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Eike Batista e Sérgio Cabral eram cúmplices

No despacho em que decretou a nova prisão de Eike Batista, no âmbito da Operação Segredo de Midas, desdobramento da Lava Jato, o juiz Marcelo Bretas fez questão de destacar que a prática de crimes contra o mercado financeiro — manipulação de mercado e uso indevido de informação privilegiada — tinha como finalidade “sustentar o esquema criminoso de pagamento de propina da organização criminosa chefiada pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.

“Assim, aparentemente, trata-se de um intrincado sistema de pagamento e recebimento de propina pela organização criminosa chefiada por Sérgio Cabral, através de diversos meios de geração de capitais”, escreveu o juiz. O magistrado recordou que o emedebista Sérgio Cabral “aceitou e recebeu vantagem indevida de Eike Batista em razão do seu cargo de governador do Rio de Janeiro, favorecendo as empresas de Eike na prestação de serviços aos Estado”.

Sérgio Cabral está preso e suas penas já somam 215 anos e 11 meses. O sanduíche de Eike Batista. As investigações do Ministério Público Federal que levaram Eike Batista de volta à prisão indicam que o empresário, por meio de conta fantasma no banco paralelo TAI, comprou ações da Burger King, então negociadas na Bolsa de Valores de Nova Iorque. Em maio de 2010, segundo o Ministério Público Federral, Eike Batista e sua turma compraram pouco mais de 4 milhões de dólares em ações da empresa de fast-food.

Quatro meses depois, venderam as ações por 4,7 milhões de dólares, gerando um lucro de 702 mil dólares. “O Ministério Público Federal apura a possível ocorrência do crime de uso de informação privilegiada, já que, no mesmo dia em que foram realizadas as operações de venda, foi anunciada a compra da empresa Burger King pelo 3G Capital, fundo brasileiro de private equity.

Em 13/09/2010 foi divulgado da imprensa que Eike Batista havia entrado como parceiro do fundo na compra da empresa Burger King, sendo que as tratativas teriam começado três meses antes”. Ou seja, quando adquiriu as ações em maio de 2010, possivelmente Eike já sabia que a empresa seria comprada pelo fundo brasileiro, do qual virou parceiro. “Desta forma, sustenta o Ministério Público Federal que Eike possuía informação relevante, ainda não divulgada, sigilosa e com potencial para gerar vantagem indevida, o que enquadraria a sua atuação no crime de uso de informação privilegiada”.

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