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Governo Bolsonaro quer unir concessão e leilão de energia solar para viabilizar integração do São Francisco

O governo conta com a energia solar para baratear os custos da integração do Rio São Francisco e viabilizar, depois de anos, a operação do projeto. A idéia é unir, em um mesmo leilão, a concessão para operação e manutenção da transposição de águas do rio e a geração de energia solar na área do Velho Chico.

Como a energia elétrica necessária para bombear a água pelos canais do São Francisco corresponde a cerca de 70% do custo do projeto, a aposta é que a utilização da energia do sol, mais barata, ajude a reduzir esse custo. O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, disse que a expectativa é que o casamento dos dois projetos possa reduzir a tarifa da água transportada em 25%.

“Não sei se é possível, estudos estão sendo realizados, mas essa é a meta”, disse. Para o ministro, sendo a mesma concessionária para operar o projeto e a geração fotovoltaica, a empresa tentará ao máximo otimizar a utilização da energia solar gerada, a fim de baratear os custos da operação do projeto. Inaugurado parcialmente em 2017, o empreendimento ainda requer a finalização de obras para operar de forma integral.

Segundo Canuto, a intenção é finalizar os estudos para o novo leilão até o final deste ano, com lançamento do edital previsto para o terceiro trimestre do ano que vem, e início da operação concedida em meados de 2021. O plano é que a conta da operação do projeto seja arcada pelos Estados beneficiados pelo projeto: Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.

O projeto de transposição do Rio São Francisco já custou mais de R$ 10 bilhões – com previsão de totalizar R$ 12 bilhões – e entrou na carteira do PPI em agosto deste ano, através de decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro. A intenção é justamente dar uma resposta viável para a operação do empreendimento, para que os Estados realmente possam arcar com a conta. Apesar de os estudos que vão orientar a modelagem de parceria privada escolhida não estarem concluídos, Canuto trabalha com a hipótese da concessão e já vê o projeto como forte atrativo para a iniciativa privada.

O ministro lembra que empresa que assumir o serviço terá duas fontes de receita: da venda da energia gerada e da distribuição da água bruta. De acordo com Canuto, a vazão outorgada firme do projeto é de 26,4 metros cúbicos por segundo, com uma demanda de 72,2 MW médio. A região, no entanto, tem potencial que ronda entre 280 e 300 MW médio, disse o ministro. “Isso faz com que você não só consiga produzir a energia necessária para fazer o bombeamento, reduzindo drasticamente o custo, como possa vender esse excedente, e ser aproveitado dentro das linhas de transmissão que existem”, disse.

Outro aspecto positivo avaliado pelo ministro é a infraestrutura das linhas de transmissão e subestações, suficientes para dar conta da geração adicional. A escolha da concessão deve seguir o critério da menor tarifa de transporte da água oferecida. Pelos cálculos do governo, a utilização das águas da transposição do Rio São Francisco pode custar R$ 800 milhões ao ano. O valor é estimado para quando o projeto estiver com os dois eixos operando, Leste e Norte. Atualmente, apenas o Leste funciona, e ainda em fase de pré-operação. (OESP)

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