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Conselho de Medicina investiga irregularidades no Hospital de Campanha do Anhembi em São Paulo

O Conselho Regional de Medicina (Cremesp) abriu uma sindicância para investigar irregularidades nas condições de trabalho dos médicos no Hospital de Campanha do Anhembi, de responsabilidade da prefeitura de São Paulo.

Com capacidade para 1.800 leitos, o hospital é a maior estrutura temporária montada no Estado para atender pacientes de Covid-19, mas a maioria desses leitos não foi ativada para uso.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, hoje são 341 pacientes internados. Desde 11 de abril, quando o hospital foi inaugurado, 26 pacientes morreram e mais de 3,2 mil receberam alta.

A presidente do Cremesp, Irene Abramovic, define o hospital como “subequipado” e “em condições precárias de atendimento”. “A situação do médico é trágica. O médico dorme no chão, nós temos fotos de onde eles estão dormindo. Dentro de uma área contaminada. E você imagina o risco para os pacientes, não é?”, diz.

O hospital é administrado por duas Organizações Sociais: a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina e o Instituto de Atenção Básica à Saúde (Iabas). No dia 21 de maio, o Cremesp fiscalizou a área gerida pelo Iabas. Segundo documento do Cremesp, a fiscalização encontrou:

– falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) e outros equipamentos médicos – funcionários que usavam a mesma máscara por 15 dias e até levavam pra casa

– locais de alimentação, vestiário e repouso médico dentro de áreas contaminadas

– falta de equipamentos médicos nas áreas de estabilização – Há 48 leitos para estabilizar pacientes mais graves e apenas 17 ventiladores para todo o hospital. Falta monitor e bomba de infusão para cada leito; e carrinho para atendimento aos casos de parada cardíaca para cada posto de enfermagem.

– número insuficiente de testes PCR e rápidos para atender a demanda

– falta de limpeza do tomógrafo entre um paciente e outro

O conselho denunciou os problemas encontrados ao Ministério Público e pediu ao Iabas e à Secretaria Municipal de Saúde que solucionassem as falhas apontadas pela fiscalização.

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