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Gaúcho João Luiz Vargas divulga documento com o histórico do petista Tarso Genro na ditadura militar

João Luiz Vargas, ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, também conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Estado, está divulgando um novo trabalho que produziu como resultado de longa pesquisa que realizou sobre a história pessoal e política do peremptório petista gaúcho Tarso Genro. A pesquisa demandou muitas incursões aos arquivos da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, onde estão preciosos documentos que ainda não foram examinados por pesquisadores. João Luiz Vargas está iniciando o trabalho de divulgação deste documento junto aos municípios, prefeitos, vereadores e lideranças partidárias em todo o Rio Grande do Sul. O documento tem o seguinte título: “Manifesto em defesa da verdade – breve histórico da atuação política e acadêmica do ministro da Justiça Tarso Genro e o regime militar”. João Luiz Vargas recorre, como uma das suas fontes, ao livro “Na Lei ou na Marra”, volume I da obra “Brado retumbante”, do jornalista Paulo Markun, que foi preso pelo DOI-Codi, no final de 1975, quando trabalhava na redação do jornal O Estado de S. Paulo. João Luiz Vargas começa invocando o que diz Paulo Markun na página 248, referindo-se ao encontro nacional da UNE: “O grande confronto aconteceu numa Casa de Retiro pertencente aos monges beneditinos em Vinhedos-SP, entre 27 e 29 de julho de 1967. Na história do movimento estudantil, esse congresso mereceu poucas linhas até agora, ao contrário do seguinte, realizado em Ibiuna. Mas foi ali que se consolidou a idéia de que a luta dos estudantes era, quando muito, uma linha auxiliar no projeto socialista que estava prestes a se processar”.

João Luiz Vargas prossegue com a citação de texto contido na página 249: “muito mais tarde, graças à Lei de Acesso à Informação foi possível saber o que na época só se suspeitava, o Centro de Informações da Marinha, o Cenimar, tinha um ou mais agentes infiltrados no Congresso”. A prova do que afirmou Paulo Markun encontra-se hoje no extenso relatório que trata do encontro da UNE, em dois volumes datilógrafos, de 329 páginas, disponível aos pesquisadores no Arquivo Nacional. Outro documento importante, conforme João Luiz Vargas, para elucidar os passos do petista, está contido em depoimento do Asp. OF. R/2 Horácio João Isaia, contido na página 61 de livro coletânea de histórias contadas por antigos alunos do NPOR Capitão Leite de Castro, do Regimento Mallet, em Santa Maria (RS), recolhidas pelo capitão de artilharia Swami de Holanda Fontes. Diz lá o depoimento do então estudante João Isaia: “Tivemos um fato inédito, pois a formatura de final de curso da nossa turma e da infantaria se realizou no dia 16 de dezembro de 1967, no largo da Praça Saldanha Marinho, bem no centro de Santa Maria, com a cerimônia de entrega de espadas, pelas nossas madrinhas, que receberam como mimo uma espadinha. Nosso baile foi realizado no mesmo dia, no Clube Comercial e na entrada do clube, de guarda, havia de cada lado um canhão KRUPP 75, com o tubo erguido ao máximo, juntamente com nosso famoso canhão La Hite. Sobre as mesas no salão do clube havia a “bomba” representando a artilharia e o “capacete” representando a infantaria. Uma garrafa de champanhe somente sobre as nossas mesas despertou, ainda mais, a rivalidade existente entre as nossas duas turmas. No outro dia o “Jornal A Razão” publicou, na segunda página e na página social, comentários e fotografias a respeito de nossa formatura. Foi nosso colega de turma, Tarso Genro, agora, disputando as eleições de 2002, como candidato a governador do Estado. Certa vez o Tarso sumiu durante uma semana. Depois ficamos sabendo, que o mesmo havia ido participar de um congresso da UNE”. Ou seja, como esse depoimento se refere à turma de 1967 do NPOR de Santa Maria, então não há dúvida histórica de que o “desaparecimento” de Tarso Genro se deveu a ida ao Congresso da UNE em Vinhedo. O curioso é que o regulamento disciplinar do Exército Brasileiro é muito claro sobre faltas ao serviço. O sumiço por dez diz caracterizaria, sem dúvida, um caso de deserção, tratado com a máxima severidade na Justiça Militar, mas nada ocorreu ao petista Tarso Genro. E sequer há registro histórico conhecido até agora sobre o fato.

O jornal A Razão, de Santa Maria, noticiou na página seis do dia 15 de dezembro de 1967, uma sexta-feira, o convite feito à população da cidade pelo general Tacito Gaspar da Silveira, Comandante da Terceira Divisão do Exército, para a cerimônia de formatura dos aspirantes a oficial. Disse a matéria do jornal A Razão sobre a formatura dos aspirantes: “O ato foi presidido pelo General Tácito Theófilo Gaspar de Oliveira, Comandante da 3ª D. E. e, foi prestigiado na cidade, entre as quais destacado pelas altas autoridades damos as presenças do General da Brigada Edmundo da Costa Neves, Comandante da AD/3; do professor José Mariano da Rocha Filho, Reitor Magnífico da Universidade Federal de Santa Maria e Exma. esposa; do Dr. Francisco Alvares Pereira, Prefeito Municipal; do Dr. José Marques da Rocha, Auditor de Guerra da 3ª Auditoria da 3ª Região Militar; do Dr. Gilberto Niederauer Correa, Promotor Público da Comarca de Santa Maria; do Coronel Henrique Beckman Filho, chefe do Estado Maior da 3ª Região Militar representando o General Dioscoro Gonçalves do Vale, Comandante da 3ª R. M, além de outras personalidades. Encerrando a brilhante solenidade de entrega das espadas aos novos oficiais aspirantes R/2, que concluíram os cursos dos NPORs do 7º RI e 3º RO. 105, o Gen. Tácito Gaspar de Oliveira, Comandante da 3ª D. E. pronunciou saudação aos novos aspirantes a oficial, que naquele momento haviam terminado de receber suas espadas das mãos de suas madrinhas. O texto do discurso pronunciado pelo Gen. Tácito é o seguinte: “Jovens aspirantes” – É justa a vossa alegria nesse momento, tivestes que superar obstáculos, suportar noites de vigília, sacrificar horas de lazer, realizar marchas e exercícios, enfrentar o terreno e a inclemência do tempo. Mas vencestes. E o Exército está orgulhoso de poder contar convosco. Sim porque o Exército é a Nação em armas e a sagrada missão de servir a Pátria jamais poderia ser privilégio apenas do soldado profissional. Na ocasião em que cingis vossas espadas concito-vos a guardar bem as lições que aprendestes na caserna. Não esqueçais que há dois tipos de chefia: a autoritária e a persuasiva. A primeira é imposta pela força e pelo terror. A outra leva em conta o respeito à dignidade humana e as características individuais, para impor-se de maneira espontânea e consciente. A chefia militar é do tipo persuasivo e tem por finalidade obter a confiança e a colaboração leal dos subordinados, por forma a conduzi-los a um objetivo determinado. Há, inegavelmente, chefes inatos. Mas, em realidade, a chefia é uma arte, subordina-se a regras e princípios e está, portanto, ao alcance de todos. Lembrai-vos que não basta assumir uma função de comando para ser um chefe. Necessário se torna desenvolver e aprimorar qualidades, dentre as quais se destacam: o caráter; a coragem física e moral; a lealdade para com os chefes e subordinados; o sentimento do dever; o espírito de iniciativa; a capacidade de decisão; a tenacidade e a energia; o entusiasmo e a modéstia; o senso de julgamento e o sentimento de justiça. O aprimoramento dessas qualidades se faz através da autocrítica na caserna, e se afirma pelo conhecimento profundo dos subordinados, pelo preparo profissional e pelo cultivo das virtudes militares. Cuidai dos subordinados, atentai para a vossa boa apresentação; sede exigentes e justos; pontuais e assíduos; não temais assumir responsabilidades; procurai decidir com acerto; dai o exemplo. E quando sentirdes que nem a ambição, nem os desenganos, nem a inveja, nem a riqueza conseguem ofuscar o vosso amor ao Brasil, então sereis realmente um Oficial e um Chefe. O Exército, repito, está orgulhoso de poder contar convosco e vos acolhe de braços abertos. Sede felizes”.

O livro depoimento de formatura da turma de 1967 do NPOR do Regimento Mallet, na página 13, contém uma fotografia dos alunos formandos uniformizados, e o petista Tarso Genro aparece na primeira fila, sendo o terceiro à direita (na foto acima).

João Luiz Vargas volta ao livro de Paulo Markun, citando: “No capítulo “A UNE e o Ceminar” (p. 247 o. cit.) diz Paulo Markun: “O número de estudantes no ensino médio havia aumentado, portanto, muito mais gente batendo às portas da universidade”. Na época, salvo exceções, os exames vestibulares eram individualizados por faculdade. Fazia-se prova apenas para a instituição desejada; não havia a possibilidade de se indicar segunda e terceira opções. Onde havia mais candidatos do que vagas, estas ficavam para os que tinham tirado as melhores notas. Como as listas de aprovados traziam as notas de cada um, surgiam grupos unidos em torno de uma causa que acabou reduzida a uma palavra de ordem de fácil entendimento: “Fomos aprovados; queremos estudar!” A seleção por nota máxima só passaria a ser regra a partir de novembro do ano seguinte, com aprovação da Lei nº 5.540/68, conhecida como Reforma Universitária. A luta dos excedentes conquistou um grande espaço na imprensa, mas dentro do movimento havia uma batalha igualmente intensa, porém muito menos visível: o comando da UNE. “Vários grupos gastavam mais energia combatendo seus rivais do que na busca de uma plataforma comum capaz de superar diferenças”.

O acordo MEC-USAID, foi uma bandeira de luta dos estudantes – contra o acordo, diz Paulo Markun (p.238 o. cit.): “O anúncio de que o Ministério da Educação tinha um acordo com a Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) para implantar o modelo norte-americano nas universidades brasileiras, por meio de uma grande reforma, em março de 1966, provocou uma onda de protestos. O ensino deveria prover hábitos e habilidades técnicas para o trabalho na indústria. O estudante era visto como um recurso a ser explorado em favor da maquina produtiva e de sua formação social, como o desenvolvimento do espírito cívico e de respeito à ordem estabelecida”. A resposta dos principais interessados veio sob a forma de uma passeata em Belo Horizonte, pontilhada de cartazes contra o acordo MEC-Usaid, o imperialismo e a ditadura. Cercados pela policia, os manifestantes abrigaram-se numa igreja, que foi invadida pela polícia. Era o começo de uma escalada. Nos dias seguintes aconteceram passeatas de solidariedade em São Paulo e no Rio de Janeiro, com 2 e 3 mil manifestantes respectivamente. No mesmo dia em que Arena e MDB obtiveram seus registros no TSE, 24 de março de 1966, a imprensa divulgou a primeira notícia de confrontos entre estudantes e polícia, no Rio de Janeiro. Era o início das manifestações de rua que atingiram o ápice em 1968.

Em julho de 1966, no porão de um convento em Belo Horizonte cercado por policiais, trezentos delegados realizaram o 28º Congresso da UNE. Outros duzentos foram barrados pela polícia nas entradas da cidade. A repressão foi tamanha que nem houve plenária. Ainda sobre o papel do Cenimar, João Luiz Vargas cita novamente Paulo Markin, conforme o que está escrito na página 251: “O Ceminar incluiu no relatório a carta de princípios e a carta política, que tinham sido longamente negociadas entre a AP e a Dissidência da Guanabara. A primeira afirmava que a missão dos estudantes era “despertar as demais camadas da população para a luta e contribuir para a unificação do povo, através das mais variadas formas de atuação”. Já a carta política começava com um balanço do que a entidade tinha feito desde o golpe e creditava aos reformistas a totalidade dos erros, a começar pela crença cega nas reformas de base e na possibilidade de uma frente com a burguesia brasileira, inimiga da verdadeira transformação e comprometida com o imperialismo”. Até essa época, a AP (Ação Popular), corrente política da Igreja Católica, que presidia a UNE em 1964, com José Serra, era hegemônica no movimento estudantil. Mas crescia a esquerda derivada da dissidência do Partido Comunista Brasileiro, o PCB. Esses setores se reuniam na chamada Dissidência, a qual se associou mais tarde com a POLOP (Política Operária, grupelho trotskista, ao qual pertenceu na origem a petista Dilma Rousseff). E da fusão desses dois grupos surgiu o POC (Partido Operário Comunista). O bandido petista mensaleiro José Dirceu, que está na cadeia, em Brasília, pertencia à Dissidência do PCB. Conclui o parágrafo Paulo Markun, militante do PCB: “Aprendemos que só nos aliando de fato e cada vez mais com as classes trabalhadoras estaremos fazendo a história caminhar para frente. Aprendemos finalmente que o desenvolvimento da sociedade só é possível através de duras lutas. Para elas começamos a nos preparar”. Nessa época o movimento estudantil tinha se reunido em torno de uma campanha nacional, pela anulação do voto nas eleições. Pelas contas do Ceminar, a AP tinha 171 votos, a aliança entre os dissidentes do PCB e a Polop, 168 votos, a FUP e mais alguns militantes da AP não marxista, 48 votos, e o PCdoB tinha 13 votos. Houve 61 votos em branco. A diretoria, de composição, ficou com quatro nomes da AP, três da ala dissidente do PCB e três da Polop (beneficiada pelo acordo, já que tinha apenas seis votos no plenário). Em outro documento transcrito pelos agentes do Ceminar , a AP apresentava o plano que deveria lhe garantir a liderança da revolução brasileira, seguindo os preceitos de Marx, Engels, Lênin e Mao Tse-Tung e deixando de lado as ideias de Teilhard de Chardin e Emmanuel Mounier, pensadores católicos franceses que tinham influenciado a organização, antes de sua guinada rumo ao marxismo. Conclusões do Ceminar: estavam surgindo novas lideranças e os órgãos de informação desconheciam muitas delas. O movimento estudantil brasileiro, alinhado com a linha cubana, já não tinha qualquer compromisso com a orientação soviética. A Ação Popular, ala dissidente do PCB, Polop, e PCdoB estavam de acordo sobre os propósitos revolucionários. A luta pelo controle do movimento estudantil teve nova batalha em torno da UEE paulista. Catarina Meloni, da AP, e José Dirceu, militante da Dissidência Comunista, foram para a disputa no congresso realizado no Conjunto Residencial da USP (CRUSP), no qual o bandido petista saiu vencedor. Mas sua eleição foi tão tumultuada que, passados meses e meses, os dois concorrentes continuavam se autoproclamando presidentes da UEE.

Nas págs. 248, 249 e 250, de “Brado Retumbante”, o jornalista Paulo Markun, citado por João Luiz Vargas em seu documento, descreve o que teria sido o Congresso da UNE de 1967 (27 a 29 de julho), do qual pouco se fala, mas é tido como mais importante que o de IBIUNA em 1968. Assim relata Markun (p. 24): “O grande confronto aconteceu numa casa de retiro pertencente aos monges beneditinos em Vinhedo-SP, entre 27 e 29 de julho de 1967”. Na história do movimento estudantil, esse congresso mereceu poucas linhas ao contrário do seguinte, realizado em Ibiúna-SP. Mas foi ali que se consolidou a ideia de que a luta socialista estaria prestes a se processar. Quatrocentos delegados vindos de todo o País instalaram-se na casa. Divididos em três comissões, analisaram a situação nacional, a internacional e o movimento estudantil antes de se reunirem na plenária que aprovou a carta de princípios e a carta política da entidade e elegeu sua nova direção. Frei Chico, o prior, admitiu ter alugado a casa para uns cinquenta estudantes que pretendiam discutir temas estudantis, como as anuidades, o acordo MEC-Usaid e os excedentes. Só ao voltar de uma viagem a Santos é que ele teria se dado conta de que havia muito mais hospedes do que a lotação da casa. Também disse que jamais ouvira falar em AP e explicou que tinha dificuldade de compreender siglas como UNE e UEE, pois chegara ao Brasil depois da revolução. O delegado responsável pelo inquérito mostrou-lhe uma foto publicada pelo Jornal da Tarde em que se via um cartaz anunciando que aquele era o 28º Congresso da UNE. O prior reconheceu o salão da casa de retiro e ficou indignado.

O desaparecimento de Tarso Genro do NPOR, citado por seu colega de turma Ten. Horácio João Isaia e o Congresso de Vinhedo/UNE 1967, onde o centro de Informações da Marinha infiltrou informantes, que permitiu saber a programação do Congresso de Ibiúna (1968), facilitando a repressão, insere-se nesse contexto.
Posteriormente Tarso Genro exilou-se na cidade de Rivera (Uruguai), contigua a cidade de Livramento (Brasil), divididas apenas por uma avenida. Em 12 de dezembro de 1966 foi editado o AI-4, convocando extraordinariamente os membros do Congresso Nacional. Em 24 de janeiro de 1967 aprovaram uma constituição incorporando os decretos editados pelo Gov. Castello Branco.

Esta nova constituição foi adotada a partir de 15 de março de 1967, data em que o Presidente Castello Branco passa a faixa presidencial ao Gen. Arthur da Costa e Silva. A constituição de 1967 ampliou a centralização reduzindo a autonomia dos Estados e Municípios. Agregou ainda o AI-5 que ampliava os poderes políticos dos militares com a supressão do Habeas Corpus. Vigorou até 1988, quando foi promulgada a Constituição derivada do poder congressual. Em 7 de dezembro de 1967 foi criada a VPR – Vanguarda Popular Revolucionária. Nesse mesmo dezembro, Tarso Genro concluía sua obrigação no Regimento Mallet.

Era 1968, ano mundialmente conhecido pela revolução dos jovens. No Brasil ficou marcado pela edição do Ato Institucional nº 5 e a Lei nº 5540/68 (Reforma Universitária), elaborada pelo Gen. Meira Mattos e o prof. americano Rudolf Atcon, mentores do acordo MEC-USAID. O Decreto 477, de 26 de fevereiro de 1969, baixado pelo presidente Gen. Arthur da Costa e Silva, conhecido como o AI-5 das Universidades, não pode ser esquecido para analisar as suas consequências no presente, na vida das universidades. A efetividade da ação do regime militar não teria sido possível sem a participação de membros da comunidade acadêmica que atuaram em sinergia com os tecnocratas do governo militar. No Rio de Janeiro, sob o comando do cineasta Arnaldo Jabor, com a participação do artista plástico Carlos Scliar (nascido em Santa Maria), ocorriam passeatas de protesto com a presença de Oscar Niemayer, Clarice Lispector, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Nara Leão, Paulo Autran, Tônia Carrero e Odete Lara. No dia 13 de dezembro de 1968, sexta-feira, as 21h45, foi lido em cadeia de rádio e TV o conteúdo do Ato Institucional nº 5 (AI-5).

Mas, conforme João Luiz Vargas, o perfil do leninista ortodoxo petista Tarso Genro já vinha se desenhando há um bom tempo. Em 1965, em 25 e 26 de setembro, realizou-se em Santa Maria o Congresso da Mocidade Trabalhista. Um dos que mais se salientou foi Tarso Genro. Durante o citado Congresso foi lido um documento que, entre outras coisas, dizia: “…o Governo Castelo Branco é um GOVERNO ANTI POPULAR, GOVERNO MASSACRADOR DAS MASSAS OPERARIAS, GOVERNO BIGORRILHO, GOVERNO INJUSTICEIRO, GOVERNO POR INTERMÉDIO DE BAIONETAS, PROTEGENDO UMA MINORIA DE APROVEITADORES. Governa através de espiões. Governo sem escrúpulos. Homens sem caráter, que viveu pela sombra, pela escuridão da noite, espionando para proteger os gorilas, para proteger a burguesia. É um governo de fome e injustiça. Isto é governo democrático? É governo ditador apoiado palas armas”. João Luiz Vargas aponta que, ao findar o ano letivo de 1965, o petista Tarso Genro publicou um poema de sua autoria no Jornal do Diretório Central dos Estudantes Universitários da Universidade de Santa Maria/RS. Esse poema era intitulado “Canto Solitário aos que querem atravessar a rua” e versava sobre um pseudo espancamento de um estudante universitário, por parte de uma dupla de policiais, “Pedro e Paulo, da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul. Em 1965, em um Jornal do DCEUSM, difundiu o poema intitulado “Canto Solitário aos que querem atravessar a Rua”, do qual entre outros versos transcreve-se o seguinte: “Sete valentes bateram em um covarde estudante/ E taparam sua boca para que o povo não ouvisse os gritos/ Sete valentes bateram em um ou dois covardes, /E assim tem sido / E assim será / Enquanto se continuar dizendo “ignorância sentido” / Enquanto não se reconhecer que o homem / Deve ser respeitado por ser homem e não por ser uma farda”. Era um exemplo de poesia socialista revolucionária, uma porcaria intelectual, imitação barata do dramaturgo alemão Bertold Brecht.

Já acadêmico de Direito, na Universidade Federal de Santa Maria, o petista Tarso Genro participou da “passeata dos bichos” portando cartaz com críticas ao regime militar. Em 17 de maio de 1966, o poeta universitário teve um trabalho selecionado para a “Antologia Poética”, que o Diretório Estadual de Estudantes editava. Luiz Carlos Menezes, estudante, em um depoimento prestado na Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais, declarou que fora convidado a participar do XXVIII Congresso como representante da Faculdade de Medicina (UFRGS). Encontrou entre os estudantes uma sua conhecida de nome Raquel, da Faculdade de Filosofia da UFRGS, desconhecendo seu sobrenome, e mais tarde apresentado a outros estudantes gaúchos como, Tarso Genro e outros estudantes da PUC, cujos nomes não guardou. Declarou ser Tarso da Universidade de Santa Maria/RS. Esse foi o 28º Congresso Nacional da UNE. “Raquel de tal (da FAFI/UFRGS) teria estado presente na reunião e teria sido eleita para um dos cargos da nova diretoria da UNE (Raquel Aranovitch Cunha, da Faculdade de Filosofia da UFRGS) e segundo esta entrevista, “dos 50 que saíram de Porto Alegre, 30 – chegaram em Belo Horizonte e 20 participaram do congresso; 20 foram presos nas barreiras e obrigados a voltar e 10 não conseguiram os contatos necessários na cidade ou perderam-se e trataram de se esconder”.

No documento que se encontra no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, consta a lista dos representantes do Rio Grande do Sul nesse congresso: Raquel Cunha – Faculdade de Filosofia UFRGS – Porto Alegre; Luiz Carlos Menezes – Faculdade de Medicina UFRGS – Porto Alegre; Luiz Carlos Prado – Faculdade de Medicina UFRGS – Porto Alegre; Luiz Agostini – Faculdade de Engenharia da UFRGS – Porto Alegre; Tarso Genro – Faculdade de Direito da UFSM – Santa Maria. Os órgãos de informação do regime militar tinham ampla informação sobre as atividades esquerdistas de Tarso Genro, quando foi tratada a sua admissão para o curso do NPOR em Santa Maria.

João Luiz Vargas descreve que a possibilidade de admissão de Tarso Genro no NPOR, verificada quando de sua apresentação a comissão de seleção, preocupou de imediato o Estado Maior Divisionário. A 1ª seção focalizou a questão, em trabalho apresentado à comissão de seleção quando da visita do comandante da AD3, analisando-a sob o aspecto da Lei do Serviço Militar. Por outro lado, a 2ª seção do EM Divisionário, sobre o assunto, emitiu o seguinte parecer: “Em cumprimento ao vosso despacho exarado no of. nº 1 de 25 de outubro de 1966, Ch da CS nº41, após ter procedido as buscas necessárias e estudado convenientemente, as informações recebidas das Unidades, juntamente com os dados existentes na 2ª seção, tenho a informar o seguinte: “Candidato Tarso Genro: de esquerda, de grande atuação nos meios universitários, onde lidera a ala esquerdista do 1º ano da Faculdade de Direito. Sua incorporação têm as seguintes vantagens: Mediante um trabalho cuidadosamente preparado sob a orientação do Comando da Unidade, poderia ser tentada sua recuperação, o que é no nosso entender, possível e aconselhável pelas seguintes razões; Tem sido observado, que a maioria dos estudantes esquerdistas não presta o serviço militar; Os estudantes considerados esquerdistas ou com tendências a sê-lo, após a prestação do serviço militar, modificam ou melhoram seus conceitos; A quebra ou modificação das suas convicções refletiria no grupo que lidera; Se se mostrar reacionário e agressivo poderá ser excluído, a qualquer momento, durante o curso; Se sua conduta, após a matrícula, não der motivo a que possa ser desligado, poderá ser considerado, ao concluir o curso, reservista de 2ª categoria, com base no aviso nº 40 de 31 de maio de 1966; Ser-lhe-á dada uma chance de recuperação (uma vez que manifestou vontade de prestar o serviço militar) que seria uma tentativa de evitar sua irrecuperabilidade definitiva, o que, fatalmente acontecerá, se lhe for negada a incorporação. Em contrapartida sua incorporação apresenta as seguintes desvantagens: Exigirá do Comandante da Unidade e instrutores do curso medidas especiais no campo da instrução e das informações com o fim de alcançar exitosamente o objetivo que se buscará e neutralizar a influência de suas ideias ou ações, em caso de insucesso; “Esta chefia é de parecer e conveniência a sua incorporação”.

Por ocasião do teste psicológico a que foi submetido, o oficial aplicador do teste verificou que Tarso Genro é “possuidor de um trauma psíquico muito forte e recente”, e admitiu a possibilidade do trauma ser uma consequência da cassação dos direitos políticos de seu pai. O referido oficial opinou favoravelmente a sua incorporação no NPOR por julgar haver possibilidade de recuperação quanto às razões apresentadas. Após a realização de uma reunião no QG/AD3 , da qual participaram o Gen. Adolpho João de Paiva Couto, então comandante da AD/3, o então Cel. Ramão Menna Barreto chefe do E2/3ª-DI , o Cel. Mario de Souza Pinto comandante da 3ª RO.105, o Ten. Cel. Léo Nunes da Silva, então E1 da 3ª-DI, o então Ten. Cel Alexandre Chaves Máximo Amendola, Asst da AD/3, o Ten. Cel. Paulo Emilio Silva Garcia E2/3ª DI e o Cap. Antonio Fernandes da Silva, do 3º RO.105, e oficial aplicador do teste psicológico e quanto as vantagens e desvantagens da sua incorporação foram debatidas, a quase totalidade dos participantes da reunião opinou pela conveniência da incorporação de Tarso no Regimento Mallet, a quem caberia a tarefa de tentar sua recuperação devendo adotar medidas especiais nos setores de instrução e das informações. Na oportunidade o Cel. Mario de Souza Pinto, comandante da 3ª RO 105 tornou seu ponto de vista contrário a incorporação, particularmente devido ao problema psicológico do candidato e por julgar a recuperação de Tarso muito difícil, em face dos poucos recursos humanos e materiais disponíveis na sua unidade, para o cumprimento da missão que lhe estava sendo atribuída. No dia 27 de fevereiro de 1967, no QG/3ª DI, o Cap. Ary Moreira Pinto, instrutor chefe do NPOR, em contato com o chefe da 1ª seção, Ten. Cel. Léo Nunes da Silva, manifestou sua opinião, concordante com seu comandante, apontando as inconveniências da matrícula. Alguns dias depois, o Exmo. Sr. Gen. Julio Maximiano Oliveira Filho, comandante da 3ª DI, transmitiu, pessoalmente, ao comandante do 3ª RO.105 sua decisão determinando a incorporação de Tarso.

Tão logo incorporou no curso preparatório de oficiais da reserva em Santa Maria, acontece o que aparece em relatório apresentado pelo capitão Ary Moreira Pinto, em atenção ao PB nº 189, E2/67, desta DI: “Cerca de dez dias depois da matrícula”, foram levantadas as chapas para eleição da Diretoria do Grêmio do NPOR: foi apresentada apenas uma chapa encabeçada pelo aluno Tarso Genro, o instrutor comandante do NPOR instou para que fossem levantadas outras chapas para que as eleições tivessem sentido mais liberal ou democrático, surgiram então mais três chapas: Tarso Genro capitaneava duas das quatro chapas inscritas. O relatório acrescenta: “O aluno Genro nos seus primeiros dias de permanência no NPOR tem se mostrado pacato, não aparece, não faz perguntas, não cria problemas, seguindo a risca todas as instruções da Direção do Curso, sem qualquer reação, sem demonstrar interesse por qualquer fato relacionado com o curso. Através de um aluno, soube-se que o aluno Genro tem procurado captar a simpatia dos demais companheiros, conseguindo-o com facilidade, visto que sendo o único aluno da Faculdade de Direito, numa turma que inclui 25 estudantes de engenharia e 14 estudantes de cursos pré-vestibulares com vistas ao vestibular de engenharia, foi o mesmo lançado como candidato a presidência do Grêmio em duas chapas embora usando nomes diferentes”.

Por duas vezes oficiais do Regimento deram parte do aluno Tarso por não ter o mesmo lhes feito a continência regulamentar, e ele apresentou a justificativa de não haver visto esses oficiais e não os conhecia; em vista dessa afirmativa, aceitável, foi justificada a falta do aluno. Para o dia 22 de março de 1967 foi determinado aos alunos que apresentassem um trabalho sobre “A realização do Primeiro Governo da Revolução, com vistas ao desenvolvimento do País (indústrias, petróleo, energia elétrica, trabalho e habitação)”. O aluno Tarso Genro apresentou o trabalho. Chamado a presença do Instrutor para justificar a exiguidade do seu trabalho de acordo com sua capacidade intelectual, apresentou um segundo trabalho, onde se percebe claramente a intenção do aluno Tarso em não comprometer-se, mencionando apenas fatos relatados na imprensa do País. O aluno Tarso é conhecido líder estudantil de esquerda, agitador, tendo participado de atividades subversivas através de distribuição de panfletos subversivos, sendo também autor de críticas ao governo da Revolução e publicadas num jornal universitário clandestino, designado “A BRASA”. Tarso Genro acabou respondendo a IPM (inquérito policial-militar) como indiciado, sendo liberado pelo encarregado do mesmo, capitão Henrique Sarmento Soares, ex-instrutor chefe do NPOR. O Capitão Sarmento, segundo declaração do ten. cel. Alexandre Chaves Amendola, restituiu ao aluno Tarso o seu depoimento, alegando ao Ten. Cel. Alexandre, que “não tinha coragem de prejudicar um moço em plena formação que ainda não tinha conhecimento da dimensão do problema em que se envolvera”. Este capital Henrique Sarmento Soares era casado com Gláucia Ustra (Soares), e pai de Marcia Ustra Soares, que veio a ser esposa de Adelmo Genro Filho, o irmão mais velho de Tarso Genro. Como comprova João Luiz Vargas, as famílias Genro e Ustra tinham inter-relacionamento acentuado.

O fato é que, na sequência de observação a respeito do aluno Tarso genro durante o curso foram anotados os seguintes fatos: 1 – Sua atitude em relação ao curso sofreu uma transformação visível; passou a demonstrar maior interesse pelas aulas e com observação das normas de disciplina; 2 – publicou no jornal “A RAZÃO” um artigo sobre “Anne Frank” que, abordando o problema judeu na Alemanha de Hitler, e compara-a a situação que se estabeleceu nos Estados Unidos com relação a violência provocada pelos movimentos racistas; 3 – Foi levantada a ideia de que tivesse participado da reunião da USE-Livre em Porto Alegre; essa ideia não foi confirmada; 4 – Foi recebido pelo Regimento um informe em que constava que Tarso Genro se reunia em sua residência com elementos da antiga UNE, esse informe não mencionava os nomes dos elementos que participavam das reuniões, nem tão pouco as datas em que se teriam realizado tais reuniões; 5 – em 27 de julho foi elogiado pela sua atuação como comandante de uma patrulha noturna que cumpriu um excelente trabalho; 6 – A partir dessa data seu entusiasmo foi duplicado, aumentada sua consideração para com os instrutores, aos quais se dirigia com integral respeito, em atitudes sérias, solicitando sempre esclarecimentos, apresentando indícios de uma integração quase total. Não há simulação em suas atitudes; 7 – Há pouco quando a turma do NPOR se reuniu para escolher o seu paraninfo, homenageados e orador oficial para a festa da formatura, o aluno Tarso Genro foi escolhido, por unanimidade, como orador da turma. Mais tarde fui procurado pelo aluno mencionado o qual se ofereceu para apresentar a turma um motivo que o isentasse da função de orador; Declarei-lhe que não havia necessidade de tal ação e que não estávamos preocupados com esse fato. Destaco a atuação e apresentação desse aluno que tem sido correta até o momento e que não permite ajuizar a sua incompatibilidade para pertencer ao CORE (Corpo de Oficiais da Reserva). Como aluno deste NPOR, Tarso Genro tem demonstrado condições que permitem sua declaração de Aspirante R/2. Do acima exposto sou de parecer que o aluno Tarso Genro tem condições para pertencer ao corpo de oficiais da Reserva do Exército, estando esta minha afirmação na dependência de fatos que poderão ocorrer até o final do curso que se encerrará a 15 de dezembro próximo; 8 – o comandante do 3º/RO. 105 é do seguinte parecer: “O aluno Tarso Genro deve ser convocado para estágio de instrução (45 dias) e que o Regimento Mallet seja a Unidade escolhida para seu estágio”. “É ainda de parecer que Tarso Genro não deva ser convocado para estagio de serviço (um ano)”.
1. Conclusões contidas do Documento do Arquivo Nacional.
a. As observações realizadas pelo instrutor chefe do NPOR do Regimento Mallet, sobre o aluno Tarso Genro e o parecer emitido pelo referido oficial, referendado pelo comandante da Unidade permitem-se chegue a conclusão de que o objetivo pretendido pelo Comando da Divisão foi atingido, pois:
– evitou-se sua irrecuperabilidade definitiva concedendo-se a incorporação;
– durante o curso Tarso Genro, através da mudança de suas atitudes, indícios bastante positivos de estar em recuperação.
b. O estagio de 45 dias que lhe será concedido, após sua declaração de Aspirante, permitirá seja observado por todos os oficiais da Unidade, com quem deverá conviver mais intimamente, e os dados obtidos darão condições ao comandante do 3ª/RO.105, para avaliar, com maior precisão, o estagio de recuperação atingido.
c. o conceito emitido pelo comandante do 3º/RO 105, após o estagio de 45 dias, e a legislação em vigor (Art. A8-DIF), servirão ao Exmo. Sr. Comandante da 3ª/RM para decidir, sobre sua promoção ou não ao posto de 2º Tenente e consequente concessão do estagio de serviço.

No relatório do Arquivo Nacional consta que: Tarso Genro, após frequentar o NPOR adido I/3º RO.105 não demonstrou sinal de recuperação, tanto que continuou suas atividades subversivas; que goza das simpatias de elementos comunistas ou revanchistas; tanto que foi o 2º vereador mais votado do MDB; possivelmente possa ser efetivado numa das secretarias do prefeito eleito de Santa Maria, deve ter seus direitos políticos suspensos, seu mandato de vereador cassado e ser proibido de exercer comissão pública. Ressalte-se que, ao ser declarado Asp. Of. R/2, chamado pelo então comandante do 3º RO. 105, em 1967, afirmou a este se considerar recuperado, pois revera suas ideias e as reformulara.

Em 1968, após ter servido no NPOR, continuou suas atividades subversivas na Faculdade de Direito, distribuindo panfletos “O DEBATE” na Universidade Federal de Santa Maria. Na Convenção do MDB, realizada em setembro de 1968, foi indicado como candidato a vereador. De fato, Tarso Genro foi eleito vereador em pela legenda do MDB, obtendo 1.583 votos, o 2º mais votado da legenda MDB.

Ele renuncia ao mandato alegando não ter condições políticas para continuar. Tarso Genro foi preso dia 03 de novembro de 1970 e liberado dia 04 de novembro de 1970, em Santa Maria/RS, durante a Operação Arrastão. O Superior Tribunal Militar, em sessão de 30-04-1971, por unanimidade de votos, confirmou a sentença do Conselho Permanente de Justiça que havia absolvido o civil Tarso Genro, absolvido em sessão de julgamento realizada no dia 05-05-1970.

Em 30 de janeiro de 1971, redigiu carta intitulada “As minhas razões”, e conta porque buscou exílio no Uruguai, indo morar na cidade de Rivera, a Rua Frutuoso Rivera nº 365, próximo da casa do Inspetor Oscar Chaves e Sra. América Ines Chaves, ambos naturais de São Sepé. No relatório do Arquivo Nacional consta que em 12-03-1971 exilou-se na cidade de Rivera. Os órgãos de investigação suspeitavam que Tarso Genro fosse militante da organização Ala Vermelha do PCdoB, tendo sido ouvido a respeito. De fato, conforme apurado, Tarso Genro era militante do PCdoB, assim como seu irmão Adelminho, casado com a sobrinha do coronel Carlos Alberto Ustra, o “Bandão”. João Luiz Vargas levanta algumas questões em seu documento: 1) por que o general Julio Maximiliano Oliveira Filho, Comandante da 3ª DI, determinou a incorporação de Tarso Genro ao NPOR, contra a vontade do Instrutor Chefe e do Comandante do Regimento Mallet?; 2) por que não teve seus direitos políticos cassados, visto que outros com menor oposição ao regime militar foram? É o caso de Renan Kurtz que amargou dez anos de cassação dos seus direitos políticos; 3) por que o capitão Henrique Sarmento Soares, instrutor chefe do NPOR, cunhado de Carlos Alberto Brilhante Ustra, alegou não ter a coragem de prejudicar um moço em plena formação? 4) por que não voltou a atuar politicamente em Santa Maria (RS)?

João Luiz Vargas recorre também ao depoimento do ex-delegado Romeu Tuma Jr, ex-secretário nacional de Justiça, do Ministério da Justiça, quando o petista Tarso Genro era ministro, que comentou na página 186 o método como o petista agia como autoridade pública: “Alias, é bom lembrar que durante esse episódio que o ministro Tarso Genro disse fazer dossiê contra a dona Ruth Cardoso”. “Após aquela reunião com a CGU, enquanto se desenrolava a questão no âmbito do ministro e do Planalto, no inicio de fevereiro, eu cobrei um relatório sobre o que o Laboratório já havia produzido a respeito do assunto. Na verdade eu joguei verde pois a reunião era para autorizar o inicio dos trabalhos, mas pela conversa, percebi que eles só queriam que eu avalizasse a armação já iniciada. Dito e feito. O responsável me enviou então um breve relatório; pelos dados, podia-se notar que ninguém pararia as atividades daquele importante centro de produção de conhecimento e provas contra o crime organizado, nacional e transnacional, para checar gastos de R$ 50,00 do governo federal. Era mesmo uma dissimulação para se aprofundar nas contas do governo FHC. Tanto é verdadeiro que esses dados que reproduzo jamais foram divulgados, como afirmaram que fariam. Muito ao contrario: só escracharam os da dona Ruth”.

Este tipo de atuação volta a se repetir, conforme João Luiz Vargas, na famigerada operação político-policial denominado Operação Rodin, da Polícia Federal, executada enquanto Tarso Genro era ministro da Justiça, em 2007, e que devastou a Universidade Federal de Santa Maria, com o escrachado objetivo de demolir a imagem de todos os partidos políticos no Rio Grande do Sul e abrir espaço para sua candidatura ao governo do Estado, sem qualquer oposição, o que efetivamente acabou acontecendo, em 2010. João Luiz Vargas aponta que essa operação destruiu o que se constituía, dentro da Universidade Federal de Santa Maria, por meio de fundação de apoio, na construção do maior laboratório brasileiro de análise de acidentes de trânsito. Este assunto é muito sério porque os acidentes de trânsito no País causam prejuízos anuais de muitos bilhões de reais.

João Luiz Vargas conclui seu documento dizendo: “Este é Tarso Genro, um lobo vestido de cordeiro. Como governador do Rio Grande do Sul nada fez e do pouco que fez foi para destruir as finanças do Estado gaúcho. É tão bodoso que durante seu governo abriu uma colheita de arroz irrigado calçando sapatos de pelica, que acabaram sugados pelo barro do local. Quando lancei o livro “Operação Rodin – A Arte de Destruir Reputações”, ele entrou na Justiça do Rio Grande do Sul com uma ação contra minha pessoa. Depois não compareceu a audiências e por fim perdeu. Esse é o ilusionista que reavivou a história do Galo de Flores da Cunha, que de Galo não tem nada. É o Tartufo dos Pampas, personagem de Molière, símbolo da Hipocrisia. A ganancia de Tarso Genro pelo poder não tem limites. Caso necessário, esmaga a cabeça de amigos, explode reputações e pisoteia, com seus cascos ferrados, a Universidade e a cidade que lhe deu abrigo. Tarso Genro é uma réplica do sanguinário e aleijado general franquista Milan Astray, arauto da morte. Tarso Genro, o povo precisa conhecer o teu caráter, para não sofrer a picada do escorpião”.

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