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Ex-presidente da propineira Braskem é preso por acusações de corrupção nos Estados Unidos

O ex-presidente da corrupta e propineira Braskem (BRKM3), o executivo José Carlos Grubisich, foi preso nesta quarta-feira em Nova York por acusações de ter participado de um esquema para pagar milhões de dólares em subornos para garantir contratos governamentais. Grubisich foi acusado pelo tribunal federal do Brooklyn de conspiração para violar uma lei de corrupção estrangeira dos Estados Unidos e por conspiração para lavagem de dinheiro. O executivo foi preso pela manhã no aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, e sua defesa apresentou um recurso de inocência ao tribunal à tarde, segundo John Marzulli, porta-voz do gabinete do procurador dos Estados Unidos, Richard Donoghue.

Uma audiência sobre se Grubisich poderá ser liberado sob fiança deve ser marcada mais adiante. O advogado do executivo, Daniel Stein, do escritório Mayer Brown, não pôde ser encontrado imediatamente para comentar. Os promotores disseram no processo que Grubisich não deveria ser libertado sob fiança porque ele apresenta alto risco de fugir dos Estados Unidos.

Grubisich liderou a Braskem entre 2002 e 2008 e ocupou vários cargos na construtora baiana muito corrupta e propineira Odebrecht, principal acionista da companhia. Mais tarde, ele se tornou presidente-executivo da fabricante de celulose Eldorado Brasil, de onde ele saiu em 2017.

Na acusação, os promotores disseram que Grubisich e outros funcionários da Braskem e da Odebrecht participaram de uma conspiração para desviar cerca de 250 milhões de dólares para um fundo secreto, que foi usado em parte para subornar funcionários. O esquema teria ocorrido entre 2002 e 2014, de acordo com o indiciamento. Como presidente da Braskem, Grubisich teria ajudado a encobrir o esquema, falsificando os livros da empresa e assinando certificações falsas à reguladora do mercado de capitais nos Estados Unidos (SEC), disseram os promotores.

Braskem e Odebrecht concordaram em 2016 em pagar um total combinado de 3,5 bilhões de dólares em um acordo com autoridades dos Estados Unidos, Brasil e Suíça para resolverem as acusações de suborno. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos disse na época que cerca de 2,6 bilhões de dólares viriam da Odebrecht e 957 milhões de dólares da Braskem, e que a maior parte do dinheiro seria destinado ao Brasil. Tanto a Braskem quanto a Odebrecht se declararam culpadas de acusações criminais norte-americanas como parte do acordo, que emergiu da operação Lava Jato.

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