Polícia

Ex-procurador geral de Justiça Cláudio Lopes ocultou mansão e adquiriu bens com dinheiro de propina

O ex-procurador geral de Justiça do Rio de Janeiro, Cláudio Lopes, foi novamente denunciado pelo Ministério Público estadual. Desta vez, Lopes e sua mulher, Ana Beatriz Crespo Lopes, são acusados de ocultarem uma mansão e adquirirem bens que, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiero, as rendas dos dois “jamais suportariam”. “Cláudio Soares Lopes começou a adquirir bens móveis e imóveis para os quais não tinha o menor lastro lícito, vale dizer, para a aquisição dos quais seus rendimentos normais como membro do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, tampouco os de sua esposa, ou outras rendas declaradas, jamais suportariam”, sustenta o Ministério Público.

Na nova denúncia, apresentada em 3 de fevereiro pela Subprocuradoria-geral de Justiça de Assuntos Criminais e Direitos Humanos, o Ministério Público avança sobre imóveis e bens do ex-procurador geral Claúdio Lopes e da mulher, a advogada Ana Beatriz Lopes. O documento aponta que o casal Lopes, desde 2011, adquiria imóveis e carros sem que as rendas dos dois dessem lastro às compras.

Imóveis e bens comprados em 2011 e 2012:

Casa em condomínio em Búzios – R$ 500 mil
Apartamento em Buenos Aires, Argentina – R$ 119 mil
Carro de luxo (Land Rover) – R$ 82,5 mil
Carro de luxo (Hyundai Santa Fé) – R$ 77 mil

De acordo com o Ministério Público, a casa em Búzios, na Região dos Lagos, foi comprada em janeiro 2011. Do valor declarado pelo imóvel, R$ 500 mil, o casal Lopes pagou R$ 200 mil em espécie. O Ministério Público destaca que a forma de pagamento “despertou estranheza na própria vendedora”. A investigação apontou que o valor pago não só pela casa de praia, mas também outros bens adquiridos pelo casal não apareciam em extratos bancários. Isso levou o Ministério Público do Rio de Janeiro a constatar que a aquisição das propriedades se tratava, na verdade, de uma tática para lavar dinheiro de propina.

Seis dias depois de comprarem a casa em Búzios, o Ministério Público afirma que Cláudio Lopes e a mulher adquiriram um apartamento em Buenos Aires. Da mesma forma, a maior parte do valor do apartamento foi paga em dinheiro e a investigação não detectou retiradas das contas dos acusados destinadas à compra. “Constata-se, portanto, que o acusado Cláudio Soares Lopes, bem como a sua esposa, a acusada Ana Beatriz Crespo Fernandes Lopes, adquiriram, a partir do ano de 2011 e até o ano de 2014, uma série de bens móveis e imóveis, no Brasil e no Exterior, como fruto das quantias espúrias por aquele recebidas em razão dos inúmeros crimes de corrupção por ele cometidos”, afirmou o Ministério Público do Rio de Janeiro.

Também na denúncia é relatado que o casal Lopes, com a ajuda do empresário Carlos Jardim Borges, comprou uma mansão no Condomínio Portobello, em Magaratiba, na Costa Verde, por R$ 7,2 milhões. A luxuosa casa fica no mesmo condomínio onde o ex-governador Sérgio Cabral e outras pessoas ligadas ao governo fluminense mantinham residências de veraneio. O local chegou a ser apelidado de “República de Mangaratiba”, considerando a quantidade de pessoas ligadas ao Poder Executivo estadual que frequentavam o condomínio.

De acordo com o Ministério Público, a residência foi adquirida pelo casal no início de 2014, e permaneceu oculta do patrimônio de Cláiudio e Ana Beatriz Lopes até 2016 – ano que começaram as investigações que resultaram na Operação Calicute. Na ação, foram denunciados Carlos Jardim Borges e o ex-governador Sérgio Cabral. A princípio, o imóvel foi comprado de Carlos Jardim Borges por R$ 850 mil. Depois, segundo o Ministério Público, o casal Lopes fechou um acordo com Carlos Borges para financiar o restante do valor da mansão.

Para o Ministério Público, o objetivo de Cláudio e Ana Beatriz Lopes era tentar “dissimular e dar aparência de licitude à aquisição”. Cláudio Lopes chegou a ser preso, em 8 de novembro, em um desdobramento da Operação Lava Jato. Em dezembro, no entanto, o Superior Tribunal de Justiça concedeu habeas corpus e ele foi solto.

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