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Economista Helio Zylberstajn projeta que trabalho formal deve retornar ampliado em breve

A queda da desocupação dos brasileiros pelo aumento expressivo da informalidade em todo o País no trimestre encerrado em julho pode ser o prenúncio de que o trabalho com carteira assinada deve voltar a crescer em breve, segundo avaliação do economista e professor sênior da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), Hélio Zylberstajn.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo IBGE na quinta-feira, mostram que a taxa de desemprego recuou entre maio e julho, para 11,8%, mas isso aconteceu pelo aumento da informalidade, que bateu novo recorde. “Os trabalhadores informais estão prestando serviços, contribuindo para o crescimento do nível de atividade e também estão podendo consumir mais. As empresas tendem a contratar formais quando a atividade cresce”, avalia o economista, que também é coordenador do projeto Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Conforme Zylberstajn,os dados de ocupação do trimestre encerrado em julho mostram um cenário mais otimista do que o do começo do ano, mostram que a ocupação cresceu de maneira acelerada no trimestre. Nos últimos 12 meses encerrados em julho a ocupação cresceu 2,2 milhões, o crescimento do trimestre encerrado em julho representa 55% do crescimento dos últimos 12 meses. O ritmo foi impressionante. Se o que aconteceu nesses três meses se repetir por três trimestres, serão 4,9 milhões de pessoas a mais ocupadas. Não seria prudente dizer que esse ritmo vai se repetir daqui para frente, mas é tudo que o País precisa”.

Ele admite que a informalidade na ocupação da mão de obra bateu recorde: “Sim, esta é a notícia ruim. Estamos presenciando uma explosão sem precedentes da informalidade, é como se o mercado de trabalho brasileiro tivesse experimentado um trimestre indiano, com a grande maioria de novos postos sendo informais, como é na Índia. Em um primeiro momento isso seria preocupante, sim, mas essa explosão da informalidade pode ser um prenúncio de crescimento da formalidade. Os trabalhadores que não conseguiram uma ocupação formal partiram para informalidade e estão conseguindo sobreviver. Eles estão prestando serviços, contribuindo para o crescimento do nível de atividade e também estão podendo consumir mais. Esse pode ser um prenúncio de aumento da formalidade em seguida, as empresas tendem a contratar formais quando a atividade cresce. Só não sabemos em que ritmo isso vai ocorrer. Desses 1,2 milhão de novos ocupados, metade estava desocupada e voltou ao mercado e a outra metade veio da desocupação que não é explícita, como os desalentados que tinham desistido de buscar trabalho e agora tomaram coragem e voltaram ao mercado, ainda que estejam informais”.

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