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Guia para temporada mais agitada de IPOs do Brasil desde 2007

Um dos países mais atingidos pela pandemia de coronavírus, o Brasil está vendo o maior número de ofertas iniciais de ações em mais de uma década. De construtoras a varejistas, cinco empresas brasileiras devem fixar o preço de seu IPO, na sigla em inglês, entre 27 de julho e 7 de agosto, o número mais alto para um período de duas semanas desde 2007, segundo dados compilados pela Bloomberg. A Vasta, unidade de educação básica da Cogna, fará uma oferta na podendo levar esse número a seis. O fenômeno ressalta a dissonância entre os mercados acionários em alta ao redor do mundo e uma catástrofe sanitária global.

As empresas que adiaram ofertas no início da turbulência agora correm para aproveitar a demanda ressurgente, diante do cenário de ampla liquidez. “As empresas estão preocupadas que essa janela possa ser relativamente curta devido à desconexão entre os níveis do mercado e o estado da economia real”, disse Pablo Riveroll, diretor de ações para América Latina da Schroders, em Londres. Enquanto as ações brasileiras subiram 64% em relação ao piso de março, a economia do país deverá encolher quase 6% neste ano, segundo pesquisa Focus. Globalmente, o cenário para IPOs é misto. O total de ofertas iniciais atingiu US$ 83,1 bilhões nos últimos três meses, ante US$ 68,5 bilhões no mesmo período do ano passado, com a China representando quase metade do total, segundo dados compilados pela Bloomberg. O número de transações, no entanto, caiu de 423 para 370. No Brasil, apesar de um número recorde, o volume de recursos é modesto. As cinco empresas podem levantar cerca de R$ 7,9 bilhões — o mesmo valor que a Lojas Americanas captou sozinha em sua oferta subsequente há duas semanas. Fundos locais e investidores de varejo que devem sustentar boa parte da demanda. Os estrangeiros compraram cerca de 36% das ofertas locais no primeiro semestre do ano, ante 47% no mesmo período do ano passado, segundo dados da B3. “As empresas estão aproveitando a oportunidade para refinanciar dívidas e investir em crescimento futuro — ou ambos”, disse Malcolm Dorson, que ajuda a administrar cerca de US$ 950 milhões em fundos de mercados emergentes na Mirae Asset Global Investments, em Nova York. Entre as próximas ofertas, há a da Quero-Quero, varejista de material de construção que tem o fundo de private equity Advent como acionista há mais de um década, o Grupo Soma, que deu prejuízo nos três primeiros meses do ano, e a d1000, uma unidade da Profarma — empresa listada desde 2006 e que acumula 70% de queda desde o IPO.

Abaixo, a lista de IPOs anunciados:

Riva 9 – Unidade da Direcional, a Riva 9 é uma incorporadora focada em residências de média renda que fará uma oferta primária. Tamanho estimado: Com base no topo da faixa de preço indicativa (R$ 19,00), a empresa poderia levantar até R$ 1,5 bilhão, se os lotes adicionais e suplementares forem totalmente vendidos. Data para fixação do preço: 28 de julho

Grupo Soma – Criado em 2014, o Grupo Soma é dono das marcas de moda Farm, Animale e Maria Filó e fará uma oferta primária e secundária. Tamanho estimado: Com base no topo da faixa de preço indicativa (R$ 11,00), a oferta poderia movimentar até R$ 2 bilhões, se os lotes adicionais e suplementares forem totalmente vendidos. Data para fixação do preço: 29 de julho

You Inc – A incorporadora You Inc e o seu acionista controlador Abrão Muszkat vão vender cerca de 48 milhões de ações da compania, que opera principalmente na cidade de São Paulo.
Tamanho estimado: Com base no topo da faixa de preço indicativa (R$ 23,50), a oferta poderia movimentar até R$ 1,3 bilhão, se o lote suplementar for totalmente vendido. Data para fixação do preço: 3 de agosto

d1000 – Unidade do grupo Profarma, a rede farmácias fará uma oferta primária para financiar expansão. Tamanho estimado: Com base no topo da faixa de preço indicativa (R$ 20,32), a empresa poderia levantar até R$ 645,6 bilhões, se os lotes adicionais e suplementares forem totalmente vendidos. Data para fixação do preço: 6 de agosto

Quero-Quero – Varejista de material de construção, a Quero-Quero e o fundo de private equity Advent vão vender ações na oferta. A transação pode oferecer uma saída ao fundo, que pode desinvestir completamente sua fatia de 88,1% na empresa. Tamanho estimado: Com base no topo da faixa de preço indicativa (R$ 14,00), a oferta poderia movimentar até R$ 2,5 bilhões, se o lote suplementar for totalmente vendido. Data para fixação do preço: 6 de agosto

Pague Menos – A Pague Menos é a terceira maior rede de farmácias do Brasil em número de lojas. Itaú BBA, Credit Suisse, XP Investimentos, Santander Brasil, JPMorgan e BB Investimentos lideram a oferta. Tamanho estimado: Com base no topo da faixa de preço indicativa (R$ 12,54), a empresa pode levantar até R$ 1,3 bilhão, se o lote suplementar for totalmente vendido. Data para fixação do preço: 31 de agosto

Outras transações esperadas:
Vasta – Subsidiária de ensino básico da Cogna, a Vasta fará uma oferta na Nasdaq. Tamanho estimado: Com base no topo da faixa de preço indicativa (US$ 17,50), a oferta poderia movimentar até US$ 374 milhões, se o lote suplementar for totalmente vendido

Lavvi – Construtora focada em média e alta renda. Foi criada em 2016 como uma joint venture entre Cyrela e RH Empreendimentos.

Plano & Plano – Uma joint venture entre Cyrela, Rodrigo Luna e Rodrigo Fairbanks Von Uhlendorff.

2W Energia – Empresa de energia, quer levantar recursos para investir em energia eólica, segundo a Reuters.

Nortis- Construtora Nortis e acionistas vão vender ações na oferta. Empresa foi criada por ex-executivos da Even.

Caixa Seguridade – Unidade de seguros da Caixa Econômica Federal, teve sua abertura de capital adiada em março.

One Innovation – Incorporadora e acionistas pretendem vender ações na oferta.

Melnick – Construtora Even contratou BTG Pactual, Itaú BBA, XP Investimentos e Banco Safra para potencial oferta de ações de sua subsidiária.

Maestro – Locadora de veículos disse no começo de julho que estava estudando uma oferta de ações.

Hidrovias do Brasil – Os acionistas da empresa de logística se reúnem em 03 de agosto para discutir uma potencial oferta primária e secundária.

Surf – Operadora de telefonia móvel, empresa estuda listagem no Brasil ou nos Estados Unidos.

Cury – A incorporadora Cury, que também tem a Cyrela como acionista, retomou planos para uma oferta.

Subsidiárias da Cosan – A Cosan disse que pode preparar suas principais subsidiárias operacionais e companhias co-controladas para eventuais IPOs como parte de sua reorganização societária. (Money Times e Bloomberg)

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