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Google diz ter alcançado a supremacia quântica no processamento de dados

O Google pode ter atingido um momento histórico na computação, capaz de revolucionar a forma como computadores operam. A empresa teria atingido supremacia quântica. Ou seja, um de seus computadores quânticos foi capaz de realizar uma operação matemática impossível de ser feita com uma máquina tradicional, o que poderia revolucionar áreas como inteligência artificial e o desenvolvimento de medicamentos.

Na computação clássica, usadas por PCs e smartphones atuais, toda e qualquer informação é armazenada ou processada na forma de bits – que podem ser representados por 0 ou 1. Mas, na quântica, os chamados qubits, ou bits quânticos, podem assumir inúmeros estados entre 0 e 1, em um fenômeno chamado superposição. Isso aumenta exponencialmente a quantidade de informação que pode ser processada.

Enquanto um par de bits tradicionais expressa um tipo de informação de cada vez, os dois bits quânticos expressam quatro estados ao mesmo tempo – 300 qubits expressam um número de estados maior do que o número de átomos do universo.

A pesquisa do Google apareceu no site da Nasa na sexta-feira, mas foi removida na sequência. O estudo do Google aconteceu em um teste específico e bem técnico. O chip quântico, batizado de Sycamore, teria sido capaz de entender em três minutos e vinte segundos o funcionamento de um gerador de números aleatórios, o que demoraria 10 mil anos para ser feito pelo mais potente computador tradicional do mundo, o Summit, da IBM. Apesar das promessas, o computador sempre apresentou desafios notáveis aos pesquisadores.

Os qubits mantém estados quânticos por apenas uma fração de segundos, e a correção desses erros impediram até aqui a implementação ampla dessas máquinas. Além disso, para manter os qubits estáveis e o sistema funcionar, a temperatura tem de ser mantida muito baixa: -272,99ºC (ou 0,01 miliKelvin), temperatura mais baixa que no espaço. Tudo isso faz com que essas máquinas fiquem confinadas apenas a laboratórios especializados. Em março de 2018, o Google anunciou a criação de um processador de 72 qubits, mas sua instabilidade fez a empresa recuar para um de 53 qubits, processador que teria resolvido o problema dos números aleatórios.

A IBM espera trazer a computação quântica ao estágio comercial na próxima década. O Google não mantém uma data, e esperava antes apresentar os primeiros resultados de supremacia quântica. Para a computação quântica resolver problemas reais, como a leitura rápida de códigos criptografados, seria necessário um número de qubits em uma grandeza muito superior aos 53 qubits usados pelo Google. O potencial da computação quântica, entretanto, pode ser enorme no futuro. Essa ciência vai revolucionar a história da humanidade, e a transformação pode ser muito mais profunda do que foi a criação dos celulares.

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