Justiça

Força Tarefa da Operação Lava Jato diz que empresário Walter Faria é “grande operador de propina”

A Força Tarefa da Operação Lava Jato rotulou o empresário Walter Faria, do Grupo Petrópolis, como “grande operador de propina”. Alvo de mandado de prisão da fase 62 da operação, denominada Rock City, Walter Faria mantinha controle de 38 empresas offshore distintas com contas bancárias no EFG Bank de Lugano, segundo a força-tarefa do Ministério Público Federal no Paraná.

A Lava Jato apura o pagamento de propinas disfarçadas de doações de campanha eleitoral realizadas por empresas do Grupo Petrópolis. Segundo a Polícia Federral, o grupo teria auxiliado a empreiteira Odebrecht a fazer pagamentos ilícitos por meio de operações dólar-cabo – troca de reais no Brasil por dólares em contas no Exterior.

De acordo com a Lava Jato, provas colhidas na investigação mostram que Walter Faria, em troca de dólares recebidos no Exterior e de investimentos realizados em suas empresas, “atuou para gerar recursos em espécie para a entrega a agentes corrompidos no Brasil e entregar propina travestida de doação eleitoral no interesse da Odebrecht; e transferir, no Exterior, valores ilícitos recebidos em suas contas para agentes públicos beneficiados pelo esquema de corrupção na Petrobras”.

Os investigadores sustentam que o Setor de Operações Estruturadas, criado pela Odebrecht para o repasse de propinas para agentes públicos e políticos, “sobretudo no esquema criminoso que vitimou a Petrobras”, costumava utilizar três camadas de contas no Exterior em nome de offshores. “Havia ainda, em determinadas situações, a utilização de complexa estrutura financeira de contas no Exterior relacionadas às atividades do grupo Petrópolis”, diz a Procuradoria.

Destaca, ainda, que a investigação está “amplamente fundamentada em diversas provas, incluindo declarações prestadas por investigados que celebraram acordos de colaboração com o Ministério Público Federal”. Segundo o procurador Felipe D’Elia Camargo, “as investigações apontam para um esquema milionário de lavagem de dinheiro em que o grupo Petrópolis atuou em favor da Odebrecht na gestão, disponibilização e destinação de valores ilícitos”. De acordo com Camargo, foram identificados “bens milionários, adquiridos a partir das contas utilizadas para o pagamento de propina, que ainda são mantidos no Exterior”.

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