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Empresários do ramo de alimentação esperam retorno lento dos clientes

Para a maioria dos empresários do ramo de alimentação no Brasil (71%), menos da metade dos clientes voltará a frequentar os estabelecimentos nos primeiros 30 dias posteriores à reabertura. É o que revela a nova pesquisa realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com a Associação Brasileira de Bares e Restaurante (Abrasel). O levantamento também indicou que 54% dos negócios apresentaram perdas acima de 75% no faturamento com a disseminação da covid-19.

Os serviços de buffet foram os mais impactados, embora as empresas de shopping centers também tenha sofrido bastante com a pandemia, registrando quedas de 82%. Para 38% dos empresários, o setor vai demorar entre seis e 12 meses para voltar ao nível pré-crise.

Na avaliação de Carlos Melles, presidente do Sebrae, a doença mudou o modo de consumo dos clientes. Para atraí-los, os empreendedores precisarão se reinventar, adequando-se ao “novo normal”. “É fundamental comunicar com transparência as adaptações providenciadas e os cuidados com a segurança dos alimentos, com o distanciamento entre clientes e a devida higienização do espaço”, destaca o executivo.

A pesquisa ainda mostrou que 45% das empresas demitiram, 55% suspenderam contratos e 51% reduziram a jornada de trabalho ou o salário. Em relação a renegociações, quase 70% dos empreendedores tiveram que renegociar o aluguel; outros 65% renegociaram dívidas ou prazos com fornecedores.

Para evitar o fechamento dos estabelecimentos, os empresários recorreram aos métodos de serviço de delivery e drive thru. De acordo com a pesquisa, 72% das empresas estão realizando entregas, sendo que uma em cada quatro começou a utilizar o método durante a quarentena.

O formato de delivery escolhido pelos empresários recai sobre o conhecimento do consumidor sobre o aplicativo (26%), a possibilidade de delivery próprio (25%) e taxas mais baixas (21%). As redes sociais também se tornaram uma alternativa em tempos de pandemia. O Instagram vem sendo utilizado por 59% dos estabelecimentos, enquanto 57% deles estão presentes no WhatsApp.

Apesar das dificuldades no curto prazo, Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, afirma que o setor está pronto para a retomada. “A própria pesquisa mostra que os empresários entenderam a importância de se adaptar para reconquistar a confiança do cliente”, comenta. A pesquisa, realizada entre 28 de maio e 8 de junho, ouviu 1.532 empresários de 26 estados e o Distrito Federal, sendo 32% deles Microempreendedor Individual (MEI), 28% Microempresa (ME), 37% Empresa de Pequeno Porte (EPP) e 2% composto por médias ou grandes empresas. A maioria dos participantes possui apenas uma empresa no ramo da alimentação.

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