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Consórcio Aegea vence leilão da PPP do saneamento da Corsan

O Consórcio Aegea foi o vencedor do leilão da parceria público-privada (PPP) da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan). Com uma proposta de R$ 2,40 por metro cúbico de esgoto faturado, com deságio de 37,92%, o consórcio ficará responsável pela ampliação da cobertura de esgoto de 14% para 87,3%, em até 11 anos, nos municípios de Alvorada, Cachoeirinha, Canoas, Eldorado do Sul, Esteio, Gravataí, Guaíba, Sapucaia do Sul e Viamão, todos na região metropolitana de Porto Alegre.

Estima-se que a população beneficiada seja, em um primeiro momento, de 500 mil pessoas e, até 2055, de 1,7 milhão. “É o início de uma nova etapa. Essa PPP, considerada a maior do País, reforça nossa absoluta convicção de que temos, na parceria com o setor privado, competição e concorrência saudável, que faz com que todos os envolvidos ganhem.

Além da melhoria do saneamento, a PPP viabilizará a geração de empregos e de arrecadação. Não temos dúvida de que será uma grande oportunidade de desenvolvimento para o Estado”, afirmou o governador Eduardo Leite, presente no leilão realizado em São Paulo. “O deságio de 37% vai significar, para a Corsan, uma economia que viabilizará outros investimentos no futuro. O governo do Estado está bastante satisfeito e projetando outras concessões e PPP para o saneamento básico, algo que esperamos poder lançar já no próximo ano”, afirmou Eduardo Leite.

Além do Consórcio Aegea, o Consórcio Sul Ambiental e a BRK Ambiental Participações S.A. foram considerados aptos a participar do leilão. No momento de abertura dos envelopes, que ocorreu na manhã desta sexta-feira (29), na sede da B3, em São Paulo, as participantes revelaram os valores propostos para o preço unitário por metro cúbico de esgoto faturado.

O Consórcio Sul Ambiental despontou na frente, com a proposta de R$ 2,61 por metro cúbico (deságio de 26,82%). Em segundo lugar, ficou a Aegea Saneamento, com R$ 2,64 por metro cúbico (deságio de R$ 25,38%) e, por último, a BRK Ambiental, com a proposta de R$ 2,89 por metro cúbico (deságio de 14,53%).

O valor inicialmente proposto era de R$ 3,31 por metro cúbico. Uma vez que houve diferença inferior ou igual a 15% com relação a menor proposta, o leilão foi levado à proposição por viva-voz, na qual os licitantes tiveram oportunidade de atualizar oralmente os valores, possibilitando novo deságio dos valores ofertados inicialmente.

Depois de 11 rodadas, o Consórcio Aegea acabou vencendo, com a melhor proposta. Inicialmente, o valor do contrato estava estimado em R$ 9,5 bilhões. Como o resultado da proposta vencedora, que apresenta deságio de 37,92%, o valor do contrato caiu para R$ 6,6 bilhões, representando um deságio de R$ 2,9 bilhões.

A homologação da licitação deve ocorrer em 24 de janeiro, e a Corsan espera assinar o contrato da PPP até março. Essa licitação culminará na assinatura de um contrato com vigência de 35 anos. O projeto, maior PPP de saneamento do País, engloba investimento total de R$ 2,23 bilhões, divididos em obras em execução pela Corsan (R$ 370 milhões) e investimentos do parceiro privado (estimativa de R$ 1,86 bilhão, repartido em R$ 1,63 bilhão para expansão do sistema de esgoto e R$ 230 milhões para ações comerciais e operacionais).

A PPP vai gerar mais saúde, qualidade de vida, valorização imobiliária e preservação ambiental, contribuindo para despoluir os rios dos Sinos, Gravataí e Guaíba. Além disso, deve promover geração de renda de R$ 2,9 bilhões, 32,5 mil empregos e um balanço total de custos e benefícios de R$ 23,2 bilhões.

A Corsan planeja, ainda, expandir o projeto de parcerias para outras regiões do Estado, com a possibilidade de lançamento de até seis novas PPPs, das quais quatro podem ter editais lançados já em 2020, contemplando as regiões Central, Serra/Hortênsias, Planalto e Vale do Rio Pardo. A PPP vai aumentar a capacidade de investimento e de execução de obras.

A cobertura atual de esgoto da Corsan é de apenas 18,44%, e o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) estabelece a meta de 96% para a universalização do esgotamento sanitário até 2033. Para atingir essa meta, seria necessário um investimento total de cerca de R$ 12 bilhões.

Desde 2007, a Corsan investiu R$ 1,5 bilhão na expansão dos sistemas de esgoto, com investimento médio anual de R$ 127 milhões. A média anual de investimentos precisa crescer e, para isso, é necessário buscar fontes alternativas de recursos.

A PPP representa um acréscimo de R$ 1,86 bilhão ao plano de investimento da Corsan. A contratação da PPP da Região Metropolitana tem como escopo a operação e a manutenção dos Sistemas de Esgotamento Sanitário (SES), com execução de obras de infraestrutura, ampliações e melhorias dos sistemas de esgoto.

Como serviços acessórios, estão previstos o gerenciamento e acompanhamento dos projetos e obras dos SES a serem realizados pela Corsan, programas comerciais em hidrometração e identificação e retirada de fraudes em água e esgoto, e programa de ligações intradomiciliares para categorias sociais, este último com custo ressarcido pela Corsan.

A contratação se dará na modalidade concessão administrativa, em que os serviços são prestados à administração pública, que figura como “usuário direto” e remunera o parceiro privado na forma de contraprestação. O valor total da contratação é de R$ 9,6 bilhões, a serem pagos ao longo dos 35 anos de contrato. A PPP foi estruturada por uma equipe de técnicos da Corsan, com apoio da consultoria PwC.

A Aegea Saneamento é uma companhia brasileira que gerencia ativos de saneamento por meio de suas concessionárias e atua como administradora de concessões públicas. A empresa atende 7,6 milhões de pessoas em 49 municípios de 11 Estados.

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