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Chegou o shabat, é tempo de reverenciar o Criador

O Shabat hoje (18-10-2019), em Porto Alegre, começa às 18h17. Nas casas das famílias judáicas, o acendimento das velas é feito pelas mulheres. Shabat (do hebraico שבת, shabāt; shabos ou shabes na pronúncia asquenazita, “descanso/inatividade”), é o nome dado ao dia de descanso semanal no judaísmo, simbolizando o sétimo dia em Gênesis, após os seis dias de Criação. O shabat é observado a partir do pôr-do-sol da sexta-feira até o pôr-do-sol do sábado. O exato momento de início e final do shabat varia de semana para semana e de lugar para lugar, de acordo com o horário do pôr-do-sol.

A observância do Shabat na religião judaica implica abster-se de atividades de trabalho e se engajar em atividades repousantes para honrar o dia. O shabat é observado tanto por mandamentos positivos, como as três refeições festivas (jantar de sexta-feira, almoço de sábado e refeição de final de tarde no sábado), e restrições. As atividades proibidas no Shabat derivam de trinta e nove ações básicas (melachot, livremente traduzido como “trabalhos”) que são descritas pelo Talmud a partir de fontes bíblicas.

A palavra hebraica שבת, shabat, tem relação com o o verbo שבת, shavat, que significa “cessar”, “parar”. Apesar de ser vista quase universalmente como “descanso” ou um “período de descanso”, uma tradução mais literal seria “cessação”, com a implicação de “parar o trabalho”. Portanto, Shabat é o dia de cessação do trabalho, ou qualquer atividade parecida com trabalho. Shabat é a fonte para o termo em português Sábado, e para a palavra que denomina esse dia da semana em muitas outras línguas. A palavra “sabático” – se referindo ao ano sabático na Bíblia, ou o ano que uma pessoa tira sem trabalhar, especialmente no mundo acadêmico, também vem desta mesma raiz.

O status especial do Shabat como dia sagrado aparece no Tanach: “E Deus abençoou o sétimo dia e o santificou porque nele se absteve de todo o Seu trabalho que D’us havia criado para completar seus feitos”. O Shabat é introduzido com a declaração que o trabalho dos céus e da terra foram completos, e que eles permanecem perante nós em seu estado final pretendido de perfeição harmoniosa. Então Deus proclamou Seu Shabat. Essa passagem, que também é utilizada como o primeiro parágrafo do kidush de Shabat, proclama que D-us é o Criador que trouxe o universo à existência em seis dias e descansou no sétimo.

A observância de Israel (o povo judeu) das leis de Shabat constituem um testemunho devoto a isso. Apesar do status sagrado do dia ser indicado em Gênesis 2:3, nenhuma obrigação surge diretamente desse status. O verdadeiro mandamento para observar o Shabat é mencionado diversas vezes no Tanach, todos eles surgem após o Êxodo do Egito. O primeiro mandamento relacionado ao Shabat é o quarto dos Dez Mandamentos (Êxodo 20:8-10 e Deuteronômio 5:12-14). O Tanach e o sidur (livro judaico de rezas) descrevem o shabat como tendo três propósitos.

No Tanakh, a ordem de um dia de descanso é dada diretamente por Deus, após os seis dias de criação: “Assim os céus, a terra e todo o seu exército foram acabados. E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou D-us o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que D-us criara e fizera”.

Sua observância é considerada de extrema importância, aparecendo como o quarto dos Dez Mandamentos. “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu D-us; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou”.

A seguir, a oração para o Shabat

Mizmor le’David, A-do-nai Roí, lo echsar. Bin‘ot dê-she yarbitsêni, al mê menuchot yenahalêni. Naf-shi yeshovev, yanchêni vema‘guelê tsêdec lemáan shemô. Gam ki elech beguê tsalmávet, lô irá rá, ki Atá imadi. Shivtechá umish‘antêcha hêma yena-chamúni. Taaroch lefanai shulchan, nêgued tso rerai; dishánta vashêmen roshi; cossi revayá. Achtov vachêssed yirdefúni col yemê chayai, veshavti be’Vet A-do-nai leôrech yamim.

(Um salmo de David. A-do-nai é meu Pastor, nada me faltará. Far-me-á repousar em pastos verdejantes, conduzindo-me sobre águas plácidas. Minha alma será restaurada, Ele me guiará nas veredas da justiça por amor de Seu nome. Se tiver que seguir pelo sombrio vale da morte, não temerei nenhum mal, pois Tu estás comigo. Teu poder e Teu apoio – eles me consolarão. Tu prepararás para mim uma mesa diante de meus inimigos;
ungiste minha cabeça com azeite; meu cálice transborda de fartura. Somente bondade e misericórdia me seguirão em todos os dias de minha vida, e habitarei na Casa de A-do-nai por longos anos).

Da hi seudatá da’Chacal Tapuchin Cadishin. Atkínu seudatá dimhemenutá shelematá, chedvatá de’Mal-cá Cadishá. Atkínu seudatá de’Malcá. Da hi seuda-tá da’Chacal Tapuchin Cadishin, u’Z’er Anpin ve’A-ticá Cadishá atyan lessaadá bahadáh.

(Este é o banquete de Chacal Tapuchin Cadishin. Preparai o banquete da fé perfeita, que é a alegria do Rei Santo. Preparai o banquete do Rei. Este é o banquete de Chacal Tapuchin Cadishin, e Zeer Anpin* e Aticá Cadishá vêm para acompanhá-lo no banquete).

Segura-se na palma da mão direita um cálice de vinho (contendo no mínimo 86 ml), e recita-se o kidush, de pé, em voz alta:

Yom hashishi, vaychulu; hashamáyim vehaárets vechol tsevaam. Vaychal E-lo-him, bayom hashe-vií, melachtô asher assá, vayishbot bayom hashe-vií micol melachtô asher assá. Vayvárech E-lo-him et yom hashevií, vaycadêsh otô, ki vo shavat micol melachtô, asher bará E-lo-him laassot.

(O sexto dia; foram terminados os Céus e a Terra e todo seu exército. D’us terminou, no sétimo dia, a obra que fez, e descansou no sétimo dia de toda obra que fez. D’us abençoou o sétimo dia e o santificou, pois nele descansou de toda Sua obra que D’us criou para o ser humano realizar).

Savri maranan: Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech haolam…

(Atenção senhores: Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D’us, Rei do Universo)

Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech haolam, asher kideshánu bemitsvotav, verátsa-bánu, ve’Sha-bat codshô beahavá uvratson hinchilánu, zicaron lemaassê vereshit; techilá lemicraê c ôdesh, zêcher litsiat Mitsráyim. Ki vánu vachárta, veotánu ki-dáshta micol haamim, ve’Shabat codshechá, be-ahavá uvratson hinchaltánu. Baruch Atá A-do-nai, mecadesh ha’Shabat.

(Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D’us, Rei do Universo, que nos santificou com Seus mandamentos e em nós achou agrado, e com amor e agrado nos deu Seu santo Shabat, para lembrar a obra da Criação; pois que ele é o primeiro das sagradas convocações, em recordação da saída do Egito. Porque Tu nos escolheste e nos santificaste dentre todos os povos, e Teu santo Shabat, com amor e agrado, nos deste. Bendito és Tu, A-do-nai, que santifica o Shabat).

 

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