Dois C-130 Hercules adicionais levavam reforços e tropas destinadas a executar missões especiais, tais como destruir os MiGs estacionados nas proximidades. Um quarto C-130 Hercules foi enviado para evacuar os reféns.

O grupo aéreo também incluía dois Boeing 707. Um funcionava como posto de comando. O outro, equipado como um hospital aéreo, aterrissou em Nairobi, no vizinho Quênia. Os C-130 Hercules foram escoltados por um F-4 Phantom II até onde foi possível – cerca de um terço da distância. Circundando uma tempestade sobre o Lago Vitória, os C-130 Hercules aproximaram-se do final de um vôo de 7 horas e 40 minutos. Porém, esperava-os uma surpresa: as luzes da pista estavam ligadas! Mesmo assim, aterrissaram sem serem detectados às 23h01 (hora local), apenas um minuto depois da hora prevista.

Após a aterrisagem, o primeiro C-130 Hercules, pilotado pelo Coronel Shani, seguiu para uma área mais escura da pista e, enquanto o cargueiro inglês taxiava, o Mercedes e dois Land Rover desceram a rampa, transportando 35 membros da força-tarefa, entre eles Netanyahu, que iria tomar de assalto o velho terminal. Detalhe: os militares que iam no Mercedes estavam vestidos com uniformes ugandenses. Os operadores de radar não perceberam o intruso e nenhum alarme foi dado. Por esse erro, seriam logo depois executados pelo enraivecido e humilhado Idi Amin.

Em outro local, dez membros da brigada de infantaria Golani saltaram do avião e espalharam sinais para orientar a aterrissagem das outras três aeronaves, que se aproximavam rapidamente.

Porém, os ugandenses logo perceberam a farsa e a 100 metros do terminal duas sentinelas, com metralhadoras apontadas, ordenaram ao carro que parasse. Netanyahu e outro oficial abriram fogo com pistolas dotadas de silenciador, atingindo um dos homens, e o grupo seguiu em frente até uns 50 metros do edifício. A partir daí, os israelenses foram a pé.

Os reféns estavam todos deitados no salão principal e muitos dormiam. Quatro terroristas haviam sido deixados montando guarda, um à direita, dois à esquerda e um no fundo do salão. Todos estavam de pé e puderam ser identificados devido às armas que portavam.

Apanhados de surpresa, foram mortos imediatamente, e o grupo de assalto subiu pelas escadas. Os reféns advertiram que havia mais terroristas e soldados ugandenses no andar de cima. As ordens eram para tratar os ugandenses como inimigo armado, se abrissem fogo; caso contrário, seriam poupados. Mas para os terroristas não haveria misericórdia. Diversos deles foram eliminados à queima-roupa enquanto dormiam. A ação no terminal antigo durou três minutos.

Sete minutos depois que o primeiro C-130 Hercules aterrissou, o segundo pousava, seguido pelo terceiro e pelo quarto. Logo que as rampas eram baixadas, jipes e veículos de transporte saíam em disparada, atravessando a pista. O grupo comandado pelo coronel Matan Vilnai assaltou o edifício do novo terminal, que havia sido apressadamente abandonado pelos ugandenses. As tropas de Amin pareciam totalmente confusas e incapazes de esboçar uma reação coerente. A única resistência determinada vinha da torre de controle, de onde partiu a rajada que feriu mortalmente Yoni Netanyahu, postado do lado de fora do velho terminal. Mas a unidade de Vilnai eliminou esse núcleo de oposição graças ao fogo concentrado de metralhadoras e lança-granadas.

O grupo do coronel Uri Orr encarregou-se do embarque dos reféns no avião que os aguardava. Por sua vez, a equipe que tinha ordens de eliminar os MiGs 17 e 21 ugandenses, levou poucos minutos para transformar onze deles em bolas de fogo com rajadas de metralhadoras. O último dos quatro C-130 Hercules, com Shomron a bordo, partiu de Entebbe às 00h30 do dia 4 de julho – 90 minutos depois de o primeiro ter aterrissado.

Após uma breve escala em Nairóbi, para reabastecimento e a transferência dos feridos para o avião hospital, os reféns e os militares iniciaram o vôo de volta a Israel, por volta das 4 horas da madrugada do dia 4.

Apesar de todos os esforços dos médicos – então chefiados pelo coronel Ephraim Sneh, Yoni Netanyahu não resistiu aos ferimentos e morreu. Do lado israelense os mortos foram quatro: Yoni e três reféns – dois faleceram no fogo cruzado com os terroristas e uma senhora de idade, Dora Bloch, que havia sido transferida para um hospital de Uganda e que posteriormente foi assassinada por ordem de Idi Amin. Dos 13 terroristas envolvidos no sequestro, os oito que estavam no aeroporto foram mortos, entre os quais Böse e Kuhlmann. Os demais, segundo Shomron, estavam fora do aeroporto. Morreram ainda 35 ugandenses na operação. Além disso, um número incerto de soldados ugandenses e autoridades civis do aeroporto foram, posterioremente, executadas por ordem de Idi Amin em virtude dos efeitos morais da operação sobre o governo ugandense.

Nas primeiras horas da manhã do dia 4 de julho, o C-130 Hercules pilotado por Shani sobrevoou Eilat e desceu em uma base da Força Aérea Israelense na região central do país. Enquanto os reféns foram atendidos pelas equipes de terra, as unidades de combate descarregaram seus equipamentos. Em seguida, retornaram às suas bases e às suas funções de rotina, afastados da euforia que tomou conta de Israel e da admiração e respeito que haviam conquistado em todo o mundo pelo que haviam feito naquela noite. Ainda no dia 4, ao meio-dia, um C-130 Hercules aterrissou no Aeroporto Internacional Ben Gurion. De suas portas traseiras, 102 pessoas – homens, mulheres e crianças – correram em segurança para se reunir a seus familiares e amigos. (Jerusalem Post)

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