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Estados Unidos falam em “ato de guerra” do Irã contra a Arábia Saudita

Em visita a Riad, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, acusou o Irã nesta quarta-feira, 18, de ter realizado um “ato de guerra” com ataques aéreos a instalações de petróleo na Arábia Saudita no fim de semana e disse que os Estados Unidos estão trabalhando para construir uma coalizão para impedir novos ataques. As palavras de Pompeo foram as mais fortes até agora de uma autoridade americana em relação ao ataque de sábado na Arábia Saudita, que prejudicou gravemente a produção do principal exportador de petróleo do mundo e levantou temores de que as tensões entre o Irã e Estados Unidos pudessem se transformar em uma nova guerra. Sauditas contam com baterias de mísseis Patriot, que não conseguiram evitar danos.

Na Arábia Saudita, oficiais militares exibiram o que descreveram como evidência física de que o Irã havia sido responsável pelo ataque. Se os americanos não derem uma demonstração real de retaliação contra o Irã, a Arábia Saudita, aliado leal dos Estados Unidos, se sentirá traída. Os rebeldes houthis no Iêmen, que lutam contra uma coalizão liderada pela Arábia Saudita há mais de quatro anos, disseram que foram responsáveis pelo ataque. É evidente que eles não foram os autores do atentado, é evidente que os drones partiram do Irã, os houthis estão apenas se apresentar como bucha de canhão para o regime teocrático ditatorial dos imãs xiitas do Irã. Autoridades americanas e sauditas disseram que os houthis não tinham a sofisticação nem as armas para executar os ataques, o que é uma obviedade das obviedades.

“Foi um ataque iraniano”, disse Mike Pompeo: “Fomos abençoados por não haver americanos mortos nessa ação, mas sempre que há um ato de guerra dessa natureza, há um risco de que isso possa acontecer”. Pompeo se encontrou com o príncipe Mohammed bin Salman, o líder de fato da Arábia Saudita, para discutir as informações sobre os ataques e ações. Pompeo também deve visitar os Emirados Árabes Unidos nessa viagem de emergência antes de retornar a Washington. Ele negou que os houthis tenham atacado as instalações de petróleo.

“A comunidade de inteligência tem grande confiança de que não eram armas que estariam na posse dos houthis”, disse Pompeo. “Pelo quanto que sabemos, o equipamento usado é desconhecido no arsenal dos houthis”. Antes, em Riad, o Ministério da Defesa da Arábia Saudita exibiu o que descreveu como detritos do local do
ataque e vídeos de câmeras de vigilância no local. “Esse ataque foi lançado do norte e foi indiscutivelmente patrocinado pelo Irã”, disse o coronel Turki al-Maliki, porta-voz do ministério.

O coronel mostrou os destroços de três mísseis que não atingiram seus alvos e foram recuperados e inspecionados, além de outros quatro que atingiram a refinaria de Khurais. Ele afirmou que 18 drones atacaram Abqaiq, a maior instalação de petróleo da Arábia Saudita. Segundo Maliki, depois de analisar os destroços, é possível afirmar que são de tipo Delta Wing iraniano e que todos os componentes analisados são iranianos.

Ele destacou que o alcance dos drones é de 1,2 mil km e dos mísseis é de 700 km, por isso considerou que eles “nunca poderiam ser lançados do Iêmen”, de territórios que estão sob o controle dos rebeldes xiitas. Trump determinou nesta quarta-feira, 18, uma nova rodada de sanções contra o Irã. As fotos de satélite mostram o que os funcionários do governo americano afirmam ser ao menos 17 pontos de impacto nas duas estruturas de energia saudita, ainda que nem todos os alvos tenham sido atingidos. Em um dos locais, Abqaiq, as imagens ilustram danos a tanques de armazenamento e trem de processamento.

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