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Crise entre técnicos e comando do BNDES leva diretor a se licenciar

O diretor de Participações, Mercado de Capitais e Crédito Indireto do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), André Laloni, pediu licença do cargo na sexta-feira. Oficialmente, o BNDES informou que a licença foi pedida “por motivos pessoais”, mas a relação entre a diretoria do BNDES e técnicos da área responsável pela gestão da carteira de participações acionárias estava marcada por tensões e divergências em torno da melhor forma de acelerar as vendas de ações.

Laloni, que fez carreira no mercado financeiro e foi diretor financeiro da Caixa Econômica Federal no primeiro semestre, foi indicado para a diretoria do BNDES em julho e assumiu os trabalhos no fim de agosto, com a missão de acelerar as vendas da carteira de participações societárias, uma das metas colocadas ainda para este ano pelo presidente Gustavo Montezano.

Montezano foi comunicado do pedido de licença do Laloni na noite de quinta-feira. Teria pesado na decisão do diretor a falta de apoio dos demais colegas de diretoria em um embate em torno da mudança de normativos internos, materializado na tentativa do BNDES de aderir à oferta pública de ações do Banco do Brasil de posse do Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS), feita pela Caixa Econômica Federal.

Confirmada na quinta-feira da semana passada, dia 3, a oferta deverá movimentar R$ 5,7 bilhões, incluindo na venda papéis em posse do próprio Banco do Brasil – a diretoria do BNDES queria incluir na operação cerca de R$ 1 bilhão em ações do Banco do Brasil de posse da União, que estão com o banco de fomento para serem vendidas. O tom das tensões se elevou com a destituição de Luciana Tito do cargo de superintendente responsável pelas atividades operacionais na Área Jurídica na quinta-feira da semana passada, 3.

A AFBNDES, entidade petista, associação que representa os funcionários do banco, organizou um ato na segunda-feira, 7, para cobrar publicamente explicações da diretoria. De lá para cá, a situação ficou insustentável. O resultado foi uma paralisia nas vendas das ações. Luciana Tito foi destituída em meio à tentativa de aderir à oferta de ações do Banco do Brasil. Segundo um parecer jurídico interno, a tentativa de adesão à oferta foi decidida em cima da hora e sem seguir as normas do BNDES. Normas essas, é claro, que foram redigidas pela burocracia petista da instituição.

Conforme uma fonte interna, faltou consenso na diretoria do BNDES para aprovar a operação, sem o aval jurídico interno. As tensões estão inseridas num contexto de divergências em torno da melhor forma de acelerar as vendas da carteira de participações, que passa pela opção entre fazer ofertas públicas, como a de ações do Banco do Brasil feita pela Caixa Econômica Federal, ou usar a “mesa de operações”, como tradicionalmente faz a instituição de fomento – e pelo cumprimento dos normativos que balizam essas decisões.

Nos corredores do BNDES, circulam comentários sobre receios, entre os técnicos da área, a maioria de petistas, de “vender as ações baratas demais”. Os técnicos petistas do BNDES temem ser questionados pelos órgãos de controle, no futuro, sobre a fixação dos preços e sobre os procedimentos para aprovar as vendas. Antes da destituição de Luciana Tito, outros técnicos teriam se recusado a assumir cargos de chefia. Desde a chegada de Montezano como presidente do BNDES, as ofertas públicas têm sido colocadas como uma saída para acelerar a venda das ações.

Nessas operações, o detentor das ações anuncia ao mercado que está colocando à venda uma quantidade de papéis, o preço é fixado pelo mercado e a venda, feita de uma vez. A Caixa vendeu R$ 7,3 bilhões em ações da Petrobrás numa oferta pública, em junho – Laloni, que agora sai de licença, era diretor financeiro da Caixa quando o banco fez a oferta.

Além de vender bilhões de uma só vez, outra vantagem das ofertas é atrair estrangeiros, garantindo demanda pela venda. Por outro lado, para fazer a oferta, o vendedor precisa contratar bancos de investimento, que cobram pelo serviço. A oferta da Caixa, por exemplo, pagou R$ 98,5 milhões em comissões, segundo documentos públicos. Somando o gasto com taxas de registro e contratação de advogados e auditores, o custo total sobe para R$ 138 milhões.

Com a licença de Laloni, o diretor de Privatizações, Leonardo Cabral, assume interinamente a diretoria de Participações, Mercado de Capitais e Crédito Indireto. Pelas normas do BNDES, a licença tem prazo de 30 dias, e pode ser estendida por mais 30 dias.  A verdade é que a venda dessas ações é importante, por qualquer preço que saia, para marcar o processo de desestatização. Só com desestatizações o Brasil e os brasileiros deixarão de ser reféns dessas corporações petistas criminosas. Essa é a mesma gentalha que aprovou os financiamentos para Cuba, Angola, Venezuela.

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