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Estudo mostra que a evasão escolar de jovens no Brasil custa 124 bilhões de reais

Em 2017, em razão da falta de engajamento juvenil nas atividades escolares, 1,3 milhões dos jovens 15 a 17 anos não estavam na escola. Desse total, poucos completarão o ensino básico, o que representa uma perda para o Brasil de cerca de R$ 124 bilhões. O custo da evasão escolar e da não conclusão do ciclo básico recai sobre o jovem e também sobre o conjunto da sociedade.

Está consolidada na pesquisa acadêmica a associação positiva entre educação e melhores condições de vida. Pessoas mais escolarizadas se dão melhor no mercado de trabalho, envolvem-se menos com crime, têm saúde mais robusta, desenvolvem famílias mais estáveis e planejadas e engajam-se mais nos assuntos públicos. Entender em que medida essas vantagens podem ser atribuídas à educação isoladamente é um dos grandes desafios dos estudos na área.

A comparação simples de indicadores entre pessoas com e sem ensino médio mistura o efeito da escolaridade com o de outros traços. Jovens que deixam a escola estão expostos a vulnerabilidades que influenciam a decisão de parar de estudar e ao mesmo tempo afetam o horizonte de sua evolução econômica e social. Poucos estudos realizados para o Brasil isolam o efeito da educação desses outros fatores. Alguns sobre os EUA fazem essa diferenciação.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE, em 2017 um trabalhador com ensino médio completo recebia por mês 18% a mais que um empregado que concluiu só o fundamental (R$ 1.727,00 contra R$ 1.409,00). Em estudo recente, Ricardo Paes de Barros estima que a perda salarial média do trabalhador sem ensino médio completo é de R$ 35 mil ao longo da vida. Equivale a cerca de 2 anos de salário de alguém com apenas ensino fundamental concluído.

Dados do sistema prisional brasileiro mostram que 9% dos encarcerados completaram ensino médio, 29% completaram apenas o ensino fundamental e que 61% nem sequer concluíram essa etapa elementar de instrução. Ainda que tais cifras escondam grande desigualdade no acesso ao sistema de justiça, eles indicam que menos escolaridade pode aumentar a chance de a pessoa se envolver em crimes.

Para os Estados Unidos, a mudança de regra na obrigatoriedade do ensino médio em alguns Estados permitiu separar o efeito da educação sobre o crime do efeito de outras condições de vulnerabilidade associadas ao abandono escolar. Os resultados indicam que completar o ensino médio reduz o envolvimento em crimes violentos e contra a propriedade.

No Brasil, 78% das pessoas com ensino médio completo consideram seu estado de saúde bom ou muito bom, enquanto esse percentual é 9 pontos percentuais menor para quem completou apenas o ensino fundamental, de acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE.

Ainda que as evidências do efeito isolado de ter cursado escola sobre as condições de saúde sejam ambíguas, pessoas mais escolarizadas têm menores chances de apresentar doenças crônicas e passam menos dias por ano acamadas. Estimativas para os Estados Unidos mostram que estudar por mais quatro anos reduz a probabilidade de reportar o próprio estado de saúde como ruim em 6 pontos percentuais e diminui à metade os dias de falta no trabalho por razão de saúde.

Paes de Barros se baseia em cálculos de custo social da evasão escolar nos Estados Unidos para estimar o montante no Brasil. As consequências de não concluir o ensino médio transbordam a esfera privada porque trabalhadores mais qualificados são mais produtivos, atraem mais investimentos e demandam menos gastos públicos com saúde, combate ao crime e bem-estar social.

A perda estimada com emprego e renda do jovem sem ensino médio, ao longo da vida, equivale a R$ 49 mil ou 170% da renda per capita. Esse perfil de jovem estimula pouco o desenvolvimento de competências nas pessoas com quem trabalha e atrai menos investimentos.

Para cada concluinte do ensino médio, a redução estimada na criminalidade gera economia de 63% da renda per capita ao longo da vida. A sociedade poupa R$ 18 mil em combate ao crime.

Adultos que não concluem o ensino médio em geral têm piores condições de saúde, o que eleva as despesas médicas e hospitalares, além das faltas no trabalho. O custo para a sociedade da evasão associado à pior condição de saúde é de 97% da renda per capita, ou R$ 28 mil.

Somando apenas essas três parcelas do ônus da evasão escolar, o Brasil perde R$ 95 mil para cada jovem que não completa o ensino médio. Como o contingente de jovens de 15 a 17 anos fora da escola é de 1,3 milhões, a perda total para o País chega a R$ 124 bilhões!

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