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Conselho Guardião do Irã diz que aprisionamento de navio britânico é ato “recíproco”

O Conselho de Guardiães da Revolução no Irã disse neste sábado que a aprisionamento de um navio petroleiro britânico no estratégico Estreito de Ormuz ocorreu em resposta ao papel do Reino Unido no confisco de um superpetroleiro iraniano duas semanas atrás, no Estreito de Gibraltar, na entrada do mar Mediterrâneo, sob suspeita de que ia abastecer a Síria. Porta-voz do Conselho Guardião do Irã, Abbas Ali Kadkhodaei disse que “a regra de ação recíproca é bem conhecida na lei internacional” e que as atitudes do Irã para “confrontar a guerra econômica ilegítima e a apreensão de navios petroleiros é um exemplo dessa regra e baseada em direitos internacionais”. O conselho raramente comenta assuntos de Estado, mas, quando o faz, é visto como um reflexo das visões do líder supremo o aiatolá teocrata Ali Khamenei. Isso porque o conselho trabalha próximo a Khamenei, que tem a palavra final em todos os assuntos de Estado. Com 23 tripulantes a bordo, o navio de bandeira britânica Stena Impero foi aprisionado pelo Irã na sexta-feira. Radares marítimos mostram que ele se dirigia a um porto na Arábia Saudita. Em 4 de julho, a Marinha Real britânica tomou parte na apreensão de um navio-tanque iraniano carregando mais de 2 milhões de barris de petróleo bruto iraniano perto de Gibraltar, um território ultramarino britânico próximo à costa sul da Espanha. Autoridades no local inicialmente disseram que a apreensão ocorreu sob ordens dos Estados Unidos.

O Reino Unido disse que libertaria a embarcação se o Irã fosse capaz de provar que não estava infringindo sanções da União Européia a embarques de petróleo para a Síria. No entanto, na sexta-feira, um tribunal em Gibraltar estendeu por 30 dias a detenção do navio de bandeira panamenha Grace. A agência de notícias estatal IRNA havia relatado mais cedo neste sábado que o Irã havia aprisionado a embarcação de bandeira britânica na sexta-feira após ela ter se chocado contra um barco de pesca iraniano – uma explicação que retratava a operação de aprisionamento como uma tecnicalidade, em vez de uma retaliação no atual clima tenso. Em Londres, o presidente do Comitê de Assuntos Externos da Câmara dos Comuns do Reino Unido, Tom Tugendhat, disse que ação militar para libertar o petroleiro seria “extremamente imprudente”, especialmente porque a embarcação aparentemente foi levada a um porto bem protegido. Tensões entre o Irã e o Ocidente vêm aumentando desde maio, quando os Estados Unidos anunciaram que estavam enviando um porta-aviões e tropas adicionais ao Oriente Médio, citando ameaças não especificadas representadas pelo Irã.

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