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Corregedoria do Ministério Público Federal abre investigação sobre visita de auxiliar de Aras à força-tarefa da Lava Jato

A corregedora-geral do Ministério Público Federal, Elizeta Maria de Paiva Ramos, abriu investigação nesta segunda-feira para apurar as circunstâncias da visita de uma das principais auxiliares do procurador-geral da República, Augusto Aras, à Curitiba para se reunir com integrantes da força-tarefa da Lava Jato no Paraná. A subprocuradora Lindôra Maria de Araújo, uma ex-aluno do Colégio Sevigné, de Porto Alegre, que é coordenadora da Lava Jato na Procuradoria Geral da República, em Brasília, pediu dados da Lava Jato na visita de inspeção aos procuradores de Curitiba. Após a visita da subprocuradora, quatro integrantes da força-tarefa que atuavam na Procuradoria Geral da República em Brasília deixarem seus cargos.

A corregedora-geral disse que a sindicância vai apurar a ida de Lindôra tanto pela ótica do fundamento e formalidades legais da diligência, quanto da sua forma de execução. “Ainda de acordo com a decisão, a sindicância também servirá para que seja esclarecida a existência de equipamentos utilizados para gravação de chamadas telefônicas recebidas por integrantes da equipe da força-tarefa, incluindo membros e servidores. Nesse caso, o objetivo é apurar a regularidade de sua utilização, bem como os cuidados e cautela necessários para o manuseio desse tipo de equipamento pelos respectivos responsáveis”, informou a Procuradoria Geral da República.

Segundo a Procuradoria Geral da República, a sindicância é um procedimento preliminar e correrá sob sigilo. A decisão da corregedora-geral foi tomada após integrantes da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba terem questionado a visita da auxiliar de Aras e terem informado a existência, desde 2015, do equipamento de gravações. Procuradores têm independência funcional assegurada legalmente e não possuem relação de subordinação hierárquica entre eles. A corregedora disse que houve exposição na mídia dos fatos e que a apuração se dará em sigilo, não para preservar eventuais irregularidades ou ilicitudes, mas em respeito às normas internas. “Não se pode utilizar a mídia como uma forma indevida de pressão contra quem quer que seja, inclusive para preservação dos direitos dos próprios noticiantes, que sempre tiveram, nesta corregedoria, o devido cuidado e respeito no tratamento dos fatos e informações de seu interesse”, afirmou. Com isso ela já está demonstrando o seu ânimo contra os procuradores da Lava Jato em Curitiba.

Na véspera, após a saída dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato na Procuradoria Geral da República, o notório amigo de petistas Augusto Aras divulgou nota em que disse que a operação “não é um órgão autônomo” do Ministério Público Federal, e que uma atuação fora desse parâmetro passaria o grupo para a “ilegalidade”. É óbvio que a gestão dele abriu guerra contra a Operação Lava Jato em todos os níveis e está trabalhando para paralisá-la, acabar com ela, nem que seja preciso destruir a carreira dos procuradores que as conduzem.

“A Lava Jato, com êxitos obtidos e reconhecidos pela sociedade, não é um órgão autônomo e distinto do Ministério Público Federal, mas sim uma frente de investigação que deve obedecer a todos os princípios e normas internos da instituição. Para ser órgão legalmente atuante, seria preciso integrar a estrutura e organização institucional estabelecidas na Lei Complementar 75 de 1993”, disse o amigão de petistas Augusto Aras.

“Fora disso, a atuação passa para a ilegalidade, porque clandestina, torna-se perigoso instrumento de aparelhamento, com riscos ao dever de impessoalidade, e, assim, alheia aos controles e fiscalizações inerentes ao Estado de Direito e à República, com seus sistemas de freios e contrapesos”. Parece coisa de mico de circo.

Em nota na sexta-feira, a Procuradoria Geral da República havia dito que a “visita” de Lindôra não foi uma inspeção e sim uma “visita de trabalho” que visava a obtenção de informações globais sobre o atual estágio das investigações e o acervo da força-tarefa, para solucionar eventuais passivos. Aras e sua gente pensa que os brasileiros são bôbos que podem ser enganados facilmente. “Não se buscou compartilhamento informal de dados, como aventado nas notícias da imprensa, mas compartilhamento formal com acompanhamento de um funcionário da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise (Sppea), órgão vinculado à Procuradoria Geral da República, conforme ajustado previamente com a equipe da força-tarefa em Curitiba”, justificou o amigão de petistas Augusto Aras. (Money Times)

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