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Corregedoria da Polícia indicia 12 por extorsão de R$ 2 milhões a empresário de bitcoin em São Paulo

O delegado Álvaro Augusto de Siqueira, da Divisão de Crimes Funcionais, braço da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, indiciou cinco policiais civis, um tenente da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), três soldados e três empresários por crime de extorsão contra P.R.R.B., do ramo de bitcoins. P.R.R.B. afirma ser vítima de “ameaças”, diz ter pago R$ 2 milhões aos agentes policiais e que chegou a escalar como intermediários em negociações com seus algozes o ex-diretor-geral da Polícia Federal, delegado Leandro Daiello, e o ex-delegado federal Edmilson Pereira Bruno, que, em 2006, prendeu os “aloprados do PT” – grupo que tentou vender um dossiê com acusações contra o tucano José Serra.

O empresário diz que Daiello e Bruno agiram como seus “advogados”. Segundo o delegado do caso, “P.R.R.B. foi atraído para uma reunião de negócios pelo empresário Marcelo Nogueira Chamma, que ocorreria no dia 11 de julho de 2019 (quinta-feira), no escritório de uma empresa localizada na Alameda Jaú, bairro nobre da Capital Paulista”. “Ao chegar no local da reunião, P.B. foi surpreendido por uma blitz policial, tendo sido retirado de seu veículo, algemado e colocado no interior de uma viatura policial caracterizada com as cores da Polícia Civil Bandeirante”. “Os responsáveis pela sua abordagem e captura foram os policiais civis Roger Hiroshi Toda, Tiago Antonio dos Santos Viana, Thomas Luiz Zan e Wailton Sena Rios, além do civil Matheus de Souza Paula”, afirma o delegado.

Álvaro Augusto de Siqueira anota que o empresário “foi levado até o prédio onde fica o apartamento de seu irmão, localizado na Rua Fagundes Filho, 470, mas acabaram não entrando no edifício”. “Em seguida Paulo foi levado até o 73º D.P. – Decap, pelos policiais civis, tendo Matheus de Souza Paula permanecido naquele local”. “Na unidade policial, onde inicialmente estavam os policiais civis Roger, Tiago, Thomaz e Sena, juntaram-se ao grupo o policial civil chefe dos Investigadores de Polícia, Geraldo Francisco Oliveira Subrinho, Matheus de Souza Paula e Davi Carlos de Souza Queiroz, este último tenente da Polícia Militar”, narra o Delegado de Crimes Funcionais.

Segundo o relatório do inquérito, P.R.R.B. ‘foi então ameaçado de morte e acusado inicialmente de ser traficante de drogas e de lavar dinheiro para organizações criminosas, depois foi acusado de ser golpista e finalmente lhe foi revelado que somente estaria ali pois um de seus clientes, Guilherme Aere dos Santos, estava descontente com os serviços prestados por Paulo, além de ser credor de valor milionário de Paulo”. “A vítima então passou a argumentar com seus algozes de que não se tratava nem de traficante, nem de lavador de dinheiro, nem integrante de organização criminosa e tampouco devedor de Guilherme Aere dos Santos”, afirma o delegado.

Siqueira ressalta que a vítima “chegou até a falar ao telefone com Guilherme Aere dos Santos, que o ameaçou”. “No entanto, P.R. conseguiu convencer seus algozes de que haviam sido enganados por Guilherme Aere dos Santos e que não devia nada a ele, tendo recebido em contrapartida a proposta de que esqueceriam Guilherme, mas somente em caso de Paulo lhes pagar o valor de R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais)”. O delegado afirma que “no dia 14 de julho de 2019 (domingo) P.R.R.B. encontrava-se no shopping Praia Mar, no município de Santos, com sua família, quando foi abordado por um indivíduo que lhe mostrou uma arma, sentou-se ao seu lado e disse que estava lá a mando de Guilherme Aere”. “Tal indivíduo ainda lhe entregou um envelope e disse que Paulo Bilíbio ficaria famoso com as informações que constavam naquele envelope”.

Os autores da abordagem são o tenente da Rota José Ricardo Nahrlich Júnior e o PM Amauri Moreira da Silva. Segundo o relatório, eles foram identificados após diligências realizadas por Daiello e Pereira Bruno. “Acrescenta-se que os dois assessores de compliance de Paulo Bilíbio também foram até o Deic e, em contato com o Investigador de Polícia Leandro Perpétuo, agendaram uma reunião com os policiais civis do 73º D.P. – Decap que participaram do arrebatamento de Paulo Bilíbio no dia 11 de julho de 2019 – Roger Toda, Wailton Sena, Tiago Viana e Thomas Zan”, diz o delegado. Segundo o delegado, no dia 1 de agosto, “na praça de alimentação do shopping D, localizado nesta Capital, houve uma tentativa de acordo com os policiais civis”.

“Foi proposto que testemunhassem a favor de P.R.R.B. no Gaeco/Ministério Público de Santos, para que relatassem sobre Guilherme Aere os ter contratado para cobrar uma dívida, bem como para que devolvessem o dinheiro indevidamente pago a eles. No entanto, nenhuma das propostas foi aceita”. O próprio empresário Guilherme Aere “contou sobre uma reunião no shopping Cidade Jardim, entre ele, seus advogados, P.R.R.B e seus respectivos advogados e seguranças e dois indivíduos que se aproximaram durante a reunião e um deles mostrou um distintivo da Polícia Federal, ameaçando-o de prisão – tratava-se de Edmilson Pereira Bruno, ex-delegado da Polícia Federal”.

Os indiciados nesse embrulhado caso são os seguintes:
1) Guilherme Aere – empresário
2) Marcelo Nogueira Chamma – Empresário
3) Roger Hiroshi Toda – policial civil
4) Tiago Antonio dos Santos Viana – policial Civil
5) Thomas Luiz Zan – policial Civil
6) Wailton Sena Rios – policial Civil
7) Matheus de Souza Paula – proprietário de estande de tiro
8) Ramon Almeida da Silva – PM
9) José Ricerdo Nahrlich Júnior – tenente da Rota
10) Amauri Moreira da Silva – PM
11) Geraldo Francisco Oliveira Subrinho – policial civil
12) Davi Carlos de Souza Queiroz – PM

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