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Carteira de ações do BNDES acumula ganho da ordem de R$ 40 bilhões

A BNDESPar, empresa de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), acumula ganho da ordem de R$ 40 bilhões com sua carteira de ações, informou o presidente da instituição de fomento, Gustavo Montezano. Por isso, é “muito baixo” o risco de vender ações com prejuízo. Acelerar a liquidação da carteira é uma das metas de Montezano ainda para este ano, mas a nova diretoria do banco, empossada em julho, não tem pressa, segundo o executivo. A BNDESPar é um dos maiores investidores institucionais do País. São R$ 106,9 bilhões apenas em ações de grandes companhias da Bolsa – as “blue chips”, no jargão do mercado. As maiores participações são Petrobrás (R$ 51,6 bilhões), Vale (R$ 16,8 bilhões) e JBS (R$ 12,3 bilhões).

A gigantesca fatia na petroleira seria o alvo preferencial das vendas do BNDES, até porque questões regulatórias relacionadas à exposição com a estatal estão impedindo um repasse maior do lucro do banco à União. “Não faz sentido termos posição especulativa em empresas maduras de grande porte. Não estamos desenvolvendo nada, estamos sendo meramente um ‘hedge fund’ capitalista selvagem”, afirmou Montezano, numa referência a grandes fundos especulativos.

Além disso, o tamanho da carteira, “maior do que o patrimônio do banco”, representa um risco “não desprezível”. “Temos que reduzir materialmente o tamanho dessa carteira”, afirmou o executivo. A redução é uma meta desde a época da ex-presidente Maria Silvia Bastos Marques, primeira a assumir o BNDES no governo Michel Temer. Em 2017, o banco vendeu R$ 6,653 bilhões em ações, em 2018, foram R$ 9,976 bilhões e, apenas no primeiro semestre deste ano, R$ 13,641 bilhões. “Não é um trabalho fácil, mas não temos pressa. Não tem nada urgente, que tenhamos que fazer amanhã. Óbvio, temos hoje um momento de mercado muito atrativo”, afirmou Montezano.

Acelerar não é fácil porque vender em pouco tempo uma quantidade grande de ações tende a derrubar as cotações, por causa da lei da oferta e da demanda. Uma saída seria fazer ofertas públicas. Nessas operações, o detentor das ações anuncia ao mercado que está colocando à venda uma quantidade relevante de papéis, fixa um preço-alvo e vende de uma vez. Foi o que fez a Caixa Econômica Federal, que vendeu R$ 7,3 bilhões em ações da Petrobrás, em junho. Uma vantagem das ofertas é atrair estrangeiros, garantindo demanda pela venda. Por outro lado, para fazer a oferta, o vendedor precisa contratar bancos de investimento, que cobram pelo serviço.

Tradicionalmente, o BNDES usa sua “mesa de operações”. Nessa estratégia, técnicos que acompanham o mercado passam ordens de venda para dezenas de corretoras. O banco vendeu assim papéis da Petrobrás – R$ 4,5 bilhões, em 2018, e R$ 3,6 bilhões, no primeiro trimestre deste ano. O banco não está ampliando as vendas da estatal por causa de divergências entre a diretoria e “alguns funcionários”, na escolha entre ofertas ou mesa de operações.

Nos corredores do BNDES, circulam comentários sobre receios, entre os técnicos da área, de vender as ações baratas demais, disseram três funcionários, também sob condição do anonimato. Segundo os relatos ouvidos pelo Estado, os técnicos do BNDES temem ser questionados pelos órgãos de controle, no futuro, sobre a fixação dos preços. Ou seja, nitidamente os funcionários, a corporação petista do BNDES, faz chantagem contra a diretoria e contra a política de saída do BNDES do mercado acionário.

Montezano disse que a nova diretoria está dando “um passo além” na definição de procedimentos sobre como fixar os preços dos investimentos na carteira do banco, trabalho feito por Eliane Lustosa, diretora da BNDESPar ao longo de todo o governo Temer. Ao ser lembrado de que a conta depende também do valor pelo qual o BNDES adquiriu as ações, o presidente do BNDES respondeu: “Todas estão com lucro acumulado bem relevante. O lucro ‘performado’ da carteira é de R$ 40 bilhões, em ordem de grandeza”.

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